segunda-feira, 1 de novembro de 2010

À moda antiga


Da Gazeta do Povo:
No retorno dele ao Atlético, em julho, não foram poucos os que comentaram: “Valmor Zimer­­mann? Mas ele não está meio ultrapassado?”. A recuperação do Furacão no Brasileiro pós-Copa do Mundo responde. E o dirigente, hoje, diante deste tipo de observação, elimina qualquer dúvida: “Eu sou mesmo um cartola à moda antiga”.

Autoavaliação que, inclusive, enfeita a antessala do apartamento de Zimermann, em Curitiba. Entre as camisas do Rubro-Negro e do Brasil – ambas autografadas – está um desenho do dono da casa encarnando o Cartolinha, ex-mascote atleticano. Ao lado, uma foto registra cena idêntica: o então presidente do clube veste fraque, cartola e a faixa de campeão paranaense de 1988.
“Seu” Valmor, como é comumente chamado no CT do Caju, é do tempo em que se levava boleiro para jantar logo após as partidas. De quando meter a mão no bolso para quitar as contas atrasadas era tormento rotineiro – práticas impensáveis atualmente. “Hoje são outros tempos, mudou muito. Mas posso dizer que eu consegui me adaptar bem”, diz o empresário, 67 anos, natural de Xanxerê, em Santa Catarina.
Companheiro de dia a dia no Atlético, o gerente de futebol Oci­­mar Bolicenho indica o motivo provável do sucesso do colega. “Ele tem um carisma positivo espetacular. Todos têm a mesma opinião sobre o Valmor. E isso su­­pera qualquer possível falta de atualização. O que nem é o caso”.
A relação de Zimermann com o Furacão começou pelas ondas do rádio, ainda em Francisco Beltrão, onde morou. “Eu e alguns amigos acabamos escolhendo o Atlético, sem muita explicação”.
Já em Curitiba, a paixão alcançou as arquibancadas e, em 1973, tornou-se ainda mais próxima. “Li em um jornal que o clube não havia treinado por não ter uniformes limpos. Decidi contribuir”.
Dessa preocupação nasceu a Retaguarda Atleticana – aliás, o nome do grupo diz muito sobre o seu criador, sempre atuante nos bastidores, despido de vaidade. “No início, nós ajudávamos financeiramente. Depois, fomos, naturalmente, nos tornando diretores”. Participaram também Valdo Zanetti, Samir Lobato Machado, Celso Gusso, Airton Galina e al­­guém que, anos mais tarde, revolucionaria o Furacão: Mário Celso Petraglia.
“Eu trouxe o Mário para dentro do Atlético, como diretor financeiro, em 1984”, lembra Zimer­­mann. A essa altura, ele sentava na cadeira de presidente, função que ocupou até 85 e voltou a exercer no biênio 87/88. Período de dois títulos estaduais e, especialmente, saneamento nas contas. “Posso dizer que nunca deixei faltar nada ou atrasar salários”.
Jogador da época, o agora procurador Carlinhos Sabiá confirma: “Eu tive diversas passagens pelo clube e não era brincadeira. Posso dizer que somente no tempo do Seu Valmor nós recebíamos normalmente. Tenho muito carinho por ele, é um amigo sensacional”.
Do ex-ponta-direita, Zimer­­mann lembra da final com o Pi­­nheiros em 88. Bastava Carlinhos acertar o pênalti para o caneco ir rumo à Baixada. Não foi o que aconteceu, e o jogador deixou o gramado do Pinheirão chorando copiosamente. “Eu o levei para jan­­tar em um hotel na Boca Mal­­dita e falei ‘você é o nosso craque, vai ser decisivo’”. No terceiro confronto, Carlinhos passou para Manguinha anotar o gol da conquista rubro-negra.
Depois da segunda presidência, ele tentou livrar-se dos problemas do Atlético, aparentemente infindáveis. Chegou a raspar o bigode na tentativa de ficar “irreconhecível”. Em vão. Na metade da década de 90, mesmo sem a marca-registrada, participou das obras da reinauguração do Joaquim Américo e, mais tarde, compôs o colegiado responsável por tocar o Furacão. Em 2001, no título nacional, marcou presença como supervisor da bola.
Um ano depois veio o afastamento da diretoria em virtude de um câncer no estômago. En­­tretanto, o contato como torcedor permaneceu e foi fundamental para um novo retorno, nesta temporada. “Eu via todo ano o time brigando para não ser rebaixado, isso me deixava agoniado. Até que recebi o convite em um jantar, tinha tomado vinho demais e acabei aceitando”, revela, rindo.
Porém, desta vez, ele garante que encerra sua participação. Quer dedicar-se mais à família e à pescaria, seu grande hobby. A ajuda na montagem da equipe que se recuperou na competição, além dos ajustes para 2011, serão as últimas lembranças. “Eu gostaria de entrar para a história como um cara sincero, que fala o que pensa, na frente das pessoas. O que eu me dispus a fazer, eu fiz. Nada de excepcional”.

14 comentários:

Renato disse...

Grande atleticano, merece estátua na Baixada.

Julio disse...

Este grande Atleticano entende de futebol. Quem conhece a história do Walmor sabe o quanto ele foi e é importante para o clube. Este ano bastou sua volta para o time ser reformulado e aparecerem boas contratações. Tenho certeza que deixará um grande planejamento para 2011! Parabéns a Gazeta pela matéria e para o Guerrilha pelo reconhecimento do trabalho do Walmor.

Anônimo disse...

Opinião é como bunda cada um tem uma.
VTNC Walmor, Mallu, Adur e Bolacenho.
Petraglia também!!

CAVEIRAHHH DE TOLEDO-PR disse...

De quando meter a mão no bolso para quitar as contas atrasadas era tormento rotineiro – práticas impensáveis atualmente. “Hoje são outros tempos, mudou muito. Até 95 era assim, faltou dizer.

Uma das coisas mais importante que "seo" Valmor fez foi trazer MCP para a administração do clube.

Não senti mágoa dele com relação a MCP.

Não como negar que o "véio" Valmor sempre foi um atleticano das antigas e que muito devemos a ele. Principalmente pela década de 80 quase inteira.

Sempre falaram e nunca provaram que tinha (ou tem?) envolvimento com jogadores.

Prefiro acreditar que não.

Falar é fácil. Administrar o clube e todos os seus problemas, principalmente no passado, deve ser difícil.

Que surjam mais atleticanos assim e que venham com dedicação e ideias novas e que continuam fazendo o CAP crescer.

próMCP disse...

Antigo por antigo. Carro véio serve pra salão do automovel. O novo, a tecnologia. Hoje temos de nos reinventar. E foi isso que petraglia fez com o atletico. Reinventou. Desmanchou o velho campo, construiu um estadio moderno, ficamos conhecidos em toda America latina pelo nosso futebol forte e ousado. Adversários eram constantemente humilhados na arena, tipo esse parmerinha que vem ai. Mas a grandiosidade tem um custo e tem aqueles que preferem as pequenices a crescer. Nos tornamos novamente pequenos, um time da cidade de curitiba, a espera novamente que o "Kraken" Petraglia seja solto pra nos colocar novamente no devido lugar; Grandes, temidos. dias em que até mesmno a chuva tinha medo da arena, tamanho o calor que lá era gerado. Os bons tempos vão mas......


....eles voltam

SRN

Anônimo disse...

Pena que o petráglia se lambuzou...

Anônimo disse...

Nenhuma ofensa até agora. O Blog evoluiu. Ou deve ser efeito do feriadão e os piás, e alguns adolescentes, de prédio viajaram com papai ou então compraram a Playboy da Larissa Riquelmwe e deram unma "acalmada" nos ânimos.

Anônimo disse...

Este é um GRANDE TORCEDOR do nosso time, está saindo, mas garanto que a paixão ainda trará volta para o convívio!!

acesso103 disse...

Seu Valmor sempre prestou ótimos serviços ao Atlético..vai deixar saudades.. e esses petraglistas como são chatos hein... falam como se o Atlético já não estivesse capengando nos últimos anos da administração daquele senhor.. afff...

Geca disse...

Grande Valmor. A verdade é que o time melhorou muito depois da chegada do velho Zimermann. Grande cara, grande atleticano.

Quanto aos MCPistas... pra eles não há vida no Atlético sem MCP... lamentável.

Anônimo disse...

O consolo é que o velho está velho, fora ranzizar não tem mais força.
Não me surpreenderei quando nas próximas eleições aparecer um "deles" com a manchete dizendo que o velho Pet os apóia...
Já "seo" Walmor é uma pessoa de bem com a vida, vida longa pois!
Enéas

Anônimo disse...

Petraia deve ter feito mal ao Atlético ou arrombado o cofre do Geca tatú e do meu nome é Enéas. Só falam dele.

Anônimo disse...

Isto é que dar arma ao inimigo. Parabéns canalhacelli. Deixou o Airton Cordeiro feliz. Voce não deve odiar o Atlético mesmo. http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1063376&tit=Bravo-presidente

Anônimo disse...

traia mesmo...