sexta-feira, 26 de março de 2010

Atlético, 86 anos

Por Mauro Betting:
Gostaria de falar com meus netos quando tiver 86 anos. Não sei se os terei (os 86 anos, porque os netos tenho certeza, com os dois filhos maravilhosos que tenho). Mas sei que alguma coisa boa terei feito. Além deles, claro.

Coisas boas, você sabe. Um legado. Uma história. Afinal, em 86 anos, a gente pode errar muito. Pode bobear na cara do gol. Pode perder gols feitos. Pode frangar. Falhar. Perder títulos ganhos, como em 2004. Fazer lindo por todo o Brasil, como em 2001. Ou mesmo em 1983, quando só um time espetacular – não por acaso rubro-negro – acabou com a festa.

Acabou, vírgula. Pode ter encerrado um sonho, não enterrado. Não se mata paixão. Naquela terra paranaense, em todo o Brasil que foi Atlético, o Furacão honra o nome. Aliás, o único que se tem notícia que é boa nova. Os furacões como fenômenos meteorológicos têm nomes. Aquele de 1949 também tinha seus nomes e fenômenos: Laio, Délcio, Valdomiro, Waldir, Wilson, Sanguinetti, Viana, Rui, Neno, Jackson, Cireno, Caju, Nilo, Peres, Joaquim, Cordeiro, Guará, Villanueva, Toco. Todos fizeram um pouco nessa história de muitas graças em 86 anos de vida.

Grandes nomes como Caju. O do CT que mostra a bela estrutura atual, moderna como a arena exemplar. Campeões do mundo como Kleberson. Mitos como Sicupira. Tantos em 86 anos. Mas, talvez, o mais atleticano, sem ser o maior craque, ou o mais amado, seja Ziquita, olhando aqui de fora. Um centroavante de boas e más partidas. Típico camisa nove. Um dos que se arrastavam em campo em novembro de 1978, quando, no velho Joaquim Américo, o Atlético perdia para o Colorado por 4 a 0.

Aos 30 minutos do segundo tempo, ele fez um. O de honra. E que honra! E que hora! Aos 34, diminuiu. Aos 36, encostou. Aos 43 empatou. E só não virou aos 46, fazendo o terceiro gol de cabeça, que ela explodiu no travessão. Quatro gols em 15 minutos. A proeza de Ziquita. Ou apenas mais uma história de uma das mais apaixonadas torcidas do Brasil. Daquelas que fazem de um Ziquita um mito.

Daquelas que só podem não ganhar um campeonato brasileiro quando perdem para um Zico, em 1983, ou para uma zica danada, em 2004.

O Atlético é daqueles grandes brasileiros que só não são maiores porque, por vezes, a bola não dá pelota para quem não é de Rio e São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas quando se tenta comparar a incomparável e imensurável paixão, o Furacão é capaz de varrer muitas grandes torcidas só no grito.

Quem já viu (e ouviu, e sentiu) jogo na Arena sabe o que é isso.

Parabéns, Atlético. Você é jovem entre os grandes brasileiros. Continue com o mesmo espírito que um torço ter em 2052.

7 comentários:

Anônimo disse...

Coiasa mais linda, estou sem palavras!
Parabéns ao autor, VIVA o FURACÃO das AMÉRICAS!!!

Anônimo disse...

Obrigado Mauro
Você fez um lindo resumo de nossas maiores conquistas.
Enéas, que ouviu boas sobre o Furacão hoje e ontem no interior de SP, a galera respeita!!

Sabine Klimt disse...

O Atletico e muito respeitado por aqui SP e queremos que este respeito continue. Otimo texto!!!

Paul Kersey disse...

Nunca imaginei que um colunista de SP pudesse escrever algo do gênero sobre nosso querido Furacão. Foi um dos textos mais lindos que já li. Realmente Mauro Beting merece nosso agradecimento. Precisamos dar mais valor ao nosso clube. Brigas, ingritas ou discordancias devem ser deixados de lado. Somos a mãe e nosso Atlético é nosso filho. Carreguemos nosso clube no colo, como sempre fizemos. Como pais fazem com filhos. Com compreensão. Nas fases boas ou ruins.
Parabéns Clube Atlético Paranaense. E obrigado Mauro Beting por esse texto que podemos considerar um presente.

Carlos Henrique,de Ourinhos/SP disse...

Moro no interior do estado de São Paulo e sei como é difícil um jornalista esportivo se preocupar com outros clubes além do curíntia e quetais. Mauro Beting conseguiu, sem exageros e puxa-saquismo, fazer um texto que é sem dúvida um dos mais comoventes que já li fora dos círculos habituais. De arrepiar!
SRN!

Tiago disse...

Pois é... e aqui nenhum jornalista local para tecer algumas , mesmo que míseras, palavras sobre o nosso querido Atlético. Que vergonha, tem que ser um jornalista do eixo, de forma imparcial e comovente, para escrever uma coluna com um texto recheado de respeito e carinho pelo FURACÃO. Infelizmente a nossa imprensa é realmente fraca e desatenta às coisas do estado.
Parabéns Mauro Beting, PROFISSIONAL
acima de tudo. Um jornalista que enxerga além do seu jardim.

Anônimo disse...

Tiago, não temo imprensa, temos amigos entre si que "trabalham" pró interesses comuns, apenas algumas boas excessões se podemos incluir por exemploo Guerrilha como membro da imprensa.
Veja que o "planejamento" semanal era feito nos jantares dos ervilhas das segundas feiras, onde decidiam o que deveria ser enfatizado na semana.
Veja o que aconteceu no Paraná com quem quis um dia fazer diferente, Ramon Salgado - o cara que bolou e fez um programa a noite para falar do CAP, foi defenestrado e teve que voltar para Minas Gerais, onde passou a trabalhar, pois não teve espaço aqui, infelizmente pois seu programa era um Blog ao vivo e com matérias positivas, não esta busca de crise perpétua como são Gazeta e Tribosta por exemplo.
Abraço rubronegro do Titio Enéas