sexta-feira, 5 de março de 2010

Nem as boas são tão boas

O pacote antiviolência recém-anunciado pela secretaria de segurança e polícia militar traz medidas absurdas e inconstitucionais. Mas também contém algumas ações importantes para coibir a marginália de forma mais imediata - muito embora nem mesmo essas possam ser consideradas assim tão boas.
Do lado ruim estão, como já citei, medidas inócuas como aplicar o teste do bafômetro na entrada do estádio e proibir a colocação de faixas e bandeiras que "façam menção" a torcidas organizadas. Não vão adiantar nada.
Além dessas, uma outra que não havia me chamado a atenção, mas que pode vir a ser a pior de todas: "Durante os jogos, haverá dispersão do público que estiver ao redor das praças esportivas".
Essa é de causar pavor antecipado, tanto pelo absurdo inconstitucional quando pela possibilidade de haver uma ação violenta por parte da polícia, gerando reação e, por sua vez, mais e mais tumulto. Ao lado da Baixada, por exemplo, há uma praça pública. A polícia vai "dispersar" as pessoas que estiverem na praça na hora dos jogos? De que forma? A bem da verdade, realmente a praça Afonso Botelho e as ruas próximas se transformam em ponto de encontro de "comandos", formados muitas vezes por pessoas que nem ao jogo vão - estão ali apenas para agitar mesmo. Mas, por outro lado, já vi policiais agirem indiscriminadamente contra torcedores do bem, no intiuto de "dispersar" marginais, transformando o pedaço num verdadeiro inferno. Quem não se lembra da final de 2008, quando após a partida alguns vândalos destruíram um veículo e a polícia mandou ver bala de borracha e soltou a cavalaria para cima de todos os torcedores, incluindo aí idosos e crianças?
Enfim, pra que essa medida dê certo há que ser executada com bastante cautela, e com o cuidado de não ferir o direito das pessoas em ir e vir para onde quiserem. Missão difícil para uma polícia tão despreparada.
De "bom", especificamente para o Atlletiba, o pacote traz algumas medidas como o reforço do policiamento na divisa entre as torcidas, o uso de cães, reforço com policiamento de outras divisões e até um helicóptero dando suporte aéreo.
Agora, vem cá, pensando bem, será que são medidas realmente boas? Afinal, no domingo nós vamos sair de casa pra assistir um jogo ou vamos a uma guerra?
Se por um lado esse policiamento todo, armado até os dentes, pode passar uma impressão de segurança para alguns, por outro pode também causar efeito contrário: assustar, desafiar as gangues, e no final das contas, passar uma sensação terrível de insegurança à grande maioria.
Além do mais, quanto custa tudo isso? Qual é o valor para manter uma verdadeira operação de guerra na cidade, mobilizando pelo menos seis unidades policiais e um aparato descomunal?
Me pergunto se não era muito mais simples deixar de vender esses dois mil ingressos pra coxarada e fazer logo o clássico com torcida única.
Melhor do que chegar nas redondezas do estádio e ver policiais alucinados com capacetes de choque e escopetas dando geral indiscriminadamente e dispersando pessoas como se estivéssemos em estado de sítio.

17 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente as federações não se tocam disso. Melhor que banir adereço à organizadas é determinar torcida única.

Isso não deveria ocorrer: tenho amigos coxas que são torcedores de verdade (nem por isso deixo de ser atleticano fanático) e acho que eles merecem ir ao estádio ver seu time. Afinal, a rivalidade num esporte como o futebol deveria ser saudável. Somos todos seres humanos. Não é porque meu amigo é coxa ou paranista que vou tomar-me por uma fúria e agredí-lo.

Infelizmente, essa não é a realidade que vive uma parte da população. Os bárbaros que vão ao estádio (não posso chamá-los de torcedores) não prejudicam só o mundo do esporte, mas a sociedade como um todo.
Nós, torcedores "de bem", somos punidos com sucessivas medidas totalmente inúteis e ineficientes. Se assim continuar, haverá até toque de recolher na cidade.

Vejo essa opressão policial à que fomos condenados como se estivéssemos em guerra. Bom, no caso daquele jogo no chiqueirão, era mesmo.
Eu mesmo não creio mas torço para que tudo dê certo e não hajam incidentes. Porém, previno-me não indo ao jogo. Estou muito indignado com isso. A punição foi de novo para os que nada tem a ver com a violência.

Anônimo disse...

Sempre acompanho as excelentes postagens deste blog, em sua maioria muito bem humoradas. Faço ressalvas também à opinião pós jogo, apesar de discordar de algumas conclusões acima da tática de jogo. Contudo, não posso deixar de manifestar minha indignação quanto a esse último texto.
É notório que a Constituição Federal assegura o direito mas também o limita para assegurar outro direito. Tipo, o direito de um acaba quando começa o do outro. O direito de ir e vir não pode, sobremaneira, sobrepujar a segurança e a integridade física dos cidadãos e moral da sociedade que compõem. Estou farto de presenciar abusos da "torcida organizada". Abusos que afastam as famílias e as pessoas de bem do esporte que deveria ser o mais popular.
Se o clima é de guerra, não foi a Polícia Militar do Paraná que o criou. Aliás, se o alto escalão da PM se mantém inerte, estou certo de que as críticas também viriam, porém, no sentido inverso (porque a polícia não faz nada?).
Reclamaram quando havia "poucos" policias na "batalha" do pingamijo. Agora reclamam que tem polícia demais.
Quanto aos métodos para a dispersão de transeuntes, não nos cabe avaliar. Não somos profissionais em segurança pública. Basta ponderar e colocar no lugar de um policial a cumprir com o dever para perceber que a missão não é fácil. Pra quem não está disposto a colaborar: borrachada mesmo!
E tenho dito.

Anônimo Revoltado disse...

Está virando crime ser torcedor de algum time. Não era o próprio governo que dizia que a violência gerava violência? Agora prometem uso da violência por outro nome como tolerância zero, rigor nas revistas, dispersar aglomerações, implantando verdadeiro estado de sítio que ofendem a dignidade de qualquer cidadão...
Assim, em vez de conter está é criando novas marginalizações pois, nenhum ser humano ofendido em sua dignidade aceitará passivamente arbitrariedade de quem quer que seja.
Historicamente os oprimidos sempre venceram os opressores e com certeza não será desta vez.

Anônimo disse...

A segurança pública do Paraná é uma vergonha!!!
Não sei quem é mais burro, o Delazzari(Secretário da SESP) ou o Karsten(Comandante da PM)
Ano passado mandaram 20 PM para cuidar do jogo dos Coxas X Fluminense, neste ano retiraram a PM da PCE deixando 15 Agentes Penitenciários para cuidar de 1.700presos (e colocaram a culpa em 2 coitados de 2 Agentes) agora esta palhaçada de proibir faixas e bandeiras!!!
Por esta incompetência da Segurança Pública é que morreram 220 pessoas vítimas de homicídio, somente em fevereiro, na cidade de Curitiba(Matéria na Tribuna de ontem).
Requião deveria colocar na rua os dois incompetentes Delazzari e Karsten!!!
Tomara que entrando o Pessuti mude alguma coisa ainda este ano!
Faixas e bandeiras não agridem ninguém!!!

Anônimo disse...

Tomara que nem o Pessuti entre. Meu voto perdeu.
SRN
PS.: se um guarda no chão, dou a mão para levantar?
A.I.Cinco

Anônimo disse...

Saudades do falecido Coronel Pedro, esse sim sujeito educado, de boa índole e inteligente.
Jamais revitalizaria o AI5 como estes inteligentes querem fazer.
Requião estávirando o nosso Chaves.
Enquanto ninguém perceber que o problema é o Judiciário que solta todo mundo que pode e não pode, assim como a falta de cadeia, vai ter esses sabe tudo sem sair do sofá querendo criar solução tipo "supermando".
Enéas, atualizando: foram 4 mmortos nos dois últimos dias aqui perto, por enquanto a "medida" não está resolvendo, Secretária movida a imprensa. Meu voto? NÃO.

Anônimo disse...

Olá, muito bom seu blog, descobri ele agora. Também tenho um sobre o furacão, que tal fazer parceria? Entre: www.tudosobreofuracao.blogspot.com
se qiser, comente nos posts a resposta
srn

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Ao anonimo 2.

Não reclamo que haja policias em grande número.

Acho que isso deve ocorrer, inclusive nas imediações da Baixada.

Mas não precisa ser anunciado como operação de guerra.

Cansei de, eu mesmo, ficar com medo de passar perto de certos policiais em dia de jogo. Caras com colete à prova de bala e escopetas. E, normalmente, abusando de sua condição.

Na praça Afonso Botelho, por exemplo. Não precisaria anunciar uma "operação dispersão". Bastaria ter, desde sempre, algumas duplas de policiais fazendo ronda no local. Jamais a situação teria chegado onde chegou.

E ainda acho que no caso de jogo com torcida única o aparato policial precisaria ser bem menor.

E o risco de haver violência nos estádios também.

E tenho dito!

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

PS - O que aconteceu no pinga mijo foi algo totalmente fora dos padrões, violência daquela monta, e DENTRO do estádio, é coisa raríssima. Além disso, não havia pouco policiais no estádio, havia POUQUÍSSIMOS, porque torcedores AVISARAM a diretoria dos coxas que iriam armar o maior quebra-quebra da historia e mesmo assim a direção dos coxas manteve o ingresso a cincão e não tomou as devidas providências. Além disso, havia poucos (e despreparados) seguranças também - coisa que não acontece na Baixada, onde SEMPRE estão em grande número.

Enfim, o que ocorreu no pinga mijo foi uma situação atípica, incomparável, fruto de uma bandidagem autorizada e bancada pelo próprio clube e de uma diretoria incompetente.

Naquele jogo sim, com a existência ameaças prévias, se justificava um aparato policial gigantesco.

Luiz Andrade disse...

Dispersar uma aglomeração, de maneira muito simplificada, consiste em atacar uma parte da multidão, o que faz com que os que levem a carga recuem correndo pelo seu interior, causando o pânico, que leva a dispersão.
Desconheço alguma preservar ou atacar grupos específicos, pois nessas situações a tropa está em um nº muito menor, e a única vantagem com a qual conta é a unidade de comando.

Luiz Andrade disse...

Ops. quis dizer "desconheço alguma ténica que permita preservar"...

Aparecido jose disse...

É lamentável toda essa situação. Creio eu se todos colaborassem nada disso precisaria, mas já que é assim todos tem que participar e colaborar para que tudo corra bem.

Todo esse pacote antiviolencia terá efeito positivo na medida que houver punição, e punição severa, sem frescura, é cana mesmo, assim os baderneiros sentirão na pele o efeito punitivo.

Julio disse...

Perfeito o seu post e comentários Guerrilha. Junto a opinião de que a desordem e o caos são frutos da impunidade. Na verdade esta medida é uma birrinha da Polícia Militar que levou uns sopapos e agora quer mostrar quem manda. Esta medida não dura até o Brasileiro. Lembram da lei dos 3 Vereadores? Esta nem saiu do papel.

Julio disse...

E pra quem gosta só de criticar a atual diretoria. Tirei esta declaração do Presidente Maluceli do site da Nadja Mauad: Nadja: Proibição de camisas de torcidas organizadas:
“Tenho minhas dúvidas se isso ajuda muito na segurança. Aliás as faixas não estão proibidas, nossa torcida vai entrar com elas, como sempre. São duas faixas, uma da Ultras e outra da Fanáticos, e as bandeiras também, obdecendo claro as normas do clube de quantidade. A única coisa que não teremos são as camisas de torcida organizada. Espero que o comportamento do público em relação as organizadas seja como tem sido ultimamente porque o último confronto foi na divisão de torcidas, onde não ficam as organizadas. Nós reforçamos vigilância e estaremos atentos para assistir um jogo de futebol”. Sensato e inteligente. Vale ressaltar que as camisas já eram proibidas nos clássicos, então, a determinação da Cavalaria já não valeu desde a primeira...

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Ótima a declaração do MM.

Anônimo disse...

Olha o MM aí.
Parabéns.
Quanto ao papo aí em cima: quando alguém vai perceber que a m do judiciário é que infesta a sociedade? PM é apenas mal comandada, mal paga, mal preparada e aí colocam o fantoche de secretário, igual ao gomyde. Lembrei de um filme dotempo de infância onde tinha dois como eles e poderíamos incluir o presidente da federeca, o trio perfeito...
Enéas

Fernanda disse...

Talvez o sr De Lazari, ignore que em cada canto da grande Curitiba existe um antro, de onde saem traficantes, primeiro para assediar e depois para assassinar a piazada.
Agora, querem nos convencer de que um jogo de futebol é o que há de mais perigoso para a sociedade. Maior obstáculo ao bem estar do cidadão e à segurança pública.
E para aparecer na televisão antes da novelinha, o secretário do Requião, deita e rola em cima do episódio infeliz dos coxas. Quer mostrar a todos para que serve. Dá ordens, proíbe, aplica projetos autoritários, estimula a truculência e promove a intolerância. Dispersão na praça. Segue uma tendência bolivariana que silenciosamente vai se instalando no nosso país, pela afinidade do nossos governantes com esses loucos da Venezuela, Cuba, Bolívia... essa gente conspira e trabalha silenciosamente para transformar o Brasil numa zona e tirar a nossa liberdade.