sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dramas da Copa

Por Carneiro Neto, na Gazeta do Povo:


Desde que a Fifa escolheu o Brasil como sede da Copa do Mundo sabia-se que três das mais importantes capitais do país não possuíam estádios públicos: São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Como seria impensável fazer a Copa sem o populoso e rico “sul ma­­ravilha”, os organizadores procuraram São Paulo, Atlético e Inter, os quais colocaram Mo­­rum­bi, Arena e Beira-Rio à disposição.

Como o dinheiro jorrará fácil dos cofres públicos para os estádios municipais e estaduais – Mi­­neirão, Maracanã, Fonte Nova, etc. –, esperando-se apenas que não se repita o superfaturamento do Pan-Americano, no Rio de Janeiro, os holofotes da mídia dirigiram-se para os estádios particulares.

E, como se São Paulo, Atlético e Internacional tivessem culpa de terem sido competentes na construção dos seus patrimônios, passaram a ser pressionados pela Fifa, pela CBF e autoridades.

Os clubes foram encostados na parede, exigindo-se que contraíssem enormes dívidas junto ao BNDES, mantendo os seus recantos fechados durante dois anos para as obras previstas no exagerado caderno de encargos da Fifa.

Quem pagará a conta de tantos prejuízos nos dois anos de perda de renda em jogos, em publicidade e no esvaziamento dos quadros sociais? Sem esquecer de que os empréstimos milionários junto ao banco de fomento oficial terão de ser honrados pelas associações.

No meio do caminho, com pitadas de vingança política, o Morumbi foi excluído pela Fifa, anunciando-se que a prefeitura de São Paulo construiria nova praça em Pirituba. Pois não há de ver que o terreno escolhido esta contaminado por metais pesados e passa por processo de recuperação ambiental que levará mais três anos para ser concluído.

Voltaram-se os holofotes para o Morumbi, agora com apoio do presidente Lula, que apontou o jogo político da CBF como principal responsável pelos atrasos no cronograma de obras.

O Internacional encontrou mecanismos internos para alavancar recursos suficientes para mo­­dernizar o Beira-Rio, porém o Atlé­­tico – que apenas colocou a sua Arena à disposição da Fifa – es­­tá no meio de intenso debate político que culminou com audiência pú­­blica na Assembleia.

Tudo muito aborrecido, diante do assustador baixo nível intelectual, cultural e político de alguns deputados que debateram os caminhos indicados pelo governo estadual e pela prefeitura municipal para tentar salvar a Copa em nossa capital.

Revanchismo e desinteresse pela confirmação do evento em Curitiba assinalaram algumas manifestações. É importante recordar que o Atlético decidiu concluir o estádio com recursos próprios, porém sem os requintes sugeridos pelo caderno da Fifa.

O Atlético não necessita da Copa para ter a Arena concluída. Quem corre o risco de perder investimentos federais é o estado do Paraná e, sobretudo, Curitiba.

13 comentários:

Geca disse...

Na veia! Grande Carneiro Neto. Se eu tivesse o poder dá síntese e não fosse tão prolixo, diria exatamente o que foi exposto.

A verdade é exatamente essa: o Atlético está sendo acusado de "querer perder" a Copa no PR porque não que se enforcar em dívidas que só vão trazer benefícios ao Estado. Sim, porque um Estádio nos padrões da Copa, pra se disputar "meia dúzia de 3 ou 4 jogos" será um ônus impensável para o clube.

Graças a hipocrisia, ignorância e obtusidade de boa parte de nossos representantes políticos (pra não falar na inveja autofagista dos co-irmãos tentando se pendurar na captação de recursos proveniente da vanguarda do CAP) vamos deixando escapar 4bilhões de investimentos no Estado porque, segundo as imbecilidades de plantão, o Atlético é que tem que segurar SOZINHO o ônus de bancar a Copa por aqui.

Enquanto isso, os 100 milhões de desvios da Assembléia ficam como estao, sem protestos desses mesmos "representantes públicos" que dizem que o CAP é quem tem que bancar a Arena FIFA.

Por isso que o Paraná não tem cultura própria, porque não defendemos nosso desenvolvimento e nossa união. Preferimos usar bombacha ou bancar os paulistas.

Vergonha.

Mike disse...

É isso aí Geca. Concordo plenamente.

Acho que temos que criar uma cultura de orgulho paranaense, de força, de união.

O Paraná é o melhor Estado do Brasil. Como produtos da terra, não babo ovo de paulista nem de estrangeiro. O bom é o que é nosso.

esou disse...

O plano B apresentado pelo deputado Stefanes jr diz não precisar de dinheiro público, basta ceder o terreno do Pinheirão (não seria patrimônio publico?) durante 20 a 30 anos e será devolvido ao Estado com o estádio padrão FIFA 2014 em cima, sem o governo investir um centavo; beleza não é?

Apenas e tão somente apenas não citou que o Pinheirão carrega uma dívida que por baixo supera a casa dos 200mi quem irá pagar, o paratiba?

Além disto, após 20 anos este estádio estará pior que o favelinha e mesmo que não fique, o governo receberá “herança maldita”: Gigantesco Elefante Branco, sem nenhum clube que atue nesta praça nem quem queira mantê-la.

Arena da Baixada é a solução para Copa 2014 no Paraná, o resto é escória!

Anônimo disse...

Políticos? Já não espero nada desta raça.
Imprensa? tem sim grande culpa, pois deveria fiscalizar o que é errado e exaltar o que traz benefícios, mas preferem esta mediocridade que lemos e ouvimos o tempo todo.
O menor beneficiado nesta história toda é o CAP (no final das contas terá uma dívida a pagar e uma casa mais incrementada, inclusive com alguns cômodos meio que incômodos), qual o prejuízo técnico que temos pago (e ainda devemos pagar mais) devido ao foco do clube ter saído das 4 linhas?
Titio Enéas, como curitibano apoiando a Copa na Baixada

Anônimo disse...

Um paranista a favor do projeto Arena. Os outros fdp Anibelli e Stefanes que vão tomar no cú!

Espírito Atleticano disse...

Reinold Stefanes Junior, vai votar a favor da Arena Copel, segundo o próprio. O pai dele ex Ministro é gente honrada e ninguém da sua família merece o xingamento do anônimo acima.
Ele (Jr) quer a Arena Paratiba para jogos da pré Copa 2013 e não para concorrer com Arena Atleticana que seria para 2014. Claro que cada um puxa o filé para seu lado...

Julio disse...

O Paraná é muito fraco politicamente. O Carneiro foi perfeito em sua explanação. A Arena concluída é uma ótima para o Atlético, mas se nosso estádio não for sede da copa, paciência, não será o clube que sairá perdendo e sim toda sociedade. Querem construir uma "Arena Paratiba" onde está o Pinheirão para a Copa. Os caras estão esquecendo apenas um grande detalhe. O maior credor daquele terreno, junto com a prefeitura, é o Atlético. Se o Atlético embargar a obra por apenas 2 anos não haverá a Copa. Ou vcs acham que os políticos que estão apoiando a Baixada como sede viraram bonzinhos da noite para o dia? Eles sabem que a Copa só acontece no Paraná se for na Baixada. Caso contrário, teremos mais um bom motivo para visitar Floripa em 2014.

JMK disse...

É o sonho de Florianópolis, Júlio, com a ida da Copa para lá, representaria mais uma ponte que ligaria BR101 à ilha, modernização e ampliação do gigantesco aeroporto de Navegantes... A subsede poderia até ser em Joinville, maior cidade do Estado cuja população é de assustador 490 mil. É a força que os da 2ª divisão coxinhas estão planejando como plano E se não vingar o B, pois C é ridículo (SJP).

Corneta centauro 1 disse...

"Por isso que o Paraná não tem cultura própria, porque não defendermos nosso desenvolvimento e nossa união. Preferimos usar bombacha ou bancar os paulistas."

Excelente Geca.

Anônimo disse...

"Espírito atleticano"
Seja inocente não...
O cara quer uma arena para o pré copa e outra para a copa?
Nem lá em casa...
Titio Enéas

Espírito Atleticano disse...

Não é bem isto titio, é que segundo ele mesmo, a Copa em Curitiba só sai se for no Joaquim Américo e como coxa que é quer benefício "maior" para CFC.

Espírito Atleticano disse...

Sem Copa em Curitiba todos paranaenses ficam a ver 2014 passar em branco, sem mundial, sem verba extra, vivendo a rotina, amargando um atraso de 10 anos.

Anônimo disse...

Que verba extra ganhamos com esse Copa até agora?