sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Carrasco

Após a conquista do título de 90, Dirceu comemora posando de super-homem.
Tivemos o prazer de bater um papo, na tarde desta quinta-feira, com um dos principais personagens da história dos Atletibas: Dirceu, o Carrasco. Não disputou tantos clássicos assim, como um Sicupira, um Nilson Borges, um Marolla. Jogou poucos, mas foi sempre decisivo. Em 1990, em três partidas contra o rival, anotou quatro gols. Mais que isso: garantiu o titulo em cima dos coxas, que tinham um time tecnicamente superior, em dois jogos épicos, lembrados até hoje por muitos atleticanos como os Atletibas inesquecíveis de suas vidas. Bem, é melhor deixar que o próprio Dirceu explique como foi.
Véspera de clássico no Couto Pereira, nada como pedir uma força para o carrasco dos coxas.
Tá certo (risos).
O que você anda fazendo?

Estou agora no Grêmio Maringá, há mais ou menos um mês, trabalhando na base e como auxiliar do Mueller, junto com o Cocada. Antes eu estava na Portuguesa Londrinense, disputando a Divisão de Acesso.
Continua o teu giro pelo interior do Paraná.

Pois é, tô nessa batalha.
Quando foi que você parou?

Em 1997, há mais de 10 anos.
Então, eu queria relembrar aquela final de 1990.

Bons tempos...
O que você recorda do primeiro jogo da decisão?

Lembro que entrei no finalzinho, uns 40 minutos do segundo tempo. Eu estava no banco e a torcida começou a gritar o meu nome e a cantar aquela música.

Os coxas, favoritos, eram o macaco. E o Atlético a banana. Mas...
"Recordar é viver, o Dirceu acabou com você"?

Isso, tudo por conta dos dois gols que eu havia feito no outro Atletiba, 2 a 2 (pela primeira fase do campeonato). Quando deixei o banco a torcida do Coritiba, que ficava logo atrás, começou a me vaiar. Eu virei e falei: Vou empatar esse jogo...
Instinto de artilheiro.

Fui para o campo e, num lançamento, o goleiro do Coritiba...
Gérson.

Isso, ele pegou a bola com a mão fora da área. Como eu estava no lance, o Gilberto Costa chegou no meu ouvido e falou: Essa bola vai no primeiro pau.
A morte estava encomendada.

Não deu outra; subi bem de cabeça e senti que ela foi para o gol. Saí correndo, tirei a camisa, uma alegria imensa. Parte da torcida do Atlético já tinha ido embora e voltou para comemorar. Ali ganhamos o título.
Era essa a sensação no vestiário?

Com certeza. Nosso time tinha a noção que o Coritiba era superior. Eles tinham uma grande equipe, com Tostão, Serginho, uma máquina. Mas a gente tinha muita raça. E não era só isso, precisávamos da conquista para receber o salário...
Período de dificuldades...

Muitas.
E a preparação para o segundo jogo decisivo?

A maior ansiedade. Ficou aquela tensão: joga Dirceu ou joga Kita. O Kita tinha muito mais nome e estava fazendo gols também. Eu dividia o quarto com o Carlinhos Sabiá...
Esse era gênio.

Excelente jogador. Conversamos na véspera, o Gilberto Costa também reunia o pessoal. Tive muita dificuldade para dormir, estava muito preocupado. Decisão e Atletiba não é brincadeira. Até que chegou a hora da palestra com o Zé Duarte.
Como foi?

Ele avisou que eu ia jogar. Com isso o Kita levantou, pegou a mala dele e disse que ia embora. Aquilo aumentou ainda mais a pressão sobre mim, fiquei com toda a responsabilidade de fazer os gols. E eu já tinha 27 anos e sem ganhar nenhum título...
Que barra!

Fomos para o estádio. Cheguei lá e a partir daí não falei mais nada. Fiquei quieto, no meu canto, tentando me concentrar. Fui para o aquecimento uma meia hora antes de todo mundo. Pensativo. Na hora de ir para o gramado, o Carlinhos e o Gilberto falaram muito da importância do título.
Aí subiram para o campo...

o estádio lotado e as torcidas fazendo um barulho muito grande, fogos de artifício e tal. Mas eu não escutava nada. Era um silêncio absoluto.

Bola rolando, hora da verdade. De cara você fez 1 a 0.
O Carlinhos foi na linha de fundo, pela direita, e cruzou. Cheguei na bola e mandei pra dentro. Senti um alívio enorme. A missão estava cumprida.
O Carrasco comemora o gol na grande decisão. Ao fundo, Berg e Heraldo.
Mas os coxas viraram o placar ainda no primeiro tempo.

Foi mesmo. Mas nosso time era bem armado, comportado em campo.No vestiário o técnico Zé Duarte falou bastante e Marolla disse que não tinha nada perdido. E intimou: Mais do que jogar bola, temos que mostrar que somos homens!
Inflamou o time...

Com certeza.
O jogo estava disputado, e o Atlético correndo atrás. Até que...

Bola na área, lançada pelo Odemílson. Lembro que eu estava na área, pressionando o zagueiro. Berg pensou em recuar, mas acabou encobrindo o goleiro. O título era nosso.
Precisou só administrar até o final.

Uma coisa legal foi que o Rizza foi substituído e acabou indo para a frente da nossa torcida. Nem sei se isso era ou é permitido. Mas ele ficou lá orquestrando a galera. Nossa torcida passou a cantar muito alto e a dar a força que a gente precisava.
Aí foi só alegria.

Pois é, mas sabe que aconteceu uma coisa diferente. A gente foi embora, peguei o Monza que o Farinhaque tinha me dado de luvas e fui pra casa...
Pô, nem foi comemorar?

Eu nem acreditava que aquilo tudo tinha acontecido. Fiquei conversando com os amigos até de manhã.
Mas entrou para a história, isso é o que vale.

Claro!
Isso tudo ainda te emociona?

Muito.
Como foi ouvir a galera cantando a tua música na Arena, quando você trabalhou por lá como técnico do Nacional de Rolândia?

Sabe que eu não esperava? Muito tempo depois... Foi lindo, muito marcante.
Vai torcer para o Furacão no domingo?

Posso dizer que o único clube que eu guardo um carinho, uma torcida, é o Atlético. É jogo complicado, com toda a certeza. Peço que a turma entre com responsabilidade... E com muita raça, que é a característica do Atlético.

19 comentários:

André disse...

Como era a música dele?
Pergunto pq comecei a acompanhar o CAP em 1993...
Abraço...

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

"Recordar é viver, o Dirceu acabou com você"

Hélio Rubens Godoy disse...

AlalaOOO, AlalaEEE, Uma vez Atleticano; Atleticano até morrer, E! E!

AlalaOOO, AlalaEEE, Uma vez Atleticano; Atleticano até morrer, E! E!

Que bom poder ver que o Furacão deixa marca na vida das pessoas que por ele passam. Valeu Dirceu!!

Anônimo disse...

Guerrilheiro voce faz bem pra alma do povo. Queria te pagar uma cervejas.

Jairo

Anônimo disse...

Semana de Atletiba - o guerrilheiro pega pesado novamente.

Julio disse...

Recordando de tudo isso, nem parece que falamos do mesmo time. E não era só o Atlético. Nesta época o futebol ainda era amador. Faz tão pouco tempo e parece tão distante.

esou disse...

Com certeza aí estava marcado o fim da hegemonia do "macaco" e o crescimento da "banana".

Teixeirama disse...

nem tanto, depois desse título passamos uma perrenga de 5 anos até o Tio Pet dar o tapa na mesa, mais três anos até ganharmos um título de novo em 1998, depois foi só alegria

EMÍLIO disse...

Eu entrei no campo no 2 a 2 após o final da partida.

Fomos pra volta olímpica e o Kita estava lá no gramado, com roupa normal, mas feliz da vida, comemorando com todos...

Lembro que quando iríamos passar na frente da Mancha Verde (do lado de onde ficaremos no domingo), o Kita falou: "piazada, vamos pra cá", e a gente deu uma meia-volta olímpica porque as pakitas estavam jogando pedra na gente, pra dentro do gramado!!!! Não pudemos passar com o troféu no nariz de tomada deles.

Eu tinha 13 anos e, depois daquilo, prometi ao Atlético que sempre iria honrar essa dívida, pagar essa alegria e orgulho de 1990. Até hoje, é só incentivo, viagens, sofrimento, alegria, sofrimento mas muita PAIXÃO E FIDELIDADE, acima de tudo.

Chapolim Gospel disse...

"Inesquecível" tinha apenas 10 anos fui nos dois jogos o de quarta gol aos 45 e o de domingo do gol contra nunca mais esqueci furação pra sempre quem não viu acompanha no youtube no link: http://www.youtube.com/watch?v=1vox522v2Ww
Parabéns Gerrilheiro sempre nos dando orgulho de sermos atleticanos!

dindo disse...

guerrilheiro atende o jairo que quer te pagar umas beras, e me leva junto, hehehe

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

É só o Jairo marcar. O Dindo está convidado.

Anônimo disse...

Maravilha de reportagem, porque oe "meios" não buscam fazer algo legal assim?
Notícia ruim ainda é mais barata e fácil de produzir.
Guerrilha, parabéns e põe uma na minha conta.
Titio Enéas que tinha recém trocado de emprego na época e o título deu um cala boca na xaropada de plantão...

Anônimo disse...

Só aqui a gente encontra essas coisas, Guerrilheiro! Muito bom relembrar tudo isso e saber como o Dirceu está. Se mantenha firme daí que a gente continua daqui.
Abs.

Henrique disse...

Salve Guerrilheiro. Muito maneira a entrevista. Não me lembro desse jogo, pois nasci em 89, uns meses atrás vi o vídeo desse famoso jogo.
Golaço do Berg. Artilheiro, aquele dia fez dois, hehehe.

Podia incorporar o vídeo pra galera aí, não é?

http://www.youtube.com/watch?v=5zGXHJ5op5k

Abçs e SRN.

Henrique Guerra disse...

Eu tava no meio da TOF nesse dia e lembro certinho do Rizza pulando em frente da torcida, agitando os braços e cantando junto as músicas. Tinha 15 anos. Me emociono só de ler essa entrevista.
RECORDAR É VIVER, O DIRCEU ACABOU COM VOCÊ!!!
Só quem viveu essa fase do Atlético sabe o que é isso!!

roderley disse...

Grande lembrança, o Dirceu diz que nosso time era até inferior ao dos coxas, claro eles tinham um grande time aquele ano mas nós também tinhamos grandes jogadores como Carlinhos Sabiá que foi um dos maiores jogadores que vi jogar no Furacão, Gilberto Costa, Cristovão, Heraldo e outros grandes vitoriosos daquele ano maravilhoso de 1990, grande título em nosso salão de festas.

Itamar (japa) disse...

caraca, eu estava neste jogo me lembro da musica tbm, "RECORDAR É VIVER O DIRCEU ACABOU COM VC".. me lembro do gol do berg quando os coxas estavao cantando esta chegando a hora!!!! ahahaha eu lembro de ver a bola indo em camera lenta e nao vi mais nada prq era pequeno e todo mundo começou a pular depois do gol ;hahahah!!!

massa, recordar é viver!

Anônimo disse...

O Atlético entregou o jogo para os coxinhas, envergonhando a nação rubro negra.Depois do jogo de hoje entendo o porque que o pessoal do norte do Paraná torce pra time de fora pois não podemos confiar nos times daqui..Estou enojado e envergonhado com a atitude do Clube Atlético Paranaense...