sexta-feira, 5 de março de 2010

Repressão às organizadas

Da Gazeta do Povo:

O próximo Atletiba traz o maior golpe na estratégia de enfraquecimento das torcidas organizadas no Paraná. O que era uma medida para o clássico será expandida a partir de domingo em todo o estado e terá reflexos além das divisas locais.

Uma resolução anunciada ontem pela Secretaria de Segu­­rança Pública (SESP-PR) proibiu o acesso de pessoas com uniforme, adereço ou bandeiras de facções daqui e de outras localidades nas partidas. Serão permitidos apenas uniformes dos clubes. A de­­ter­­minação vale em todo o estado.

A medida foi anunciada pelo comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Jorge Costa Filho, após reunião ontem com representantes do Coritiba, Atlético, Paraná e da Federação Paranaense de Futebol (FPF). A decisão será encaminhada ao Ministério Público.

“Vamos comunicar também a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que informará todas as federações estaduais para que nenhuma torcida venha uniformizada para os jogos de qualquer divisão e qualquer categoria. É uma iniciativa que vai aumentar a segurança do verdadeiro torcedor, do cidadão comum e dos próprios clubes”, disse o vice-presidente da FPF, Amilton Stival.

Ele se referiu ao prejuízo sofrido pelo Coritiba, com a perda de 30 mandos de jogo e R$ 620 mil de multa pela invasão de campo e tumulto causados no Couto Pereira em dezembro.

O presidente alviverde Jair Cirino considerou ótima a decisão que ecoou o veto à Império Alviverde instituído após o confronto na última rodada do Brasileiro 2009. “Foi a adesão total à decisão do Coritiba para trazer paz aos estádios.”

O episódio no Alto da Glória e também os incidentes no último Atletiba (dia 25/10, quando um torcedor atleticano foi morto) impulsionaram a resolução e o racha entre a Polícia Militar e as uniformizadas.

“Fizemos todo o possível, tentamos trazê-los para junto da polícia, com várias reuniões e tudo. Não teve jeito, eles mostraram que são organizados para o mal e não para o bem”, definiu o comandante Costa Filho.

Ele havia antecipado parte das medidas no início da semana e após o contato com os clubes in­­tensificou o rigor. O uso de uniforme das organizadas também será proibido durante a escolta dos coxas-brancas entre o Couto e a Arena no domingo. “E quem reclamar será preso por desobe­diência”, avisou o comandante. Quem estiver com traje alusivo às torcidas e aos comandos não poderá chegar nas imediações do Joaquim Américo.

A polícia de trânsito reforçará o contingente e com uso de bafômetros tentará evitar o acesso de torcedores embriagados ao estádio.

As autoridades cederam em apenas um quesito. Após anunciar a proibição de instrumentos musicais, liberou os equipamentos das torcidas das equipes mandantes. Os clubes que aceitarem as baterias serão responsáveis pelo cadastramento de cada integrante.

Para líderes das torcidas, medidas pioram a violência

Representantes das organizadas se manifestaram contrários à resolução da Sesp. De acordo com a facção atleticana Os Fa­­náticos, as autoridades “precisariam acompanhar de perto o trabalho delas, antes de tomar tais medidas de repressão.”

“Não é dessa maneira que nós vamos resolver o problema de segurança pública no Paraná. Eles deveriam ter um controle maior das nossas associações, deveriam estar por dentro, sa­­ber como é o trabalho das torcidas organizadas”, justifica Julia­­no Rodrigues, vice-presidente da organizada.

“O verdadeiro culpado não foi a Mancha e nem os torcedores normais, e sim alguns integrantes da Império. Tentamos conversar com o clube e não fomos ouvidos pela diretoria. Acho que essa medida não vai melhorar o problema e foi uma pena a polícia fechou as portas para a torcida. Se com o diálogo já aconteciam problemas, sem isso as torcidas vão se movimentar nos bairro e vai ser pior”, re­­forçou o vice- presidente da Mancha Verde do Coritiba, Die­­go Pinton.

Como as determinações da Sesp valem em todo o estado e todos os clubes, terceiros ao clás­­si­­co também criticaram as medidas divulgadas ontem. Segundo João Quitéria, diretor da paranista Fúria Indepen­­den­­te, até a viagem programada para Prudentópolis, onde o Tri­­color enfrenta o Serrano, do­­min­­go, está ameaçada.

“Com a medida, vai aumentar a violência porque todo mundo vai estar escondido no anonimato, vai ficar todo mundo misturado. Como é que será feito um controle? O cara que gosta de atrapalhar vai continuar frequentando”, argumentou.

2 comentários:

esou disse...

Cuidado torcedores, somos "suspeitos e procurados" pela polícia!

Lembram-se do Presidente Sarney? "A partir de hoje fica proibido o reajuste de todos e quaisquer preços". Funcionou?

Vai ser a mesma coisa. É um "decreto" para gerar pânico no esporte de massa paranaense. Por aí pode-se ver por que o nosso futebol não cresce como gostaríamos.

Doge disse...

Fico Puto com as medidas baseadas apenas em achismo de autoridades. Não existe nenhum dado que comprove que a utilização de uniformes de torcidas influencia no aumento da violência.

Tem um excelente artigo na carta capital que fala do perfil do torcedor uniformizado.

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=4627