quarta-feira, 2 de junho de 2010

Desinteresse privado

Governos estaduais encontram dificuldades em achar investidores para parcerias público-privadas. Estudo mostra que 93,5% dos R$ 5,3 bilhões destinado a projetos de reformas e construções de estádios serão desembolsados pelos governos estaduais. É o que mostra reportagem do jornal Valor Econômico (via Furacao.com):
Estudo mostra que há desinteresse da iniciativa privada. Estádios podem virar "elefantes brancos"

Luciano Máximo, de São Paulo

A ausência da iniciativa privada na construção e reforma dos 12 estádios brasileiros que serão palco da Copa do Mundo de 2014 é uma evidência de que eles podem se tornar economicamente inviáveis depois do fim torneio, reforçando a velha desconfiança de que projetos esportivos ambiciosos não vingam no Brasil - acabam eternizados como elefantes brancos, principalmente onde o "negócio futebol" é menos desenvolvido.


O estudo inédito "Gestão do ativo estádio", elaborado pela consultoria internacional especializada em negócios esportivos Crowe Horwath RCS e cedido com exclusividade ao Valor, mostra que para a Copa da Alemanha, em 2006, 62% do € 1,5 bilhão destinado aos projetos das novas arenas veio de empresas de vários setores. No Brasil, dos R$ 5,3 bilhões previstos oficialmente, 93,5% serão desembolsados pelos governos estaduais, com possibilidade de financiamento federal de até R$ 400 milhões por unidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - dos 12 estádios alemães que foram palco da Copa, 9 eram privados; 9 dos 12 campos de futebol brasileiros são estatais. O banco de fomento informou que os governos do Ceará e da Bahia solicitaram crédito para financiar projetos no modelo parceria público-privada (PPP). Em Pernambuco, eventual participação da Odebrecht no proposta da nova arena está embargada.

Para o consultor da Crowe Horwath Amir Somoggi, a questão mais importante não é de onde vem o dinheiro, mas se o investidor, público ou privado, terá retorno dos recursos aplicados. Segundo ele, para garantir a cobertura do alto investimento é preciso plano de negócios bem definido para aumentar a receita dos estádios, com venda de ingressos e outras atividades, além de dobrar a presença de torcedores nos estádios brasileiros para que a operação das futuras modernas arenas multiuso seja rentável no pós-Copa.

Essa interpretação lança dúvida quanto à viabilidade de projetos de alguns estádios nas menores cidades-sede da Copa de 2014: Manaus, Cuiabá, Brasília, Recife, Natal, Fortaleza e Salvador, onde os clubes locais precisam se profissionalizar, e os campeonatos regionais, crescer muito para ganhar maior destaque no cenário nacional. "Até agora os investidores privados não entraram, porque não veem possibilidade de lucro. Se o investimento privado não for atraído, dificilmente os projetos dessas cidades terão retorno, não há demanda de futebol nesses lugares. Inclusive mercados desenvolvidos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba podem ter problemas", prevê Somoggi, um dos autores da pesquisa, que será divulgada às vésperas da abertura da Copa da África do Sul, na semana que vem.

A pesquisa da Crowe Horwath mostra que, depois do Mundial de 2006, as empresas que ficaram responsáveis pela operação dos estádios alemães conseguiram aumentar e diversificar as receitas das arenas, ou seja, a média de público nos jogos da Bundesliga aumentou e os torcedores passaram a gastar mais durante os jogos. Na temporada de 2003-2004, 87% do faturamento dos campos de futebol alemães veio das vendas de ingresso e 13% de outros serviços, como comercialização de produtos e aluguel para lojas e restaurantes, por exemplo. Essa composição, na temporada 2008-2009, ficou em 73%-27%.

O estudo revela ainda que, para dar lucro, um estádio no Brasil com cerca de 50 mil lugares e custo médio de construção de R$ 500 milhões (padrão Fifa) precisa gerar receitas líquidas anuais a partir de R$ 10 milhões - sendo ideal um valor entre R$ 18 milhões e R$ 25 milhões - por até 20 anos. "A taxa de ocupação dos estádios deve subir dos atuais 40% no Campeonato Brasileiro da Série A para 80%, 90%, realidade da Europa. Os preços dos ingressos também terão que subir e deve haver uma nova distribuição de entradas premiuns e camarotes", reforça Somoggi. Apesar de ter crescido 13% nos últimos cinco anos, a média de público do Brasileirão, de 17.807 pessoas em 2009, é bem inferior à dos principais torneios nacionais europeus, ficando abaixo, inclusive, da média de torcedores que acompanhou a Primeira División do campeonato argentino no ano passado, mais de 20,8 mil.

Em audiência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados na semana passada, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, afirmou que as cidades-sede da Copa terão que comprovar o retorno econômico das obras das arenas. "A não aprovação da viabilidade pode cancelar a aprovação do estádio para a Copa", declarou Teixeira. Também na semana passada, o governo federal aprovou pacote de isenções de impostos de cerca de R$ 900 milhões para ações relacionadas ao Mundial de 2014.

10 comentários:

Anônimo disse...

Com essa diretoria a arena sem terminar mesmo já ta virando um filhote de elefante branco abandonado. sem time pra que estadio. segundo pajé os socios estão caindo numa proporção gigante. malucelli e bolicenho vão acabar com o atletico.

ditado popular

ninguem cuida melhor de um bem do que o proprio "dono"

chamem o "dono"

Aparecido jose disse...

Talvez Atletico, São Paulo e Inter não precisam de estadio com essa dimensão exigida pela Fifa, mas dizer que poderá ser um elefante branco acho meio exagerado, são clubes grandes e que vão fazer essas praças esportivas obterem lucros. Agora porque a pesquisa só citou os estadios privados? Porque não falou dos outros. Tem muitos estadios que após a copa será sim elefante branco. Só um exemplo Cuiabá: Oque farão com o estadio apos a copa? Não tem futebol. Os clubes de Cuiabá mandam seus jogos no Dutrinha um estadio de 10.000 lugares, dificilmente mandam jogos no Verdão. Sei que a vinda da copa pra MT gera crescimento pra cidade, agora quanto a construção de um estadio dessa magnitude ai sim será um dos elefantes brancos.

Anônimo disse...

Pajé? Santa isenção Batman!!!
Valha me deus...
Enéas

Anônimo disse...

ESSE PAJÉ É UM JACÚ.

Julio disse...

Nossa. O anônimo, sempre eles, citou o tal Pajé, caramba, não imaginei que alguem lesse aquele imbecil. Bom, o cara é pago pelo tal "Dono" citado pelo cara, talvez esteja ai a ligação.

Anônimo disse...

A verdade é uma só: sem dinheiro público não haveria Copa no Brasil. A iniciativa privada gosta é de moleza: vão esperar que todos os estádios sejam construídos com dinheiro público pra virem com a conversinha mole de concessão. Assim até eu!
E o caso do Furacão? Não tem no Paraná um empresário macho que assuma um investimento de risco. Tem que vir patrocínio da Copel!

Mike disse...

É uma bosta. As empresas não investem porque não vêem previsão de lucro. Com esses juros altos, burocracia absurda e taxas de importação maiores do mundo, como as empresas vão querer investir no Brasil?

É uma vergonha, os estádios que são privados e não precisam sangrar os cofres do Estado são os que tem maior dificuldade. Absurdo.

Andre disse...

Engraçado os bancos não investirem em porra nenhuma né? Na seleção o Itáu investe, mas no restante, nenhum banco investe um centavo em nada. A cada ano que passa batem recordes de lucro e nada de fazer porcaria nenhuma nesse país. Mto pelo contrário...cada vez mais criam taxas e nos fazem de palhaços cobrando preços por serviços que não deveriam ser cobrados.

Isso sem contar essas merdas de empresas do nosso estado, que não servem pra nada...só pra colocar na propaganda "orgulho de ser paranaense" e mais nada. BANDO DE HIPÓCRITAS!

Anônimo disse...

Nada ANdré, o BANRISUL sempre investe nos times gaúchos... Mas aqui no retrógrado Paraná isso é investir dinheiro público em patrimônio privado...
Pergunto: quem é o dono do CAP? O Pet pensava que era ele, mas não era e não é. É o POVO, então melhorar a condição do POVO é investir em patrimônio privado?
Titio Enéas

Andre disse...

O Banrisul só investe na dupla grenal também porque eles tem nome forte no futebol. Juventude, por exemplo, está minguando mesmo o clube sendo um grande de lá. E ainda estou falando de iniciativa privada, não pública.