domingo, 29 de janeiro de 2012

O adeus a Nillo

Nilo e o Atlético: união eterna.
Passei ontem na Baixada, onde, no camarote VIP estava sendo velado o corpo de um dos maiores ídolos da história do CAP, Nillo Biazetto Netto.
Ídolos eternos são aqueles que se transformam lendas. Nillo é um desses. A maioria de nós, atleticanos, nunca o vimos jogar. Mas as histórias que ouvimos sobre ele nos fazem viajar no tempo e, olhando para as fotos da época do Furacão de 49, parece que estamos ali, sentados nas antigas arquibancadas de tijolinho da Baixada, trajando um terno surrado e com um chapéu na cabeça, admirando a elegância do ex-quarto-zagueiro de 1,80 metro a bloquear as investidas adversárias como quem defende a própria casa.
Nillo só poderia ter se despedido ali. Em plena Baixada. Com vista para o sagrado gramado do Joaquim Américo, onde por mais de uma década tratou tão bem a redonda e honrou a camisa do CAP.
Além de familiares e atleticanos dos mais nobres, o sentimento é de que estavam presentes ali todos os atleticanos da história. Zinder Lins estava ali, ao lado do féretro. Alfredo Gottardi também. Reunidos num canto, os ex-presidentes Jofre Cabral e Silva, Claro Américo Guimarães e Manoel Aranha lamentavam a perda, mas comemoravam a entrada de mais um rubro-negro para a Galeria dos Atleticanos Imortais.
Ali, no adeus a Nillo, vivi e presenciei em menos de uma hora muito mais atleticanismo do que poderia imaginar. Ali eu vi o quanto são pequenas estas discussões e divisões que se formaram em torno do clube: chapas, obras, prós, contras, o escambau. Essa chatice de nada vale. Vale é o amor pelo Atlético, do jeito que ele é.
Antes de deixar o velório, mais uma surpresa me aguardava: a família Biazzetto entregou aos presentes, como lembrança da memória de Nillo, um pequeno boneco da Coleção Craque Furacão e o livro "Nillo Izidoro Biazzetto - a Marca da Altivez", de autoria de Valério Hoerner Junior, Heriberto Ivan Machado e Cahuê Xavier de Miranda - obra que eu não conhecia e que pretendo devorar ainda hoje.

O boneco do Capitão Furacão: lembrança de Nillo que deixarei para meus netos e bisnetos.

Livro entregue pela família traz a biografia de Nillo.
Nillo se despediu como sempre viveu: com a marca da simpatia, da elegância, do cavalheirismo.
Ao Capitão Furacão, só posso deixar aqui o meu muito obrigado.

3 comentários:

marcos disse...

vc se superou com este belíssimo texto o melhor ate hoje
perdemos um ídolo mais ganhamos mais um anjo para nos proteger

Mylla disse...

Também passei lá pra me despedir do seo Nillo. Uma das grandes personalidades atleticanas que tive o prazer de conhecer. E o título do livro define bem o que foi o Nillo, altivo, ele era assim.

Lá bati um papo com seo Galalau, outro grande do Furacão 49. Ele ficou ali me contando histórias dele e do Nillo. Ele me disse: "O Nillo era pesadão, mas marcava muito. Eu corria o campo todo. Mas, pela gente ninguém passava." E eu viajei no tempo ouvindo seo Galalau me contando as histórias desses grandes zagueiros. Que honra a minha poder conhecê-los.

É a história do Atlético que vale à pena.

Anônimo disse...

Heróis... tempo que não volta, infelizmente.
Bom é ter sujeitos como este como ídolos, só o rubronegro tem disso aqui na quinta comarca.
Saudações rubronegras
Titio Enéas