sexta-feira, 20 de abril de 2012

1982, o ano em que aprendemos a gostar de futebol

Só hoje li a reportagem da Tribuna do Paraná de quinta-feira sobre a chegada do Casal 20 - Washington e Assis - ao Furacão, há 30 anos. Desembarcaram na Baixada como ilustres desconhecidos e saíram daqui rumo ao Fluminense como craques. Realmente, 1982 parece ter sido um ano abençoado para o futebol. Além de poder ter presenciado o surgimento de uma das duplas mais importantes do futebol brasileiro, foi naquele mesmo ano que vi pela primeira vez o Atlético ser campeão, numa campanha memorável. E foi, também, naquele mesmo ano que vi a melhor seleção brasileira de todos os tempos - pelo menos desde o ano em que nasci.
Por isso tudo, vale a pena reprisar aqui um post que publiquei em 2010:
1982, o ano em que aprendemos a gostar de futebol
Meus amigos, uma Copa do Mundo já não me toca mais como antigamente. É claro, aos olhos de uma criança essa competição entre seleções tem muito mais brilho. Principalmente para uma criança dos anos 70/80, que cresceu vendo craques de verdade vestindo a amarelinha.
O primeiro Mundial do qual tenho lembrança é o de 1978. Algumas cenas não me saem da cabeça. A família reunida, na grande sala de tevê do avô. Na tela, lembro-me bem de alguns lances e de um nome, especialmente: Roberto Rivelino.
Mas 1982... este foi realmente o ano da graça do futebol brasileiro, pelo menos para a geração que não pôde curtir o tri mundial. O ano do futebol arte. A Copa era na Espanha. E o mascote, bem me lembro, o simpático Naranjito.
Ninguém aos 10 anos de idade pode dizer que manja muito de futebol. Mas o que Zico, Sócrates, Falcão, Éder, Júnior, Leandro faziam, sob o comando de mestre Telê, aquilo realmente encantava. As jogadas eram de tal magia, os dribles tão fáceis, os passes na medida, os chutes a gol com tamanha potência e precisão, que era impossível sequer imaginar uma derrota.
Talvez por isso eu tenha chorado naquele 5 de julho. Foi primeira - e única - vez que derramei uma lágrima pela Seleção Brasileira.
A partida contra a Itália, nas quartas-de-final, entrou para a história como "a tragédia do Sarriá". O Brasil jogou muita bola, mas foi derrotado por um jogador: Paolo Rossi. Maledetto.
Bem. Agora, por ocasião da Copa da África, a revista norte-americana Sports Illustrated escolheu as 10 melhores seleções que não conseguiram conquistar o Mundial. O Brasil de 82 aparece em 3º na lista feita pelo colunista Rob Smyth, atrás da Hungria de Puskas, vice-campeã em 1954, e da Holanda de Cruyff, também vice em 74.
Para ilustrar o talento de cada seleção citada, Rob editou alguns vídeos com lances da época. O do Brasil'82 é esse aí:

Quem não pôde acompanhar aquela Copa, pode ter uma amostra do que significou aquele time. Principalmente para um piá de 10 anos.
Mas o aprendizado de 1982 não acabou por aí.
Meses mais tarde, o jovem torcedor pôde constatar que o futebol arte podia ser jogado também por aqui. E a tristeza virou alegria em 31 de outubro, quando o Atlético de Roberto Costa, Lino, Washington, Assis, Sérgio Moura, Detti, Nivaldo, Capitão e tantos outros saía da fila para conquistar, após 12 anos, o título estadual.
Aquele time, meus amigos, também era mágico.
Fui a alguns jogos naquela temporada, mas não na grande final, contra o Colorado. Final para o Atlético, que conquistou o título por antecipação, após vencer os 3 turnos.
Lembro bem de ter visto os lances no Fantástico, e da genialidade da jogada do quarto gol, um golaço, que selou a mágica conquista.
Naquele ano, aprendi a gostar de futebol de verdade. Eu e, certamente, toda uma geração de atleticanos.
No fim de semana aproveitei o tempo livre e aluguei na Vídeo Um o DVD com a transmissão daquela partida memorável. Recomendo a qualquer um que gosta de futebol que faça o mesmo. A qualidade da gravação é péssima, mas mesmo assim vale a pena. E consegui salvar alguns trechos para postar aqui. Não ficou um grande vídeo como o do Rob Smyth, mas quebra um galho:
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Os 4 gols do Atlético, na transmissão da Rede OM.

Consegui salvar também alguns trechos da fita que mostram a comemoração alucinada da torcida Rubro-Negra, que estava com o grito de campeão engasgado havia 12 anos. E entendi porque a parentada mais velha não quis me levar ao estádio Couto Pereira: no fim da partida, invasão geral do gramado. Teve até pisoteamento, e um garoto desfalecido é carregado nos braços de um PM, sem ao menos uma maca ou socorrista para atendê-lo:
video
No final, tudo parece ter acabado bem. A torcida fez questão de levar como lembrança as redes do Couto. E até uma zebra escalou o mastro das bandeiras do estádio. Torcedores atravessavam o gramado de joelhos. Uma festa, meus amigos, do verdadeiro povão atleticano.
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15 comentários:

Anônimo disse...

Lembro que fiz um gol de cabeça neste dia, no ombro do cara ao lado. Washington cabeceou lá (ou teria sido Assis?) e eu fiz o mesmo na arquibancada, hehehe.
Titio Enéas

Maumau Ecos Aventura disse...

Parece que o futebol da Seleção é contagiante seja bem ou mal jogado, se pararmos para ver o de hoje.

Anônimo disse...

lindo ver o verdadeiro povão atleticano feliz...parabens pelo post,guerrilheiro

Anônimo disse...

Bons tempos que torcedor do Atlético era fanático pelo clube, e os bundinhas de veludo eram verdes.

MIke

Anônimo disse...

Pro tal Mike

Vc tem 12 anos cara quer falar o que de bons tempos...kkkkk...otário!!

Marcos

Anônimo disse...

Esse mikezinho deveria sumir aqui do blog.

Tiago CAP disse...

Bons tempos em que a zoação era sadia. Não havia quebra-quebra de ônibus e as pessoas se respeitavam muito mais. SRN

Anônimo disse...

A carapuça serviu, né Tiago bundinha de veludo?

MIke

Anônimo Revoltado disse...

Caveira, Mike, Eloi, CAPzão... é um só cara que tenta estragar o blog do Guerrilha.

Anônimo disse...

VAMOS COMER PORCO E OOÔO VAMOS COMER PORCO E OOOô ,,,,,, !!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Será que o Carrasco vai inventar em pleno clássico?
PQPariu... só falta ele fazer mais essa cagada.
Tirar o Liguera pra colocar o Heclares no meio, era só que faltava.

Temos chances reais de sairmos vitoriosos, desde que faça uma escalação certa, sem inventar.
Carrasco por favor chega de professor pardal, faça o obvio, não dê asas pro azar. Chega de entregar pontos.

A. Jose

Eloi disse...

ANÔNIMO REVOLTADO escreva alguma coisa no blog do Guerrilha que venha enriquecer, post seu nome e escreva sem medo de ser feliz, ou será que vc gosta de escrever somente besteira!

Anônimo disse...

Que belas lembranças.

Rapaz, neste tempo soltavam balão e soltávamos raia (pipa) dentro do estádio. Sim, era possível. Não tinha essa rivalidade doentia de hoje.

E, é verdade, a torcida do CAP era melhor que a de hoje.

Quem é você blogueiro?
És um literato amante das lembranças? Historiador das coisas boas rubronegras? És antigo integrante da Guerrilheiros? Nação? Eta?
És um entusiata apenas, que nos presenteia com essas maravilhosas recordações?

Eu, neste jogo, finquei, com orgulho, minha bandeira do CAP no círculo central do gramado.
(Porque naquele tempo podia entrar com bandeira e podia entrar no gramado).

______________
profano.

Ziquita disse...

Pôrra bicho, só você mesmo meu.

Lembro que este jogo foi o meu primeiro sozinho (já tinha ido em na decisão de 78 com o Pai, e em mais alguns outros com ele junto).

Lembro também que foi a primira vez que menti pra Mãe, falei que iria com a pizada do colégio fazer um trabalho na Biblioteca Pública, saímos com mala de colégio e tudo, mas o destino final foi pro estádio ver o CAP de Washington e Assis.