sábado, 3 de julho de 2010

Com ou sem chip?

Interessante a polêmica levantada pelo Blog do Santinha, após tantos erros de arbitragem nessa Copa do Mundo. Já é hora de usar a tecnologia para evitar falhas ou má-fé no futebol? Bolas com chip podem ser uma boa? Ou usar o replay da TV para conferir se houve impedimento? Em dois artigos, o ótimo site mostra duas visões bem antagônicas sobre o assunto. Confira:

O Futebol não merece chip
Por João Valadare
s

A bola da Inglaterra entrou meio metro. O juiz não deu. Deixou o placar lá na dele. Tevez, numa banheira de hotel cinco estrelas, cabeceou para a rede. Impedimento de livro, para ensinar nas escolas.

O bandeirinha correu para o meio e o juiz assinalou o gol. Gol impedido? Foi impedido sim. Mas, meu caro, o juiz apontou para o meio, puxou o pé do placar e mandou ele se mexer. Justo? Não. Mas o nome disso é futebol. Justiça é outra coisa. Bem diferente.

Desconfio de que Justiça e futebol nunca nem trocaram um aperto de mão. Desconfio não. Tenho certeza. Nunca nem sentaram no mesmo banco para um café inocente da tarde. Trocaram três palavras na fila do banco? Nunca. Não se conhecem mesmo. E o nome disso é futebol. Tremo de medo toda vez que há um erro de arbitragem. Não pelo erro. Tremo pelos pedidos racionais e profundamente éticos de sempre: chip na bola, auxílio de imagem eletrônica, telão em tudo quanto é canto, replay até o juiz se convencer de tudo o que realmente aconteceu.

A razão no futebol sempre me deixou bastante preocupado. Futebol não é justo, nunca foi e nunca vai ser. É o único esporte coletivo em que o time que joga pior, aquele nanico das brenhas de Vitória de Santo Antão, pode vencer o gigante que jogou mil vezes melhor. Quem sempre lembra desse princípio é meu amigo César Maia, um dos maiores do Norte Nordeste quando o assunto é bola na rede.

Mas voltando. Nós vamos acabar com uma das cenas mais lindas do futebol? O improvável. É isso que vocês querem? Depois de muitos gols perdidos, o zagueirão do time de usina, que já entrou em campo com meio time dentro da barra, espana uma bola e o atacante entra cara a cara com o goleirão. Aconchega levianamente, fecha o olho e mete bomba. Gol. Pronto. Juiz acaba o jogo. O Acadêmicos de São Bento do Una vence o São Paulo Futebol Clube. Um a zero e fim de papo. A semana no corte de cana está garantida. O bom dia ao patrão tem outro sabor durante um bom tempo. O nome disso é futebol. Não me venham falar de Justiça.

No basquete não tem essa. É um esporte justo. Jogou melhor? Vence a partida. O vôlei também veste toga. É a mesma coisa. E em todos os outros esportes que quem joga melhor sempre vence. Eu gosto mesmo é do chute fraquinho do anão. Aquele com força mínima apenas para derrubar o gigante. E se for com um soprinho do juiz não tem problema. Desde que não seja contra o meu time.

Portanto, senhora Tecnologia, deixe o esporte do povo em paz. Não entre nos campos de futebol. Não mate as discussões intermináveis. Não enterre a eterna dúvida. Não jogue água no argumento do perdedor, aquele mesmo que teve um gol legítimo anulado. Deixe sempre do lado de fora do bolso a pontinha de orgulho de quem perdeu no roubo. É melhor não se meter. Vá para as quadras de basquete, vôlei, tênis, para as pistas de atletismo. Vá zerar a dúvida do cavalo que chegou na frente, cabeça à cabeça com o concorrente. No futebol não. Deixe-nos na mão do olho capaz de errar.

Quando a bola ganhar chip, o impedimento não mais existir e os telões decidirem uma partida nasce outro esporte. Podem chamar de qualquer nome, menos de futebol. O juiz ladrão é um personagem secular, imortal. Já pensaram nos surrupiarem as expressões “ganharam no roubo”, “jogaram com 12”, “juiz filho da puta”? Vocês aceitam ficar sem isso?

E o bandeirinha? Tem gente que quer aposentá-lo de qualquer forma. Só pode ser maluco. Acabar com o que há de mais belo no futebol, a impossibilidade de seguir se já estiver à frente. Por muitas vezes pensei ser o bandeirinha a profissão mais importante do mundo. Pelo menos a mais importante dos instantes. Não tenho dúvida. Solene, levanta o instrumento de trabalho e faz milhares de pessoas engolirem o grito. E olhem que engolir grito de gol envelhece 10 anos. É pior do que muita coisa ruim.

O bandeira, sempre ele, é o nosso último reduto de que tudo é mentira. Nem que seja um milésimo de esperança, por um segundinho que seja, quando o chute adversário já nos estuprou. Olhamos, respiramos e imploramos para um dos gestos mais poderosos do mundo: a bandeira erguida. Se for gol do nosso time, que ele corra para o meio. Mesmo que o nosso camisa 9 esteja muito bem refestelado na banheira cinco estrelas.

Os bandeirinhas são sempre odiados e amados no mesmo lance. E vamos acabar com isso? Vamos instituir o replay para o juiz pensar, refletir, ligar para a mãe, falar com Arnaldo César Coelho, assobiar o hino da frança, comer uma torta de limão e apontar para o meio? Não. Não façam isso. Ele estava certo. “O videotape é burro.”

Já pensou, amigos, o que seria do futebol se tivéssemos esse maldito olho eletrônico? Perderíamos o passo para frente do genial lateral Nilton Santos no jogo contra a Espanha na Copa do Mundo de 1962. Ficamos livre da punição máxima. Essa cena simplesmente não existiria. O passo mais belo de todas as copas. Muito mais importante do que aquele passinho meia boca de Neil Armstrong. O futebol perderia a mão de Deus. Teríamos que amargar várias expulsões de Pelé. Não iríamos gritar o golaço de Luiz Fabiano.

E a eterna polêmica da final de 1966 entre Inglaterra e Alemanha? A bola que entrou ou não entrou. Ninguém mais falaria sobre isso. Não façam isso com o futebol. E nunca é demais lembrar: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.” Quem lembra é Nelson Rodrigues, o que melhor escreveu sobre a bola. Literatura e política eu não sei. O futebol não merece um monte de coisa. Muito menos um chip.


Tecnologia sim, ma non troppo
Por JulioVila Nova
Essa conversa de João Valadares sobre a tecnologia no é muito bonita e coisa e tal. Mas parece que a ideia serve apenas para reiterar uma posição da FIFA que já ultrapassou a linha do absurdo. Tudo bem, Nilton Santos, Nelson Rodrigues e outros craques dos gramados e das letras merecem nossos louvores, eternamente. Mas não dá para aceitar que, nesta questão, o futebol tenha parado em 1966. Parece meio lunático insistir nisso (mas concordo com Valadares sobre o passo genial de Nilton Santos… que Armstrong, que nada!).

Sim, a polêmica é boa parte do gás que mantém acesa a alma do futebol. Certíssimo! E ainda por cima, vende muito jornal, não é mesmo? Mas, só para não ir muito longe, nem precisar voltar demais no tempo, lembro que todos aqui respiraram aliviados quando viram na internet a foto do atacante Gaúcho, do Santa, sendo puxado pela camisa na pequena área, legitimando a marcação de um pênalti que barbies e cachorras de peruca já se arvoravam em contestar – e calando a boca delas. Bendita tecnologia digital dessa câmera ali, naquela hora!

A beleza do futebol está no imprevisível, na possibilidade do Vitória de Santo Antão Aguardante Atlético Clube bater algum adversário de mais reconhecida tradição? Isso mesmo! Mas isso pode muito bem acontecer dentro das regras do jogo – ou, pelo menos, sem que elas sejam avacalhadamente desrespeitadas na cara de todo mundo (e do mundo todo, como no caso recente entre Inglaterra e Alemanha, nesta Copa 2010).

O triunfo do futebol da usina pode muito bem resultar de tudo isso que eleva o nível da emoção no futebol – o lampejo de genialidade, a dedicação sobrehumana naquela partida decisiva, um lance de sorte – sem que precisemos nos contentar com os absurdos, aplaudindo de tabela a intransigência da FIFA e os seus interesses pouco cristãos. Além do mais, cá pra nós, não dá para acreditar que, por um desses equívocos da arbitragem, o Acadêmicos de S. Bento do Una um dia vença o São Paulo. Sei não. Há certas horas em que os equívocos vestem cores bem definidas, as mais convenientes, a depender das intenções e preferências ou – pior ainda – das encomendas. Infelizmente, não estamos mais para esse romantismo todo no futebol. Alguém aí lembra daquele jogo do Bahia, que foi até os cinquenta e tantos minutos para consagrar a sua ascensão? (Quem era mesmo o Acadêmicos de S. Bento da vez?)

Utilizar a tecnologia para dirimir dúvidas cruciais como esse lance da da Inglaterra contra a Alemanha (de tão escandaloso, não precisava mesmo de tecnologia nenhuma, bastava o mínimo de competência do bandeirinha, que ajudou a detonar a reputação de um árbitro até muito bom) não é matar a alma do futebol, como parece querer dizer Valadares. Além do mais, a tecnologia não precisa ser usada a todo momento, em qualquer situação. Assim, não perderemos nosso sagrado direito de esculhambar juízes e bandeirinhas na maioria dos lances de uma partida (faltas, impedimentos, escanteios etc.), lances que garantem a inevitável polêmica depois do apito final.

  • E você, o que acha? Palpite!

32 comentários:

JMK disse...

Na prática o que se propõe é quase impossível. Se fizer assistência eletrônica apenas nos lances capitais, têm que se determinar onde começam e onde terminam os lances capitais. Se a cada posicionamento tanto da bola como do atleta o juiz eletrônico tiver que atuar não precisa de juiz humano nem haverá jogo. O que se pode fazer é criar uma comissão de arbitragem que monitore todos os lances pelo vídeo e auxilie os juízes de campo.
É um assunto delicado e polêmico...

Anônimo disse...

So sei o seguinte, o dia que haver justiça no futebol, times como corintians e flamengo vão ter que jogar pra ser campeões.

Anônimo disse...

Já passou da hora de tirar um pouco do poder e arbitrariedade dos árbitros, erram milhões de vezes e nada acontece.
E como diz o texto em geral os erros escolhem camisa para "acontecer".
SRN do Titio Enéas, "meio alemão" hoje de manhã...

Anônimo disse...

juizada não tá com nada!!! o futebol tem que se modernizar!!!

Anônimo disse...

tem q acabar com os impedimentos

Guilherme disse...

tecnologia o caralho, isso vai acabar com o futebol! nao ao futebol moderno.

esou disse...

A tecnologia eletrônica pode e deve ser utilizada como auxiliar ao "apitador".

Infelizmente em muitos lances em que o árbitro deu "pausa" não "dá" para serem aplicadas, pois após dar "play" certamente um dos times será prejudicado.

Anônimo disse...

Sou a favor de tecnologia total. Em caso de dúvida, o time que se sentiu prejudicado pode pedir uma consulta eletrônica, assim como no tênis.

Sem mais injustiças e erros. Para que oficializar o erro? Esse Blatter é decrépito, mentecapto e burro.

Anônimo disse...

Burrice é comparar o tenis com o futebol, pois são esportes completamente diferentes. Agumas dúvidas devem fazer sempre parte do futebol ( tempero deste esporte). Alguns lances, mais capitais, poderiam ser monitorados por árbitros auxiliares com a utilização de monitores.

Anônimo disse...

CONCORDO COM ANÔNIMO DAS 09:11, os times do eixo mal só irão ganhar jogos, jogando e não sendo ajudados!

Anônimo disse...

Se acabar o impedimento acaba a parte tática do jogo, ele é o grande responsável pelas formações táticas.
Sem impedimento fica um banheirão lá na frente sempre, consequentemente dois zagueiros juntos...
Titio Enéas

Anônimo disse...

Quem acha que o impedimento deve acabar, não conhece nada de futebol.

Luiz Andrade disse...

Totalmente à favor,chega de ser roubado descaradamente e depois ainda ver o gatuno ser eleito o "melhor" arbitro.

Anônimo disse...

Acredito que mesmo com tecnologias alguns lances do futebol dariam margem a discussão.
Até porque não é em todo jogo que será possível ter 32 câmeras.

CAVEIRAHHH DE TOLEDO-PR disse...

MAIS2 AMISTOSOS.

TIME TITULAR 1x0 NO JOINVILLE. COM UM GOL DE PENALTI NO FIM DO SEGUNDO TEMPO.

TIME RESERVA PERDEU DE 1X0 PARA O MARÍLIA QUE DISPUTARÁ A TERCEIRONA.

BRUNO MINEIRO, O NOVO CHINELINHO DE OURO, CONTINUA NO DM. APRENDEU COM O SEU CONTERRÂNEO ALEX?

PELO JEITO, AS COISAS CONTINUAM COMO ANTES NO QUARTEL DE ABRANTES....

QUE FASE. QUE MARÉ. ATÉ QUANDO? E NÓS AQUI DISCUTINDO O SEXO DOS ANJOS, OU MELHOR CHIP! TENHA PACIÊNCIA!

Anônimo disse...

Hey, caveira. Tá insatisfeito faça teu próprio blog.

Anônimo disse...

campanha para o guerrilha bloquear esse energumeno do caveirahhhhhhh.

Anônimo disse...

Titio Eneas um dos "crânios" do blog, se fica um banheirão e dois zagueiros juntos, uma vez crânio monte uma tática para o banheirão. Metido a inteligente, porém burrinho que da dó, hehehe.

Anônimo disse...

Seu loke, o que quis dizer ("divia desenhá pru mor de si fazê intendê, seu tonto") é que todos jogariam de forma igual.
Titio Enéas, cuja opinião machuca tanto alguns afetados.... me largue!!

KAVEIRAHHH DE TOLEDO-PR disse...

Ohohohohohhh! Caveiráhhh está eufórico(a), Seleção já voltouhhh.
OB já foi comprar pilha para acender a lanterna que vocêhhh carrega na tua BUNDAhhh! hhhhh!!!

Anti-caveirahhh disse...

Caveirahhh extrapolou a própria burrice... Está maldizendo o Blog da Baixada mostrando que não sabe nem o que é "chip".
Francamente, vá ser burro lá na Vila Pinto que é o teu lugar. Vem aqui confessar que tenta "desencaminhar" os filhos de seus amigos, torce contra Seleção Brasileira, a mulher está em segundo plano, o povo paranaense é autofágico, governo paranaense é incompetente... "and so one" que não acaba mais.

Meu chapéu de fogo disse...

eu acho que o manoel e macio serqam vendidos é isso que eu acho...

CAVEIRAHHH DE TOLEDO=PR disse...

DIZEM QUE O MÁRCIO AZEVEDO JÁ ESTÁ VENDIDO...

MAS ESTÁ TUDO ÓTIMO. SCORPIONS VEM AÍ.

SERÁ QUE ESTES ALEMÃES JOGAM BOLA TAMBÉM?

Anônimo disse...

Perder para o Marilia eh brincdeira de mau gosto! vergonha!

Pode ter 5 copas seguidas que esse time nao melhora! Sempre a mesma merda!

Anônimo disse...

Anônimo das 22:07, o time jogou com seis jogadores do júnior e o resto não tinha nenhum titular, sendo assim, não encha o SACO. Vá aprender um pouquinho de bola pra depois comentar aqui.

Tiago disse...

Caveirahhh qual é o problema de vender o Marcio Azevedo? Todo time de futebol vende e compra jogadores. Por que o CAP deveria ser uma exceção? É de encher o saco esta sua burrice futebolística.

Anônimo disse...

DISSERAM AQUI

"algumas dúvidas devem fazer sempre parte do futebol ( tempero deste esporte)"

Quer dizer que erro de árbitro e injustiças é tempero? Recursos eletrônicos são usados no futebol americano também, com sucesso... É tão fácil criar um sistema rápido, Já nos anos 90 seria rápido, com a tecnologia de hoje então...

Ridículo achar que o erro é legal... Isso é um paradigma bobo...

Anti-caveirahhh disse...

Para implantar "juiz eletrônico", total ou parcial em futebol, têm que adequar suas regras para este fim.
O que dizer do caveirahhh de pau que quer destruir inclusive este Blog?
Guerrilheiro devia implantar juiz eletrônico para "deletar" automaticamente assuntos alheios ao texto.

KAVEIRAHHH DE TOLEDO-PR disse...

Caveirahhh, como estáhhh o tempo hoje, 10:00 horas aí em Toledo? hhhhh!!!

Anônimo disse...

Anônimo das 23:22, creio que você não tenha lido o meu texto completamente. Eu falei que os erros capitais deveriam ,sim, ser monitorados pelo árbitro reserva(auxiliar) e, constatado alguma irregualaridade mais importante, avisar o árbitro. O que não se pode fazer é parar uma partida por qualquer pequena dúvida que se tenha. FAVOR LER COM MAIS ATENÇÃO NA PROXIMA ANTES DE FAZER QUALQUER CRÍTICA. Paradigma bobo é usar o futebol americano como esporte comparativo.

Anônimo disse...

So sei o seguinte, o dia que haver justiça no futebol, times como corintians e flamengo vão ter que jogar pra ser campeões.

3 de julho de 2010 09:1


FALOU E DISSE.

Anônimo disse...

O dia que HOUVER justiça. Dá-lhe Língua Portuguesa.