sábado, 31 de julho de 2010

O futebol pune

Quando o Atlético entrou no Maracanã, deu pinta de que viria coisa boa pela frente. Bem postado, marcava bem e contra-atacava com perigo. Guerrón estava muito bem em sua estreia. O time estava melhor, até, do que na partida contra o Goiás, semana passada. Fazia sua melhor apresentação fora de casa. E quase abriu o placar, com o próprio equatoriano.
Mas o futebol pune, dizem os velhos comentaristas esportivos.
E, infelizmente, Bruno Costa titubeou na frente do Conca, deixou o argentino roubar a bola e cruzar para Washington abrir o placar.
A partir desse momento, o contra-ataque passou a ser uma arma dos cariocas. E, aí, o Atlético começou a afundar. Noutra falha, já no segundo tempo, desta vez de Vitor, o Atlético proporcionou outro contragolpe e o Fluminense ampliou o placar.
A essa altura, o técnico Carpegianni já havia partido para o tudo ou nada, colocando em campo nada menos do que quatro atacantes: Bruno, Guerrón, Alex e Maikon Leite. Atitude inócua, porque o CAP continuou a perder o meio-campo. Até porque Paulo Baier ficou sobrecarregado na armação. E, covenhamos, o maestro não estava lá tão inspirado.
Tanto que Carpa se obrigou a tirar Guerrón e botar o Branquinho para armar as jogadas.
Washington ainda marcou mais um e Bruno Mineiro, em boa bola de Branquinho, diminuiu para o CAP.
Agora é se preparar para enfrentar os bambis, maiores fregueses da história da Arena.
O futebol pune.
Então, em casa, não dá para titubear novamente: é ganhar ou ganhar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Brilhante

Guerrón sorriu ao saber que está liberado para atuar amanhã no Maraca, palco onde já conquistou uma Libertadores da América.
E, se depender dos dentes do hóme, ele vai brilhar em campo. Manja só o style!
O flagrante é da Julia Abdul.

Guerrón liberado

Guerrón tá liberado para jogar amanhã. E o nome dele é Jofre, meus amigos. com oJofre Cabral. Veja a matéria da Furacao.com:

Jofre David Guerrón Mendez. O equatoriano de 25 anos teve, finalmente, o nome divulgado no Boletim Informativo Diário BID) e pode fazer a estreia pelo Furacão neste sábado, contra o Fluminense.

Guerrón era a única dúvida do técnico Paulo César Carpegiani para escalar o Rubro-Negro para o jogo do Maracanã. Com o equatoriano à disposição, o time terá, no 3-5-2: Neto; Manoel, Rhodolfo e Bruno Costa, Wagner Diniz, Chico, Vitor, Paulo Baier e Paulinho; Guerrón e Bruno Mineiro.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Guerrón bem na pré-estreia

Da Furacao.com:

O Atlético venceu o Camboriú por 1 a 0 no jogo-treino desta quarta-feira, no CT do Caju. O gol foi marcado pelo atacante Bruno Mineiro após assistência do meia-atacante Guerrón. As informações são do Programa Balanço Esportivo, da rádio Banda B.

Dessa forma, o equatoriano praticamente garante uma vaga no time que enfrenta o Fluminense no sábado, no Maracanã, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Guerrón depende apenas da publicação do Boletim Informativo Diário (BID).

Além do meia-atacante, o técnico Paulo César Carpegiani também aproveitou a atividade para observar outros jogadores que ainda não estrearam ou reservas pouco utilizados.

Segundo a jornalista Julia Abdul-Hak, o jogo-treino foi dividido em três tempos com cerca de 40 minutos cada. Na primeira parte, o time jogou no 4-4-2 com João Carlos; Alex Fraga, Gustavo Araújo, Eli Sabiá e Jean; Deivid, Claiton, Branquinho e Mithyuê; Guerrón e Maikon Leite.

No segundo tempo, saíram Deivid e Guerrón para as entradas de Fransérgio e Ivan González. Na última parte do jogo-treino, o técnico atleticano colocou os titulares (com exceção de Alex Mineiro) e o time atuou com Neto; Wagner Diniz, Manoel, Rhodolfo e Bruno Costa; Chico, Vitor, Paulo Baier e Paulinho; Bruno Mineiro e Thiago Santos (depois Guerrón).

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Após ir e vir, Joílson fica

Da Gazeta do Povo:

Mais de um mês após ter sido anunciado como reforço – e depois ver a negociação não se concretizar – o lateral-direito e volante Joílson, ex-Grêmio, finalmente acertou com o Atlético. De acordo com o diretor de futebol rubro-negro Valmor Zimmerman, o jogador passou nos exames médicos e será contratado pelo clube.

“Ele foi para Porto Alegre para agilizar a documentação e deve se apresentar na quinta-feira (29). A entrada no BID deve ser rápida. Isso não preocupa, já que ele ainda precisa de uma semana para fazer o condicionamento físico", disse o dirigente.

Em junho, por causa de uma lesão no tornozelo, a negociação com o atleta de 31 anos que já passou por Cruzeiro, Botafogo e São Paulo, foi interrompida. Para seu lugar, o Furacão anunciou o lateral-direito Éder, do Barueri, que sem nem mesmo ter estreado, foi dispensado na última semana.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Manos

(foto de Julia Abdul)
Guerrão e Manél, irmãos que foram separados na maternidade e se encontraram décadas depois, no Clube Atlético Paranaense.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Aí não dá!

Leio na Furacao.com que o Atlético ficou em 20º lugar no ranking de apostas na Timemania na semana passada. Lugarzinho quase que cativo - geralmente o CAP fica ali, entre 17º e 20º. Geralmente também, como na última semana, é o melhor colocado dentre os clubes paranaenses. Até aí, tudo bem. Agora, dando uma olhada na classificação divulgada pela Caixa, vejo que o Furacão ficou atrás de clubes como Avaí (19º) e Juventude (18º), além do Ceará (17º), que no resultado geral de 2009 ficou atrás de nós.
Porra, aí não dá, né pessoal?
É fácil ficar só gralhando que quer time.
O povão tem também que fazer sua parte.
Jogue na Timemania, atleticano! Vamos botar o Furacão nas cabeças!

domingo, 25 de julho de 2010

Alegria

Manél, o superzagueiro, abriu o placar para o Furacão.
Vencemos. Vencemos fora de casa. Vencemos a segunda partida consecutiva no Brasileirão. Não tomamos gol novamente. A sorte esteve ao nosso lado, e não do adversário. O Atlético definitivamente chutou a uruca e começa agora a respirar ares mais calmos no Brasileirão.
Foi novamente uma bela apresentação do escrete rubro-negro, principalmente no aspecto defensivo. Com a volta de Manél, a zaga se torna um paredão. Bruno Costa fez outra partida excelente. E a grata surpresa que foi a excepcional partida do lateral Paulinho, criador da maior parte das jogadas do Furacão pelo lado esquerdo, e que no nonagésimo minuto de partida ainda estava correndo como se fosse o 1º.
E o placar de 2 a 0 (gols de Manél e Maikon Leite) acabou sendo justo mesmo com as três bolas na trave do goleiro Neto. E seria uma vitória ainda mais bela se tivesse sido válido o golaço de Bruno não tivesse sido anulado - Alex havia ajeitado a bola com o braço para o chute fatal do colega mineiro.
Como disse o Carpa na coletiva, a ordem era realmente pôr ordem na cozinha para primeiro estancar as derrotas e, depois, pensar nas vitórias. E elas vieram mais cedo do que ele esperava.
Tomara que o time continue a vencer, mesmo longe da Baixada.
O Atlético tem agora uma série de partidas aos sábados: Fluminense (fora), São Paulo (Baixada) e Palmeiras (fora).
Contra o tricolor carioca, por ironia do destino, deve estrear o atacante Guerrón. O mesmo que, jogando pela LDU, calou o Maracanã e tirou do Flu o título da Libertadores.
Troféu
ZIQUITA
Paulinho, Manél e Bruno Costa.
Troféu
TIÃO MACALÉ
Bruno Mineiro fez um golaço, mas infelizmente não valeu. Teve outras chances claras, mas foi "pé murcho". Atacante não pode titubear!

Parada dura


Momento raro: Atlético vence o Goiás no Serra Dourada, em 2007 - e olhem
que o Paulo Baier estava do lado de lá. Que seja assim novamente!
Hoje a peleja é contra o Goiás, no Serra Dourada. Passada a ressaca pela ótima apresentação diante do Santos, fica a pulga atrás da orelha para saber como o time vai se portar fora de casa.
Parada duríssima. Basta ver as estatísticas: somos fregueses do esmeraldino jogando em seus domínios: são 8 derrotas, 5 empates e apenas 2 vitórias do Rubro-Negro. Uma em 1998 e outra somente nove anos depois, em 2007 - naquela partida onde Willian e Netinho marcaram dois golaços. Sem falar que, este ano, só tomamos bucha fora de casa.
Do lado de lá, há que se tomar cuidado com o Rafael Moura. O He-Man certamente quer mostrar serviço contra o clube que o afastou do time por ser "paneleiro".
Do lado de cá, o grande trunfo é Paulo Baier, que é ídolo no Goiás e conhece como poucos os atalhos do campo do Serra Dourada.
É difícil, meu amigos. Mas tomara que o CAP traga uma vitória do Centro-Oeste.
O retrospecto de Atlético x Goiás em Goiânia:
1973 - Goiás 1 x 0 Atlético
1977 - Goiás 1 x 1 Atlético
1984 - Goiás 0 x 0 Atlético
1986 - Goiás 0 x 0 Atlético
1991 - Goiás 1 x 0 Atlético
1996 - Goiás 3 x 1 Atlético
1998 - Goiás 2 x 3 Atlético
2002 - Goiás 0 x 0 Atlético
2003 - Goiás 4 x 1 Atlético
2004 - Goiás 2 x 0 Atlético
2005 - Goiás 4 x 2 Atlético
2006 - Goiás 2 x 2 Atlético
2007 - Goiás 2 x 3 Atlético
2008 - Goiás 4 x 0 Atlético
2009 - Goiás 3 x 0 Atlético

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A dança do João, o Negão

Tá desfeito o mistério sobre a curiosa e esquisita comemoração dos jogadores após o gol de Bruno Mineiro, contra o Santos (foto acima). Foi uma repetição do gesto executado durante a palestra motivacional de antes da partida, proferida por João Carlos de Oliveira. Também conhecido como João do Pulo. Ou João, o Negão. "Independente do público eu peço que eles levantem e balancem as mãos. É cômico ver um monte de homens barbados levantando as mãos e balançando", disse o palestrante à Gazeta do Povo. A palestra foi bastante elogiada após o jogo pelo técnico Paulo César Carpegiani e pelo diretor de Futebol Valmor Zimmermann. Pela comemoração, a boleirada também curtiu. Afinal, como disse o próprio João, o Negão, "o Atlético voltou a sorrir".
Leia mais na Gazeta do Povo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ele merece

O Atlético lançou nesta quarta-feira o Projeto Sicupira e o Bicicletário Barcimio Sicupira Júnior. Homenagem singela ao craque da camisa 8, mas muito válida e bacana. Primeiro, porque estimulará o uso da bicicleta pelos atleticanos e possibilitará a divulgação do Programa Ciclovida por alunos bolsistas da UFPR durante as partidas. Depois, porque é excelente poder ir à Baixada de bike e ter onde estacioná-la sem problemas. E, por fim, e mais importante, é porque o maior artilheiro da história do CAP merece ter seu nome vinculado ao Furacão.
Há quem diga que Sicupa merece mais. Concordo. Mas com certeza esta é a primeira de outras homenagens que ainda virão pela frente.
E, sendo na Baixada, é garantido que o local será bem preservado e a homenagem duradoura.
Ao contrário daquela feita pela Federação Paranaense de Futebol, que colocou o nome do artilheiro numa calçada da fama junto ao Pinheirão, e que tal com o estádio hoje está totalmente abandonada e malcuidada.
As pegadas do Sicupa na "Calçada da Fama" da FPF: abandono e descaso.

Cuidado ao encarar um Furacão

Peça de marketing do Santos que foi ao ar antes da partida de ontem:

O Blog da Baixada adverte: nunca vá com tudo pra cima do Furacão. Quem acha que é fácil pode acabar se dando mal.

Furacão relâmpago

Bruno Mineiro desencantou e marcou o segundo gol do CAP.
Em dois ataques fulminantes, aos 2 minutos do primeiro tempo e no primeiro minuto do segundo tempo, o Furacão matou o Santos.
Não que tenham sido jogadas isoladas; ou que a vitória veio por sorte.
O Atlético foi soberano contra o bajulado time dos "meninos" e a partida só não terminou com um placar mais elástico por detalhes.
O tão criticado Carpa acertou a mão, e jogadores tão questionados quanto idem.
Bruno Costa fez certamete sua melhor partida com a camisa do CAP. Com um defensor que sai tão bem rumo ao ataque, não só pelo gol marcado mas pela insistente aparição surpresa em meio à zaga rival, fazendo assistências incríveis, aí sim dá gosto de jogar com três zagueiros.
O cabeça de área Vitor, que havia deixado má impressão na derrota para o Cruzeiro, foi um monstro. O vigor físico do volante impressiona. Tanto que amigos de arquibancada comentavam: "O Atlético deve ter comprado uma daquelas bombas compressoras pela internet, a Enlarge your Alan Bahia, e saiu esse cara aí!".
Na ligação, maestro é sempre maestro. E Paulo Baier comandou novamente o time. Cadenciou o jogo. Proporcionou chances de gol. Perdeu algumas outra chances claras. Mas estava sempre presente. Deu passe de letra, colocou os atacantes na cara da meta. Craque é craque e não se fala mais nisso.
E Alex, meus amigos. Alex Mineiro. Aquele mesmo, de 2001. Ídolo eterno. Ele ainda joga muito, podem crer. Marcou a saída de bola do adversário incessantemente, batalhou, procurou o gol. E a bela bola que meteu na trave não foi por acaso: sua hora ainda está por chegar. Seus gols virão na hora certa.
A vitória tira o Atlético da Zona de rebaixamento e dá um alento à torcida. Que agora espera uma reação consolidada com uma vitória fora de casa.
Que assim seja!

Troféu
ZIQUITA
Bruno Costa, Vitor "Enlarge Your Bahia" e Paulo Baier.

Troféu
TIÃO MACALÉ
Hoje é dicícil escolher. Bruno Mineiro, não tivesse marcado o seu, concorreria. Mas vai mesmo para o lateral-esquerdo Paulinho. Embora não tenha feito uma partida de todo ruim.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Um só atacante contra o Peixe

Da Furacao.com:
O técnico Paulo César Carpegiani deve escalar o Atlético no esquema 3-6-1 para encarar o Santos na noite desta quarta-feira, na Arena da Baixada, pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro.

No treinamento de terça, Carpegiani utilizou o zagueiro Alex Fraga e o volante Olberdan entre os titulares. Porém, eles ainda não foram liberados pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e, portanto, não podem atuar diante do Peixe.

Com isso, o Rubro-Negro deve ter duas alterações em relação ao time que perdeu por 3 a 1 para o Vasco no último sábado. O zagueiro Bruno Costa substitui o suspenso Eli Sabiá e o volante Deivid entra no lugar do Chico, que também foi expulso contra os cariocas.

Dessa forma, o provável Furacão para encarar o Santos na noite desta quarta-feira tem, no esquema 3-6-1: Neto; Leandro, Rhodolfo e Bruno Costa; Wagner Diniz, Deivid, Fransérgio, Paulo Baier, Branquinho e Paulinho; Bruno Mineiro.

Os outros jogadores relacionados e à disposição do treinador atleticano são o goleiro João Carlos, o zagueiro Pablo Ricardo, o lateral-esquerda Héracles, o volante Vitor, os meias Mithyuê e Netinho e os atacantes Alex Mineiro e Thiago Santos. Desses, um não ficará no banco de reservas.

O jogo entre Furacão e Peixe está marcado para 21h50 na Arena da Baixada. A partida, com arbitragem do gaúcho Leonardo Gaciba da Silva, tem transmissão da Band (exceto Rio de Janeiro) e do Premiere FC.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Para melhorar a estatística e sair do sufoco

Dizem que a fria estatística, por si só, não representa exatamente o que é o futebol. Pode ser. Mas explica muita coisa.
No último post, falei sobre a incapacidade de o Atlético vencer fora de casa.
Mas o jogo desta quarta é na Baixada.
Vamos aos números.
Voltemos a 2001. Das 16 partidas na Arena (na época não havia returno, era apenas uma partida contra cada equipe além do mata-mata final), foram 12 vitórias e 3 empates. Apenas uma derrota. O retrospecto fora de casa também foi bom naquele ano, mas sem dúvida foi o efeito Caldeirão que fez a diferença para o título ficar em nossas mãos.
E em 2004, então? Agora sim, já na era dos pontos corridos. Foram 23 partidas em casa. Nada menos do que 16 vitórias, cinco empates e somente duas derrotas, ainda no início da competição. Resultado excelente. Embora tenha ficado o dissabor de apenas empatarmos com os coxas e os parasitas - pontinhos que fizeram falta lá no final.
De lá para cá, o saldo não tem sido tão positivo, mas ainda assim é o fator Baixada que tem nos salvo do rebaixamento iminente.
Em 2005, 21 jogos em casa e 13 vitórias; em 2006, 19 jogos e 9 vitórias; em 2007, 19 jogos e 10 vitórias. Em 2008, mesmo com a frequente, bizonha e infelizmente já costumeira troca de treinadores no meio da competição (Ney Franco, Roberto Fernandes, Tico Santos, Mário Sérgio e Geninho comandaram o time durante o Brasileiro), foram 19 jogos e 10 vitórias na Arena. E, ano passado, voltamos a registrar 9 vitórias, como em 2006.
Neste Brasileirão, o CAP disputou 4 partidas na Baixada; venceu duas, empatou uma e perdeu outra. Exatamente na média dos anos anteriores.
Mas, também como nos anos anteriores, o ridículo desempenho como visitante nos empurra para a maldita zona do rebaixamento.
Daí a extrema necessidade de vitória contra o Santos.
Uma vitória que, além de melhorar a estatística dentro do Caldeirão, dependendo dos outros resultados pode nos tirar desta maldita zona.
Pelo menos até o próximo jogo fora...
A luta contra a ZR:

13º São Paulo 11
14º Goiás 11
15º Botafogo 10
16º Atlético-MG 9
17º Grêmio 9
18º Vasco 9
19º Atlético 7
20º Atlético-GO
4

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um convidado bem trapalhão

Peter Sellers bem que poderia ser o treinador do CAP nos jogos como visitante.
Esses cinco meses sem vitórias fora de casa não chegam a surpreender.
Nesta década, em pelo menos duas temporadas o jejum foi ainda maior.
Em 2003 o Atlético ficou sem ganhar fora de casa por pouco mais de sete meses: de 15 de fevereiro a 16 de agosto.
Em 2008, o jejum chegou a seis meses: de 11 de maio a 9 de novembro. Neste ano, aliás, o CAP conseguiu a proeza de vencer apenas duas das dezenove partidas longe da Baixada no Brasileirão. Não é à toa que conseguiu se safar do rebaixamento apenas na última rodada.
Em 2007, foram apenas três vitórias como visitante no Brasileiro. Em 2009, foram quatro.
Este ano, só pra lembrar, o Rubro-Negro já jogou cinco vezes na casa do adversário. Perdeu todas.
Tá na hora de mudar isso.

domingo, 18 de julho de 2010

Malditas arbitragens

Por Mauro Cezar Pereira, em seu blog na ESPN:
Vasco 3 x 1 Atlético Paranaense teve de tudo. Sim, de tudo de ruim que podemos ver numa arbitagem. Pênalti à brasileira com o garoto Jonathan mostrando, aos 19 anos, o que se aprende nas divisões de base hoje em dia. Os meninos se especializam em cavar faltinhas na área, a cair à toa na esperança de que a incompetência do apito os beneficie. E deu certo.

Sim, deu certo para Jonathan graças ao senhor Nielson Nogueira Dias, árbitro de Pernambuco que conseguiu enxergar uma penalidade máxima de Eli Sabiá no jovem vascaíno. E ainda puniu o atleticano com o cartão amarelo. Duplo absurdo e o segundo gol do time carioca, com colaboração do apito incapaz. O que essas pessoas fizeram no último mês, viram jogos de bocha?

Mais adiante, Chico, de carrinho, limpo (foto), levou a melhor no duelo com Rafael Carioca. Nogueira Dias foi capaz de ver uma falta e ainda mostrou o cartão vermelho ao jogador do Atlético. Depois viria a expulsão de Eli Sabiá, cujo primeiro amarelo havia sido absurdo. Assim, com 35 minutos de partida, o time paranaense perdia por 2 a 0 e tinha somente nove homens. O jogo estava resolvido.

Antes que vascaínos se irritem e achem que este post tem o propósito de afirmar que o time de São Januário não venceria sem tantos erros a seu favor, que fique claro: a equipe atleticana é fraca e no confronto entre dois dos times mais mal colocados na tabela, evidentemente o triunfo do Vasco, em seus domínios, era mais do que normal. Mas não podemos fechar os olhos diante de tantos erros.

Anormal foi a forma como ele se configurou. Ou seria normal em se tratando do futebol brasileiro e suas arbitragens tão características, tão ruins? É, amigo, a Liga Anti-Penaltys à Brasileira está de volta. E não basta. Os apitadores brazucas erram muito além das penalidades máximas. Até quando?

sábado, 17 de julho de 2010

Íbis itinerante

Não assisti ao jogo contra o Vasco, então não posso comentar sobre detalhes. Vi apenas alguns lances disponíveis no Globoesporte.com e só posso tirar algumas conclusões.
A primeira delas é que o Atlético, como visitante, se tornou um Íbis itinerante. Cinco meses sem vencer longe de seu estádio. Há atualmente no mundo algum time com desempenho tão medíocre fora de casa? Sei não, talvez possamos entrar pro livro dos recordes. O pior é que, mesmo antes dessa última vitória como forasteiro, em fevereiro, já houve um longo período de escassez. Ano passado, conseguimos apenas uma ou outra vitória fora de casa. Em 2008, idem. Esse retrospecto medonho já encheu o saco do povo. Jogar em casa alheia é sinônimo de tortura para o torcedor. É preciso ter atitude. Não dá pra admitir um time cagão.
A segunda é que o senhor Nielson Nogueira Dias, o juiz pernambucano que apitou o jogo, é um salafrário. A expulsão do Chico foi absolutamente bizarra. O pênalti não existiu. Não há erro de arbitragem que sirva como desculpa para mais uma derrota, mas que o safado meteu a mão, isso ninguém há de negar. E já não foi a primeira vez. Mas vai ficar tudo por isso mesmo, e quando tiver algum outro time precisando de uma mãozinha contra o CAP, vão escalá-lo novamente.
Por último, fica o gosto amargo de, além de ter de engolir uma derrota e um ser garfado por um juiz ladrão, ser obrigado a ver o Vasco jogar feliz da vida com o patrocínio da Eletrobras estampado na camisa e o cofre cheio, enquanto aqui os políticos e o governo ficam cheios de punhetagem pra conseguir um apoio da Copel e ajudar a trazer a Copa pra Baixada.
* PS: como não assisti o jogo, escolham aí o Ziquita e o Macalé deste sábado.

Em busca da 1ª vitória em São Janu

Da Furacao.com:
O Atlético tenta neste sábado, a partir de 18h30, quebrar um tabu: o de nunca ter vencido o Vasco em São Januário. Desde 1977, foram 14 partidas entre as equipes no estádio: 11 vitórias vascaínas e 3 empates; o Furacão marcou 14 e sofreu 29 gols.

Até mesmo os times de 2001, campeão brasileiro, e o de 2004, vice-campeão, perderam em São Januário: por 4 a 0 e 1 a 0, respectivamente. No último jogo entre os times no local, empate por 2 a 2, pelo Campeonato Brasileiro de 2008.

Além de quebrar esse tabu, uma vitória neste sábado pode tirar o Atlético da zona de rebaixamento. Com os 3 pontos, o Furacão passa Grêmio Prudente ou Grêmio, que se enfrentam no domingo. Bastaria que Vitória, Botafogo ou Atlético-MG perdessem para que o Rubro-Negro deixasse a ZR.

Confira os jogos entre Furacão e Vasco em São Januário:

1977 - Vasco 0 x 0 Atlético
1991 - Vasco 3 x 2 Atlético
1997 - Vasco 4 x 3 Atlético (Copa do Brasil)
1997 - Vasco 2 x 1 Atlético
1999 - Vasco 2 x 1 Atlético
2000 - Vasco 2 x 2 Atlético
2001 - Vasco 4 x 0 Atlético
2003 - Vasco 2 x 1 Atlético
2004 - Vasco 1 x 0 Atlético
2005 - Vasco 2 x 1 Atlético
2006 - Vasco 2 x 1 Atlético
2007 - Vasco 1 x 0 Atlético
2007 - Vasco 2 x 0 Atlético (Copa Sul-Americana)
2008 - Vasco 2 x 2 Atlético

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dramas da Copa

Por Carneiro Neto, na Gazeta do Povo:


Desde que a Fifa escolheu o Brasil como sede da Copa do Mundo sabia-se que três das mais importantes capitais do país não possuíam estádios públicos: São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Como seria impensável fazer a Copa sem o populoso e rico “sul ma­­ravilha”, os organizadores procuraram São Paulo, Atlético e Inter, os quais colocaram Mo­­rum­bi, Arena e Beira-Rio à disposição.

Como o dinheiro jorrará fácil dos cofres públicos para os estádios municipais e estaduais – Mi­­neirão, Maracanã, Fonte Nova, etc. –, esperando-se apenas que não se repita o superfaturamento do Pan-Americano, no Rio de Janeiro, os holofotes da mídia dirigiram-se para os estádios particulares.

E, como se São Paulo, Atlético e Internacional tivessem culpa de terem sido competentes na construção dos seus patrimônios, passaram a ser pressionados pela Fifa, pela CBF e autoridades.

Os clubes foram encostados na parede, exigindo-se que contraíssem enormes dívidas junto ao BNDES, mantendo os seus recantos fechados durante dois anos para as obras previstas no exagerado caderno de encargos da Fifa.

Quem pagará a conta de tantos prejuízos nos dois anos de perda de renda em jogos, em publicidade e no esvaziamento dos quadros sociais? Sem esquecer de que os empréstimos milionários junto ao banco de fomento oficial terão de ser honrados pelas associações.

No meio do caminho, com pitadas de vingança política, o Morumbi foi excluído pela Fifa, anunciando-se que a prefeitura de São Paulo construiria nova praça em Pirituba. Pois não há de ver que o terreno escolhido esta contaminado por metais pesados e passa por processo de recuperação ambiental que levará mais três anos para ser concluído.

Voltaram-se os holofotes para o Morumbi, agora com apoio do presidente Lula, que apontou o jogo político da CBF como principal responsável pelos atrasos no cronograma de obras.

O Internacional encontrou mecanismos internos para alavancar recursos suficientes para mo­­dernizar o Beira-Rio, porém o Atlé­­tico – que apenas colocou a sua Arena à disposição da Fifa – es­­tá no meio de intenso debate político que culminou com audiência pú­­blica na Assembleia.

Tudo muito aborrecido, diante do assustador baixo nível intelectual, cultural e político de alguns deputados que debateram os caminhos indicados pelo governo estadual e pela prefeitura municipal para tentar salvar a Copa em nossa capital.

Revanchismo e desinteresse pela confirmação do evento em Curitiba assinalaram algumas manifestações. É importante recordar que o Atlético decidiu concluir o estádio com recursos próprios, porém sem os requintes sugeridos pelo caderno da Fifa.

O Atlético não necessita da Copa para ter a Arena concluída. Quem corre o risco de perder investimentos federais é o estado do Paraná e, sobretudo, Curitiba.

Solução para a Arena pode sair hoje

Da Gazeta do Povo:

O estado e a prefeitura esperam fe­­char hoje o pacote de garantias para que Curitiba seja subsede da Copa de 2014. Uma reunião, que começou na noite de ontem e terá sequência nesta manhã, entre o governador Orlando Pessuti, o prefeito Luciano Ducci, o Atlético e demais membros do comitê paranaense para o Mundial, busca soluções de viabilidade para a conclusão da Arena.

Elas devem ser apresentadas na segunda-feira, em Brasília, em um encontro com o presidente da CBF e do COL (Comitê Or­­ganizador Local), Ricardo Teixeira.

É o prazo final.

Na pauta da reunião (que acontece a portas fechadas), estão a possibilidade de a Copel patrocinar a obra, com a aquisição do na­­ming rights do estádio, e também soluções para que o BNDES financie o restante dos R$ 135 milhões necessários – o Atlético diz ter 1/3 disso.

Pessuti pode se antecipar à decisão dos deputados, prevista para o próximo dia 3 de agosto, e decidir que a companhia estatal faça o contrato de patrocínio com o clube. Nos corredores do Palácio das Araucárias, ele teria dito que não gostou das declarações do presidente da Copel, Ronald Ravedutti, à Gazeta do Povo, de que a companhia não deveria investir em marketing nesse segmento.

Paralelo a isso, o comitê busca uma solução conjunta com o Atlé­­tico para a questão do potencial construtivo – permuta na qual se recebe aval para construir acima dos padrões urbanos estabelecidos em uma determinada área da cidade. O BNDES não pode conversar diretamente com o clube. É necessário que um parceiro – no caso, uma construtora – faça o fi­­nan­­ciamento, respaldada pelos papéis.

O clube já teria o nome do parceiro, que não foi revelado. Essa empresa construiria o restante do estádio. Atualmente, a construtora Arce é quem conduz as obras. Os valores a serem repassados via potencial construtivo também estão em estudo. Estima-se algo em torno de R$ 80 milhões. Outro problema a ser resolvido é que a prefeitura não pode emitir tal volume de uma só vez, sob pena de banalizar o papel.

Com a urgência, estima-se que no começo da tarde um pronunciamento oficial conjunto entre o governador e o prefeito defina de vez a questão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Bons tempos

Em frente à Baixada, numa tarde qualquer no final dos 70. Ou início dos 80, quem sabe. Um tempo em que as praças não precisavam destas malditas grades. Foto clássica da garotada da época: agachados como jogadores de futebol, segurando a bola de capotão kichute número 5.
Tempo bom, que não volta nunca mais.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amargo regresso

Meus amigos, nada me faz perder o horário mais do que sentar com os camaradas numa mesa de boteco para falar do Atlético. De Manguinha, Gilmar, Gabiru, de Flávio, de Lino, Bira Lopes, Fião, da Jabiraca, do boi no rolete debaixo da arquibancada do Pinheirão e de tantas outras histórias.
Como aconteceu hoje, após mais um fiasco em plena Baixada. Um amargo regresso na volta do recesso da Copa.
Nesta roda de amigos, pouco se falou sobre a partida desta noite. Há mesmo pouco para falar: limito-me a questionar se algum time no mundo entraria em campo com dois laterais-esquerdos dentre os titulares. E se algum técnico no mundo coloca em campo um time que, em 40 dias de treinos, nunca havia jogado junto.
O Atlético está redundante. E em 2010 parece que vai repetir a sina dos últimos anos, e se limitar a fugir dos últimos lugares.
Sim, reforços ainda farão suas estreias.
Mas apenas a tempo de salvar a temporada de uma tragédia.
De novo.

Troféu
ZIQUITA
Manoel, sempre ele; Branquinho e Alex Mineiro, apesar das críticas da torcida.
Troféu
TIÃO MACALÉ
Pro técnico Paulo César Carpeggiani, que além de botar em campo um time que não havia treinado ainda escalou dois laterais esquerdos dentre os titulares - Jean e Paulinho -, em detrimento do bom meia Branquinho.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ao Alan, toda sorte no Oriente


O último grande ato de Alan Bahia na Baixada em 2010.
Alan se foi novamente. Na quinta-feira passada o Atlético informou que o bravo volante viajaria ao Qatar para fazer exames médicos no Al Khor - time para o qual o CAP também já mandou o Fabrício certa vez. Segundo o Globoesporte.com, a transação foi concretizada e o empréstimo do jogador vai até maio de 2011.
Vice-artilheiro do Furacão na temporada, com dez gols (três a menos que Bruno Mineiro), o Negrinho do Pastoreio da Baixada é o atleta com mais jogos pelo time em toda a história. São 343 jogos e 51 gols marcados como profissional. Nada mal para um volante - a despeito de tanta pegação no pé por parte de parte da torcida.
Em entrevista ao portal, o volante diz que sentirá saudades da torcida na Baixada. "Eu cresci no Atlético e serei sempre atleticano. Agradeço por tudo que o clube tem feito por mim".
Grande Alan.
Boa sorte no Oriente. E se cruzar com o Al Kamali por aquelas bandas, mande aquele abraço!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

20 anos sem João

João Saldanha, o grande, morreu num 12 de julho, em 1990. Morreu fazendo o que gostava: estava cobrindo a Copa do Mundo da Itália para a rede Manchete. Em sua homenagem, reprisamos post publicado em fevereiro de 2008:
O Atlético ensinou João a gostar de futebol

Meus amigos*, estou lendo o ótimo livro João Saldanha – Uma Vida em Jogo, do jornalista André Iki Siqueira, que conta a história de um dos mais brilhantes jornalistas esportivos do país, cronista e comentarista, além de técnico em algumas poucas ocasiões – não um técnico qualquer, mas o que montou a base da seleção de 1970. Creio que sejam desnecessárias maiores apresentações sobre o mestre.
Pois vejam só, justamente na página 49 o livro conta a passagem de João, o “João sem Medo”, por Curitiba, ainda criança. E conta como, graças ao Atlético, Saldanha tornou-se um fã do futebol:
Morar em Curitiba afastou o menino de uma de suas fascinações: os cavalos. Mas o aproximou de um objeto que ele jamais esqueceria e ao qual estaria ligado até o final da vida: a bola. De cara, uma atração irresistível.

- Tinha a rua Iguaçu, que vai lá pelos lados de Água Negra. Eu morava em cima; a casa está lá até hoje, pertence à família Rocha Dutra. É uma casa grande, bonita. Os fundos dessa casa já davam para o território do Atlético, que estava começando nessa época. E era pelada – o dia inteiro era racha, o tempo todo. No campo tinha um brejozinho, e um pedacinho de um campo, uns 30 ou 40 metros. Os moleques da rua jogavam ali, e eu ficava lá, lógico.

Um dia, João resolveu conhecer o campo do Atlético. Passou a ir lá todos os dias.

- Fui lá ver como era e acabei escalado no Filhotes do Atlético. Dois caras tomavam conta: um da família Urtigas, tradicional, e outro de nome Nicanor. Engraçada a mentalidade perfeita deles: fora o goleiro, ninguém tinha posição. Só vi isso em 1969, na Alemanha. Se aos dezoito, dezenove anos a gente não sabe o que vai ser da vida, imagina se guri sabe a posição em que vai jogar?

Após ter vestido a camisa e defendido o clube paranaense, João adotou o esporte.

- Passei a torcer pelo Atlético e a gostar de futebol.

* * *

(*)
"Meus amigos..." Era assim que João Saldanha começava suas crônicas esportivas na Rádio Globo e seus artigos publicados em jornais de todo o país.
PS:
João Saldanha foi líder estudantil e membro do Partido Comunista Brasileiro. Quanta diferença para os comunistas de hoje em dia.

Audiência sobre Copel Arena será nesta quarta

Post com a data corrigida:
A Assembleia Legislativa realiza audiência pública nesta quarta-feira, às 10 horas, para discutir a proposta que autoriza a Copel a investir R$ 40 milhões na conclusão da Arena da Baixada para adequar o estádio aos padrões da fifa, com vistas à Copa de 2014. O projeto que prevê o patrocínio da Copel para o Atlético é do deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB). O texto prevê a compra, pela estatal, do direito de uso do nome, a exemplo do contrato do Atlético com a Kyocera. Com o patrocínio o Clube se comprometeria a mudar o nome do estádio para "Arena Copel".
A participação da torcida atleticana na sessão é bastante importante.
Além disso, importante também é assinar o abaixo-assinado continua percorrendo a cidade. Há uma barraquinha na Boca Maldita.
Podemos enviar e-mail também a todos os deputados estaduais: http://www.alep.pr.gov.br/deputados.

domingo, 11 de julho de 2010

Vem aí mais uma lei idiota

Ilustração do livro Dez atleticanas e uma fanática
Estava me esquecendo de comentar sobre a aprovação pelo Senado, na quarta-feira passada, do Projeto de Lei que acrescenta vários artigos ao atual Estatuto do Torcedor e torna mais rígidas as punições contra quem que praticar ou incentivar violência dentro dos estádios.
Bem, coibir a violência sempre é uma boa.
Só que, pra variar, a lei aumenta as punições para os torcedores desajustados mas pouco fala de fiscalização e do cumprimento efetivo destas penas. Por exemplo: quem for detido por violência ligada a jogos de futebol poderá ser preso por até três anos. A invasão do campo será igualmente punida com prisão e proibição de comparecer a jogos por até três anos. Hoje, o Estatuto do Torcedor prevê afastamento dos estádios por, no máximo, um ano. Aí é que tá: você conhece um só vândalo que tenha sido proibido de frequentar os estádios por um ano inteiro? Eu não sei da existência de um só caso sequer. O coxa Porks, por exemplo, um dos pivôs do pancadão do Couto, em dezembro, já foi visto nos jogos dos coxas várias vezes após o ocorrido. Ou seja: a lei não precisava ser endurecida, mas apenas cumprida.
Além disso, os excelentíssimos e doutos parlamentares mantiveram no texto do PL a previsão de punição para quem ousar proferir xingamentos a jogadores e juízes ou cânticos ofensivos (o que é exatamente um cântico "ofensivo"? Quem vai julgar o grau de ofensividade da música?). A pena para este "delito" também prevê detenção e proibição de assistir jogos por até três anos.
Ou seja, cuidado ao reclamar de um pênalti não marcado ou de um gol indevidamente anulado pela arbitragem. Se soltar um "feladaputa" é capaz de te tirarem do campo algemado. E o "Atirei o pau nos coxas" cantado nos atletibas a plenos pulmões pode resultar em lotação total nos DPs de plantão.
Aliás, se há um lugar no mundo feito pra soltar o verbo, esse lugar é o estádio de futebol. Como bem lembrou Antônia Schwinden em seu excelente Dez atleticanas e uma fanática, num capítulo dedicado justamente a este tema:
Anda com fé eu vou/ Que a fé não costuma faiá..., canta Gilberto Gil. Mas se falhar, no futebol, serve a porrada verbal. Porque há momentos e lugares em que só o palavrão resolve. Aliás, um certo narrador vem fazendo uma campanha dioscreta contra o palavrão nos estádios, com o argumento de que isso enfeia a festa "das famílias, mulheres e crianças". Apenas uma artimanha para formatar ainda mais o futebol aos padrões da televisão. E de quebra dar uma forcinha à máscara do "politicamente correto" que a tudo encobre... Vou apelar aqui a um estudioso da sociolingüística e suas explicações sobre essa forma de expressão popular para defender a hora e o lugar do palavrão. Lá nos idos dos anos oitenta, Dino Preti escreveu que a linguagem obscena em determinadas situações perde sua conotação injuriosa e, com isso, o vocabulário obsceno cresce e o chamado "palavrão" se desmistifica, contribuindo para a "rápida superação dos tabus morais que ele representa". (...) Um pouquinho mais do estudo de Preti: "Virou moda em certos ambientes em que nunca fora admitido antes, graça na boca dos jovens, hábito coletivo nos campos de esporte, onde mais livremente explodem as emoções populares". "Hábito coletivo", pois é. No jogo contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (31/10/07), um de seus jogadores ouviu dos mais de 20 mil torcedores atleticanos - incluindo "famílias, mulheres e crianças" - durante aproximadamente cinco minutos um coro ritmado e uníssono de "vá-toma-no-cu" - que o Dicionário de Palavrão e Termos Afins, de Mário Souto Maior, traz assim grafado: "Vai-tomar-no-cu".
Tivesse ocorrido este episódio depois de tal lei, a PM iria precisar de um batalhão inteiro pra prender todo mundo que mandou o Tcheco tomar no cu naquela noite...
Antônia prossegue em sua narrativa:
Neste time de torcedoras, há controvérsias. Valéria é das que xingam: "Como é que você vai assistir a uma partida de futebol sem falar palavrão? Não tem como, você acaba xingando. Eu brinco que o jogo é também uma espécie de terapia. Tinha uma época que eu andava estressada, ia pro jogo e botava tudo pra fora, xingava, berrava... me fazia muito bem". Já Minhoca não entende como alguém consegue não falar palavrão em campo. "Até minha mãe, dona Joanita, chiquérrima, fala. Eu já ouvi minha mãe gritando: Chegou a hora, pega a bandeira enfia no cu e vai embora!". Quem leva criança geralmente faz como a Fabi: "A gente ensina a garotada a não falar palavrão, mas tem que fazer um acordo: dentro do estádio, pode. Só dentro do estádio, a garotada está liberada".
Se há algo que ofende a sociedade atualmente, não são os palavrões que ouvimos nos estádios desde sempre; mas sim as merdas feitas por nossos representantes nos poderes constituídos da República.
Isso sim, deveria ser banido e proibido por lei.

Pelos botecos... (II)

Ao lado da TV, o cartaz alusivo aos 80 anos do CAP.

Sobre a prateleira de bebidas, uma ilustração da Baixada feita por Tiago Recchia.
As fotos são da Mercearia Stella, também conhecido como Bar do Toninho, na rua Angelo Sampaio nº 1.776, em Curitiba. Local pequeno, acolhedor, onde você pode se servir escolhendo a cerveja diretamente no freezer, sem precisar esperar que um garçon ou o dono da bodega o atenda. Lanches são rápidos e baratos e, com sorte, você ainda pode chegar na hora que a turma da casa está preparando na cozinha ou na churrasqueira anexa um rango mais elaborado, que obviamente é oferecido a todos os clientes. Na TV sempre uma pelada e pelas paredes, é claro, fotos e mais fotos do Clube Atlético Paranaense. Sinta-se em casa.
  • As fotos da Merceraria Stella foram enviadas pelo Marins. O Blog da Baixada quer publicar lembranças, enfeites, pôsteres e quaisquer outras curiosidades referentes ao Atlético que estão espalhadas pelos botecos Brasil afora. Fotografe e mande pra gente!

sábado, 10 de julho de 2010

Atualizando o saldo da Copa

O Atlético devolveu o meia tartá ao Fluminenese. Também tinha me esquecido do Lisa, que foi emprestado ao ABC. Por outro lado, voltou ao clube o atacante Anderson Aquino. Atualizando as idas e vindas da janela da Copa, temos o seguinte quadro:
Já saíram

Valencia (volante)
Wallyson (atacante)
Pepe Toledo (atacante)
Patrick (atacante)
Tartá (meia)
Deve sair

Alan Bahia (volante)
Já chegaram

Eli Sabiá (zagueiro, Paulista de Jundiaí)
Paulinho (lateral-esquerdo, Novo Hamburgo-RS)
Éder (lateral-direito, Grêmio Prudente)
Vitor (volante, União Barbarense)
Olberdam (volante, Sporting Braga-Portugal)
Ivan Gonzalez (meia, Cerro Porteño-Paraguai)
Mithyuê (meia, Grêmio)
Guerrón (atacante, Cruzeiro)
Federico Nieto (atacante, Cólon-Argentina)
Thiago Santos (atacante, Marília)
Pode ficar

Gustavo Araújo (Vitória de Guimarães)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Copa na Baixada: CAP tem até o fim do mês para presentar garantias financeiras

Clube aguarda resposta do BNDES para saber se cotas de potencial
construtivo do município
podem ser oferecidas como aval ♦♦♦ Pessuti fala
em três caminhos possíveis, entre eles o patrocínio da Copel

Da Gazeta do Povo e Portal Terra, direto de Johannesburgo:

O impasse continua, mas já há data para terminar. A Arena da Baixada – e Curitiba – tem até o fim do mês para apresentar as garantias financeiras que viabilizam o término do estádio para a Copa no Brasil, em 2014. A documentação foi cobrada ontem pelo presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira.

“Estou aqui na África do Sul e ainda não vi se chegou o relatório de Curitiba. Quando voltar verei se está tudo ok”, disse ele.

O aval ainda não saiu da capital paranaense. Descuido que despertou a atenção de outras cidades, como Florianópolis e Goiânia. Hipótese, em princípio, descartada pela alta cúpula do COL.

Teixeira confia nos novos rumos que tomou a negociação. Por isso afrouxou os prazos, não sendo tão rigoroso quanto foi com o Morumbi, em São Paulo.

A matemática que convenceu o mais importante cartola do futebol brasileiro é complexa. Os R$ 100 milhões necessários para concluir o complexo esportivo, de acordo com todas as exigências do caderno de encargos da Fifa, seriam divididos em duas partes. Um terço, ou cerca de R$ 33 milhões, sairiam dos cofres do Atlético – o clube já teria o montante para investir. O restante, algo perto de R$ 66 milhões, viria de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), órgão vinculado ao governo federal.

O imbróglio do momento é que para liberar o dinheiro o banco exige garantias. O Conselho Deliberativo do Rubro-Negro proibiu que o próprio estádio e o CT do Caju sejam usados como “fiadores”. Na tentativa de viabilizar a negociação, a diretoria atleticana viajou na semana passada para Brasília (DF). Levou ao BNDES a proposta de dar o potencial construtivo oferecido pela prefeitura municipal para facilitar a liberação do dinheiro.

Segundo o projeto elaborado pelo Palácio 29 de Março, a Lei de Zoneamento de Curitiba seria alterada, fazendo com que o terreno da Arena passe a ser classificado como região de potencial construtivo máximo (categoria especial). Assim, o clube teria condições de negociar uma espécie de bônus construtivo – as construtoras pagariam ao Atlético, que colocaria o dinheiro na Baixada – em troca de poder erguer prédios mais altos do que seria permitido em outras regiões da cidade. Neste caso, o governo do estado, como contrapartida, repassaria à prefeitura R$ 80 milhões para ser aplicado nas desapropriações dos terrenos ao redor do estádio. O órgão ficou de estudar.

Contudo, no caso de o banco recusar o acordo, a Copel entraria como plano B. A estatal paranaense de energia bancaria os R$ 66 milhões recebendo em troca o direito de explorar a publicidade em torno do Furacão – naming rights da praça de esportes, estampar a logo na camisa do time... A proposta teria de ser aprovada na Assembleia Legislativa.

"Um dos caminhos é o BNDES e outro é um possível aporte da Copel. Ou apoio da Federação do Comércio e empresas privadas. Até o final do mês, essa garantia sairá. Não vejo como preocupante. Estamos fazendo a nossa parte", disse ao Portal Terra o governador Orlando Pessuti. "Vamos honrar o compromisso. O governo está fazendo sua responsabilidade, o Atlético se vê com certas dificuldades. Por isso estamos ajudando a encontrar caminhos e mecanismos. A nossa presença aqui (em Johannesburgo) é para ressaltar que vamos honrar o que assumimos", afirmou.

“Goiânia que tire o olho de cima de Curitiba. Iremos sediar a Copa sem dúvida nenhuma”, ressaltou o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci. “Vai dar tudo certo”.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os novos gringos

Guerrón no aeroporto, cercado de atleticanos...
(foto: Palhaço Mendigo)
... e em frente à Baixada, junto com Federico.
(foto: Mylla)
Texto enviado pelo Peçanha, que acompanhou a chegada dos novos reforços do Furacão na manhã de hoje:

"Muita massa a iniciativa do clube de fazer uma festa, juntar o nosso povo para comemorar a contratação do Dinamita. Parabéns ao Marketing e a galera que foi prestigiar no Aeroporto e na Baixada.
Na apresentação duas faixas davam um “bienvenido” aos novos reforços. A que tinha o nome do Guerrón era pelo menos duas vezes maior que a do Nieto. A proporção da diferença do salário dos dois deve ser ainda maior.
Guérron faz o tipo “boa praça”, já chegou tirando onda de tudo mundo. Tenta usar, dando risada, as expressões em português. O Nieto é mais quieto, com perdão da rima. Faz o estilão portenho sério, mas pelo sotaque não dá pra entender uma palavra do que ele fala. Pelo tipo físico, lembra o Palermo do Boca Juniors.
Já o Joffre é o irmão gêmeo do Manoel. Os dois têm a mesma altura, a mesma carcaça, a mesma pintura e funilaria. Ou seja, o equatoriano tem cara de jogador do Trétis. A galera para diferenciar no começo deve fazer assim: o com dois brincos é o Guerrón.
A maior contratação da história do CAP chegou na Baixada acompanhado de uma morena de “cerrar el conmercio” O craque apresentou a muchacha como “mi novia”. Ser patrão de mulher bonita sempre recomenda o caboclo.
Pelo jeitão, o presidente Malucelli perdeu espaço no Atlético. No maior investimento em chuteiras do time, ele nem deu as caras. Parece que a coisa tá assim: administrativo tá na mão do Geara, o futebol com o Valmor e o Bolicenho, a caneta com o Fornéia e o Ademir Adur."

terça-feira, 6 de julho de 2010

Idas e vindas: saldo positivo

Com a possível contratação do lateral-direito Éder, do Grêmio Prudente, o Atlético chega a dez reforços contratados durante a parada para a Copa do Mundo. Além destes, o zagueiro Gustavo Araújo está voltando de um empréstimo ao Vitória de Guimarães e também pode ficar. Com isso, o técnico Carpeggiani terá um time todo de novidades à disposição.
O reforço mais esperado será apresentado na manhã desta quarta, na Baixada: o atacante Guerrón, que terá direito a recepção de torcedores no aeroporto e demais solenidades de boas-vindas. Junto com ele, estará o argentino Federico Nieto.
Mas há também algumas baixas em relação ao time que jogou no primeiro semestre: os volantes Valencia e Alan Bahia e os atacantes Wallyson e Javier Toledo.
Mesmo assim, o saldo das idas e vindas do recesso é positivo. Apesar de o setor defensivo no meio-campo se tornar uma incógnita (Vitor ou Olberdam devem formar dupla com Chico), todos os setores parecem ter sido qualificados.
Principalmente no ataque, onde deixam o Furacão dois jogadores que jamais conseguiram se firmar para dar lugar a Guerrón e Thiago Santos, que se somarão a Alex e Bruno Mineiro, além de Marcelo e Federico.
Meus amigos, boto fé no Atlético do segundo semestre. Que tenhamos competência e sorte!
Já saíram

Valencia (volante)
Wallyson (atacante)
Pepe Toledo (atacante)
Devem sair

Alan Bahia (volante)
Patrick (atacante)
Já chegaram

Eli Sabiá (zagueiro, Paulista de Jundiaí)
Paulinho (lateral-esquerdo, Novo Hamburgo-RS)
Éder (lateral-direito, Grêmio Prudente)
Vitor (volante, União Barbarense)
Olberdam (volante, Sporting Braga-Portugal)
Ivan Gonzalez (meia, Cerro Porteño-Paraguai)
Mithyuê (meia, Grêmio)
Guerrón (atacante, Cruzeiro)
Federico Nieto (atacante, Cólon-Argentina)
Thiago Santos (atacante, Marília)
Pode ficar

Gustavo Araújo (zagueiro, Vitória de Guimarães)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Agora é oficial: Guerrón chega a Curitiba nesta quarta

Finalmente o site oficial do CAP confirmou a contratação do atacante colombiano Guerrón e a chegada dele a Curitiba nesta quarta-feira, com desembarque previsto para as 9h25 no Aeroporto Afonso Pena.
Principal contratação do Atlético para a fase pós-Copa do Campeonato Brasileiro, Guerrón foi destaque na campanha que levou a LDU de Quito ao título da Libertadores em 2008, que inclusive lhe rendeu o prêmio de melhor da competição, o jogador estava no Getafe, da Espanha. Segundo informações de bastidores, o jogador teria assinado com o Furacão por três anos.
O clube ainda não anunciou oficialmente, mas a Furacao.com informa que Federico Nieto, atacante que estava no Colón, da Argentina, e tem a carreira gerida pelo mesmo empresário de Guerrón também estaria desembarcando na cidade. Estima-se que o Atlético adquiriu 40% dos direitos econômicos do argentino.
Em comunidades do Orkut, vários torcedores já estão se mobilizando para recepcionar principalmente o equatoriano, que chega como a principal contratação do Atlético na temporada.
* Com informações do site oficial do CAP e da Furacao.com. Atualizado às 00h30 de terça-feira.

sábado, 3 de julho de 2010

Com ou sem chip?

Interessante a polêmica levantada pelo Blog do Santinha, após tantos erros de arbitragem nessa Copa do Mundo. Já é hora de usar a tecnologia para evitar falhas ou má-fé no futebol? Bolas com chip podem ser uma boa? Ou usar o replay da TV para conferir se houve impedimento? Em dois artigos, o ótimo site mostra duas visões bem antagônicas sobre o assunto. Confira:

O Futebol não merece chip
Por João Valadare
s

A bola da Inglaterra entrou meio metro. O juiz não deu. Deixou o placar lá na dele. Tevez, numa banheira de hotel cinco estrelas, cabeceou para a rede. Impedimento de livro, para ensinar nas escolas.

O bandeirinha correu para o meio e o juiz assinalou o gol. Gol impedido? Foi impedido sim. Mas, meu caro, o juiz apontou para o meio, puxou o pé do placar e mandou ele se mexer. Justo? Não. Mas o nome disso é futebol. Justiça é outra coisa. Bem diferente.

Desconfio de que Justiça e futebol nunca nem trocaram um aperto de mão. Desconfio não. Tenho certeza. Nunca nem sentaram no mesmo banco para um café inocente da tarde. Trocaram três palavras na fila do banco? Nunca. Não se conhecem mesmo. E o nome disso é futebol. Tremo de medo toda vez que há um erro de arbitragem. Não pelo erro. Tremo pelos pedidos racionais e profundamente éticos de sempre: chip na bola, auxílio de imagem eletrônica, telão em tudo quanto é canto, replay até o juiz se convencer de tudo o que realmente aconteceu.

A razão no futebol sempre me deixou bastante preocupado. Futebol não é justo, nunca foi e nunca vai ser. É o único esporte coletivo em que o time que joga pior, aquele nanico das brenhas de Vitória de Santo Antão, pode vencer o gigante que jogou mil vezes melhor. Quem sempre lembra desse princípio é meu amigo César Maia, um dos maiores do Norte Nordeste quando o assunto é bola na rede.

Mas voltando. Nós vamos acabar com uma das cenas mais lindas do futebol? O improvável. É isso que vocês querem? Depois de muitos gols perdidos, o zagueirão do time de usina, que já entrou em campo com meio time dentro da barra, espana uma bola e o atacante entra cara a cara com o goleirão. Aconchega levianamente, fecha o olho e mete bomba. Gol. Pronto. Juiz acaba o jogo. O Acadêmicos de São Bento do Una vence o São Paulo Futebol Clube. Um a zero e fim de papo. A semana no corte de cana está garantida. O bom dia ao patrão tem outro sabor durante um bom tempo. O nome disso é futebol. Não me venham falar de Justiça.

No basquete não tem essa. É um esporte justo. Jogou melhor? Vence a partida. O vôlei também veste toga. É a mesma coisa. E em todos os outros esportes que quem joga melhor sempre vence. Eu gosto mesmo é do chute fraquinho do anão. Aquele com força mínima apenas para derrubar o gigante. E se for com um soprinho do juiz não tem problema. Desde que não seja contra o meu time.

Portanto, senhora Tecnologia, deixe o esporte do povo em paz. Não entre nos campos de futebol. Não mate as discussões intermináveis. Não enterre a eterna dúvida. Não jogue água no argumento do perdedor, aquele mesmo que teve um gol legítimo anulado. Deixe sempre do lado de fora do bolso a pontinha de orgulho de quem perdeu no roubo. É melhor não se meter. Vá para as quadras de basquete, vôlei, tênis, para as pistas de atletismo. Vá zerar a dúvida do cavalo que chegou na frente, cabeça à cabeça com o concorrente. No futebol não. Deixe-nos na mão do olho capaz de errar.

Quando a bola ganhar chip, o impedimento não mais existir e os telões decidirem uma partida nasce outro esporte. Podem chamar de qualquer nome, menos de futebol. O juiz ladrão é um personagem secular, imortal. Já pensaram nos surrupiarem as expressões “ganharam no roubo”, “jogaram com 12”, “juiz filho da puta”? Vocês aceitam ficar sem isso?

E o bandeirinha? Tem gente que quer aposentá-lo de qualquer forma. Só pode ser maluco. Acabar com o que há de mais belo no futebol, a impossibilidade de seguir se já estiver à frente. Por muitas vezes pensei ser o bandeirinha a profissão mais importante do mundo. Pelo menos a mais importante dos instantes. Não tenho dúvida. Solene, levanta o instrumento de trabalho e faz milhares de pessoas engolirem o grito. E olhem que engolir grito de gol envelhece 10 anos. É pior do que muita coisa ruim.

O bandeira, sempre ele, é o nosso último reduto de que tudo é mentira. Nem que seja um milésimo de esperança, por um segundinho que seja, quando o chute adversário já nos estuprou. Olhamos, respiramos e imploramos para um dos gestos mais poderosos do mundo: a bandeira erguida. Se for gol do nosso time, que ele corra para o meio. Mesmo que o nosso camisa 9 esteja muito bem refestelado na banheira cinco estrelas.

Os bandeirinhas são sempre odiados e amados no mesmo lance. E vamos acabar com isso? Vamos instituir o replay para o juiz pensar, refletir, ligar para a mãe, falar com Arnaldo César Coelho, assobiar o hino da frança, comer uma torta de limão e apontar para o meio? Não. Não façam isso. Ele estava certo. “O videotape é burro.”

Já pensou, amigos, o que seria do futebol se tivéssemos esse maldito olho eletrônico? Perderíamos o passo para frente do genial lateral Nilton Santos no jogo contra a Espanha na Copa do Mundo de 1962. Ficamos livre da punição máxima. Essa cena simplesmente não existiria. O passo mais belo de todas as copas. Muito mais importante do que aquele passinho meia boca de Neil Armstrong. O futebol perderia a mão de Deus. Teríamos que amargar várias expulsões de Pelé. Não iríamos gritar o golaço de Luiz Fabiano.

E a eterna polêmica da final de 1966 entre Inglaterra e Alemanha? A bola que entrou ou não entrou. Ninguém mais falaria sobre isso. Não façam isso com o futebol. E nunca é demais lembrar: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.” Quem lembra é Nelson Rodrigues, o que melhor escreveu sobre a bola. Literatura e política eu não sei. O futebol não merece um monte de coisa. Muito menos um chip.


Tecnologia sim, ma non troppo
Por JulioVila Nova
Essa conversa de João Valadares sobre a tecnologia no é muito bonita e coisa e tal. Mas parece que a ideia serve apenas para reiterar uma posição da FIFA que já ultrapassou a linha do absurdo. Tudo bem, Nilton Santos, Nelson Rodrigues e outros craques dos gramados e das letras merecem nossos louvores, eternamente. Mas não dá para aceitar que, nesta questão, o futebol tenha parado em 1966. Parece meio lunático insistir nisso (mas concordo com Valadares sobre o passo genial de Nilton Santos… que Armstrong, que nada!).

Sim, a polêmica é boa parte do gás que mantém acesa a alma do futebol. Certíssimo! E ainda por cima, vende muito jornal, não é mesmo? Mas, só para não ir muito longe, nem precisar voltar demais no tempo, lembro que todos aqui respiraram aliviados quando viram na internet a foto do atacante Gaúcho, do Santa, sendo puxado pela camisa na pequena área, legitimando a marcação de um pênalti que barbies e cachorras de peruca já se arvoravam em contestar – e calando a boca delas. Bendita tecnologia digital dessa câmera ali, naquela hora!

A beleza do futebol está no imprevisível, na possibilidade do Vitória de Santo Antão Aguardante Atlético Clube bater algum adversário de mais reconhecida tradição? Isso mesmo! Mas isso pode muito bem acontecer dentro das regras do jogo – ou, pelo menos, sem que elas sejam avacalhadamente desrespeitadas na cara de todo mundo (e do mundo todo, como no caso recente entre Inglaterra e Alemanha, nesta Copa 2010).

O triunfo do futebol da usina pode muito bem resultar de tudo isso que eleva o nível da emoção no futebol – o lampejo de genialidade, a dedicação sobrehumana naquela partida decisiva, um lance de sorte – sem que precisemos nos contentar com os absurdos, aplaudindo de tabela a intransigência da FIFA e os seus interesses pouco cristãos. Além do mais, cá pra nós, não dá para acreditar que, por um desses equívocos da arbitragem, o Acadêmicos de S. Bento do Una um dia vença o São Paulo. Sei não. Há certas horas em que os equívocos vestem cores bem definidas, as mais convenientes, a depender das intenções e preferências ou – pior ainda – das encomendas. Infelizmente, não estamos mais para esse romantismo todo no futebol. Alguém aí lembra daquele jogo do Bahia, que foi até os cinquenta e tantos minutos para consagrar a sua ascensão? (Quem era mesmo o Acadêmicos de S. Bento da vez?)

Utilizar a tecnologia para dirimir dúvidas cruciais como esse lance da da Inglaterra contra a Alemanha (de tão escandaloso, não precisava mesmo de tecnologia nenhuma, bastava o mínimo de competência do bandeirinha, que ajudou a detonar a reputação de um árbitro até muito bom) não é matar a alma do futebol, como parece querer dizer Valadares. Além do mais, a tecnologia não precisa ser usada a todo momento, em qualquer situação. Assim, não perderemos nosso sagrado direito de esculhambar juízes e bandeirinhas na maioria dos lances de uma partida (faltas, impedimentos, escanteios etc.), lances que garantem a inevitável polêmica depois do apito final.

  • E você, o que acha? Palpite!