sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um clássico esquecido

Domingo é dia de recerbemos o Flamengo em Curitiba. E sempre quando os cariocas passam por aqui, sai coisa boa (não perdemos desde 1974!). São vários os confrontos clássicos. O maior de todos, certamente, é o de 1983, quando ficamos a um golzinho da final do Brasileiro e cravamos o recorde de público do Couto Pereira. Temos ainda outras ótimas recordações: a inauguração da Baixada do Farinhaque em 1994, o jogo do "eu sou o Lucas", os 4 a 0 de 2001 e o mítico 2 a 1 em 2004.

Há também um encontro, normalmente esquecido, que eu recordo com carinho: os 3 a 0 de 1991. Era a nossa partida de retorno à Primeira Divisão. Logo de cara, o Flamengo, recheado de figurinhas carimbadas. Destaque, claro, para Júnior, há tempos desfalcado da vistosa cabeleira black, que lhe rendeu o apelido de Capacete, mas com a canhotinha matreira de sempre. Eles contavam ainda com os zagueiros Rogério (atual técnico do clube) e Júnior Baiano, além de dois dos mullets mais clássicos do futebol brasileiro, o goleiro Zé Carlos e o volante Charles. Além destes, compunham a esquadra três figuras que, anos depois, alcançariam o estrelato: Zinho, Marcelinho (Carioca) e, no banco de reservas, Vanderlei Luxemburgo.

O Furacão não ficava atrás e apresentava um onze caprichado. Rafael envergava nossa camisa 1 -- ou seja, antes de o juiz apitar, já vencíamos no quesito "arqueiro com penteado arrojado". Na lateral-direita, Jorge Luís, o nascedouro da "jogada pronta", negócio da China realizado em Cambará com os japoneses do Matsubara. Leonardo e Batista eram dois beques razoavelmente confiáveis e, fechando o quarteto de zaga, o minotauro Odemílson, deslocado pela esquerda.

Partindo para o meio-campo, tínhamos o incansável Valdir Benedito, um exagero na proteção da defesa. E três meias: Luis Carlos Martins e seu jeitão de bancário, o baixinho e perigosíssimo André, e ele, sim, ele mesmo, Carlinhos Sabiá.

Na frente, Tico, o responsável pelo arremate de "jogada pronta", muitíssimo bem acompanhado pela, possivelmente, maior contratação da história do Atlético: Éder Aleixo. Pois bastaram cinco minutos, naquela tarde de sábado, para o canhão da Copa do Mundo de 1982 justificar o caminhão de dinheiro que o Furacão prometeu a ele e não cumpriu (paciência).

Quase 20 anos se passaram, não lembro com exatidão dos gols. Mas, se não estou enganado, logo na abertura do marcador, com André, Éder adicionou tanto veneno na bola que o zagueirão flamenguista (Piá) foi ao solo ao tentar interceptar o lançamento. Carlinhos então se apoderou da menina e, antes de endereçá-la a área, procurou pelo companheiro melhor colocado (manobra em desuso atualmente). Complementação perfeita, Fanáticos em festa.

Pouco depois, outro grito de gol no Pinheirão. Desta feita, na conta do Sabiá. A bola se ofereceu dentro da área, em um rebote. O eterno camisa 7 pediu licença a Zé Carlos, driblou-o, e finalizou com seu característico tapa aveludado: 2 a 0.

Vantagem administrada, com segurança, até próximo do término da partida. Foi quando uma tempestade se abateu sobre o Tarumã - e lá, naquela paragem vizinha a capital paranaense, os fenômenos climáticos eram seis vezes mais intensos.

Eu estava na curva (ou rampa) de entrada e a ridícula cobertura do setor era incapaz de conter as pedras que desabavam do céu. Por alguns segundos, fui fuzilado junto de outros milhares de irmãos, até encontrar abrigo atrás de uma placa de publicidade encostada no paredão.

De lá, espremido, consegui espiar Ratinho (fui saber com o Léo Batista, no dia seguinte), peça de conexão da linha importada de Cambará, ser derrubado na área. Pênalti! Tico firmou as travas no piso off-road do campo da FPF e executou a cobrança com categoria: 3 a 0.

Agora, dê play no video abaixo para continuar...



Bastou a gorducha adormecer, as nuvens se abriram, o astro-rei surgiu e, aliado à chuva, fez explodir um espetacular arco-íris, ao som do Jimi em Third Rock from the Sun. E ,ao pé da visão multi-colorida, lá estava a nossa taça primeira taça de campeão brasileiro. Era só ir buscá-la...

Bem, não foi exatamente assim que tudo terminou naquele início de fevereiro. Mas parecia, tamanha era a alegria dos atleticanos comemorando debaixo d'água.

5 comentários:

Anônimo disse...

Que lembranças legais, hehehe.
Se fosse nos dias atuais, teria tocado o celular e teria que correr para casa socorrer a mãe, pois foi tanta água ao mesmo tempo que a calha do telhado não aguentou e encheu a sala de água, hehehe.
Só fomos saber disto depois do jogo, mas todos trabalharam felizes, hehe.
Titio Enéas

Bamba La Bamba disse...

Guerrilha, show de bola o relato. Eu tava na caveira. Que tesão de jogo. Chuva pra arrebentar.
Eita fase boa. Resitimos ao Pinheirão por quase 10 anos.
Essa torcida sempre foi do caralho.

CAVEIRAHHH DE TOLEDO-PR disse...

Eterno saudosita este guerrilheiro...

Para lembrar destes tempo de Pinheirão li uma vez em livro:

"Os piores anos de minha vida foram os melhores".

Que adolescência boa que tive. Sem playground, sem nintendo. A diversão era jogar bola na rua.

Pindaíba danada. Pegava o goiabão (Interbairros no Campina do Siqueira, que viagem demorada...) e para mostrar que já era homem comprava uma gelada do Pida.

Mas tudo na vida passa e evolui. Menos o amor ao furacão. Graças ao bom Deus.

Anônimo disse...

Quem não me pediu que me pida!!!

A geração arena perdeu esta...

Mas isso não os denigre, basta deixar a vuvuzela em casa.

Titio Enéas

Anônimo disse...

Só para relembrar os 2 últimos:
Ultima rodada do Brasileirão de 2008, CAP 5x3 no Flamengo, com 2 pênaltis que Gaciba arrumou pra eles, e nos li vramos do rebaixamento no ultimo jogo tirando o flamengo da libertadores, e o fraco 0x0 de 6 de setembro do ano passado, com aquela chuva e sai da baixada desolado. mas hoje, com a evolução da nossa equipe eu aposto num 3x0 pra nós e um dia que será memorável com o super mosaico!!!