sábado, 5 de setembro de 2009

Um freguês sempre muito bem-vindo

Da Gazeta do Povo:

Que o Flamengo é freguês dos times paranaenses no futebol, quase todo mundo sabe. Agora a vantagem que o Atlético tem sobre o rival carioca chega a impressionar. Há exatos 35 anos o Furacão não é derrotado pelo Rubro-Negro carioca jogando em Curitiba. Em todo esse tempo, as equipes se enfrentaram em 14 oportunidades, sendo que em 11 delas o Atlético foi o vitorioso. Três jogos terminados empatados.

Se depender do retrospecto jogando em casa, o Furacão entra em campo como favorito no próximo domingo. A partir das 16 horas, no Estádio Joaquim Américo, as equipes se enfrentam pela 23ª rodada do Brasileirão. Aliás, falando em Arena da Baixada, após sua reinauguração, o Furacão enfrentou o Flamengo nove vezes e venceu oito vezes.

Cada jogo com uma história, cada história recheada de emoções, fatos pitorescos e momentos marcantes. Tanto para os torcedores, como para jogadores e treinadores. Veja, a seguir, alguns deles:

1999 - Atlético 3 x 2 Flamengo. “A reinauguração”

A nova Arena da Baixada era o sonho de todo o torcedor atleticano. Depois de passar por maus bocados precisando se espremer no “velho” Joaquim Américo e piores ainda no alugado Pinheirão, a torcida finalmente pôde voltar para casa. Naquela época o time tinha bons jogadores - que mais tarde levariam o time ao título da seletiva da Libertadores -, entre eles o atacante Lucas.

Dias antes da primeira partida oficial do novo estádio, o goleiro do Flamengo, Clemer, foi perguntado sobre como faria para impedir os gols do jovem Lucas. De bate-pronto, ele respondeu que não sabia nada sobre o atacante atleticano. A declaração repercutiu na cidade. Ao marcar o primeiro gol do jogo, Lucas foi aos microfones das rádios e às câmeras de televisão e disparou, sem necessidade de maiores explicações: “Eu sou o Lucas”.

2000 - Atlético 1 x 1 Flamengo. “O desabafo sem filtros”

No ano em que disputou pela primeira vez a Libertadores da América, o time foi razoavelmente bem na Copa João Havelange (que substituiu o Brasileirão). O jogo terminou empatado (o único “tropeço” da década em casa). Pelo Flamengo jogavam Adriano e Petkovic, ambos de volta ao clube da Gávea em 2009, e o gol do Furacão foi marcado pelo zagueiro Emerson. O jogador não é lembrado pelo futebol que apresentou enquanto vestia a camisa atleticana, mas sim pelo que disse ao marcar o gol daquela partida. Ainda em êxtase pelo feito, ele foi aos microfones e gritou. “Esso gol é para Jesus, p.... c......”.

2001 - Atlético 4 x 0 Flamengo. “Um jogo de seleção”

Não precisa nem mencionar por que 2001 é um ano especial para os atleticanos, afinal pela primeira vez o time conquistou o Campeonato Brasileiro da 1ª divisão. Para um jogador em especial o jogo contra o time carioca teve uma importância ainda maior.

Kleberson, hoje coincidentemente jogador do Flamengo, fez uma partida exuberante. Em entrevistas posteriores, o jogador revelou que a partir daquele dia o técnico da seleção brasileira, Luis Felipe Scolari, começou a prestar a atenção no seu futebol. O resultado foi sua convocação para a Copa do Mundo de 2002, vencida pelo Brasil.

2003 - Atlético 4 x 1 Flamengo. “O passeio de Ilan”

Um dos grandes nomes do Atletico naquela temporada foi o atacante Ilan. O jogador vinha “passando da bola” e dos quatro gols que o time marcou naquele confronto, três saíram dos pés do atacante. Também naquele campeonato, dessa vez contra o Corinthians, ele voltou a marcar três gols em um só jogo. Suas atuações chamaram a atenção do futebol brasileiro e mundial, resultando, em 2004, na sua transferência para o Sochaux, da França.

2004 - Atlético 2 x 1 Flamengo. “Atlético Coração Valente”

Um jogo inesquecível. Após torcer e apoiar o time pela vitória o tempo todo, o torcedor já não acreditava em melhor sorte aos 40 minutos do 2º tempo, com a vitória flamenguista parcial por 1 a 0. Um minuto depois, Washington fez bela jogada e marcou um golaço, empatando o jogo a quatro minutos do fim.

Três minutos mais tarde, ainda no tempo regulamentar, o mesmo Washington aproveitou uma desatenção do goleiro Júlio César e tomou-lhe a bola. O atual camisa 1 da seleção cometeu pênalti. Com precisão, o “Coração Valente” marcou o gol da vitória, comemorada como um título pelo torcedor atleticano. Naquele ano, o atacante se tornaria o maior artilheiro de todos os tempos em uma edição do Brasileirão, com 34 gols.

2005 - Atlético 2 x 0 Flamengo. “Estreia e reestreia”

A vitória sobre o Flamengo em 2005 marcou a vida de duas pessoas. A do técnico Evaristo de Macedo, que estreava no comando da equipe, e a do atacante Dagoberto. Após passar um longo período afastado por uma cirurgia no joelho, a jovem promessa havia retornado oficialmente no Atletiba realizado em julho daquele ano (1 a 0 para o Furacão). Contudo, uma contusão muscular voltou a deixá-lo de fora. Contra o time carioca, ele finalmente voltou a atuar profissionalmente.

2006 - Atlético 1 x 0 Flamengo. “Vitória para sair do sufoco”

O ano foi complicado para o Furacão. Depois de uma série de derrotas e muita pressão, o time trocou de treinador. Em sua estreia, recebido com uma bonita festa nas arquibancadas, Vadão começou com o pé direito a caminhada que evitaria um quase iminente rebaixamento do Furacão para a 2ª divisão.

2007 - Atlético 2 x 0 Flamengo. “Supersequência salvadora”

Mais uma vez em crise, convivendo com um sério risco de rebaixamento, o time troca de técnico. Ney Franco, que ganhou destaque nacional justamente pelo seu trabalho realizado no rival carioca, assumiu o Furacão e conseguiu fazer história.

Além de evitar a queda do time para a 2ª divisão, emplacou uma impressionante sequência nove jogos de invencibilidade na Arena da Baixada, sendo que sete vitórias foram consecutivas. O resultado foi mais uma vez a permanência do time na Série A.

2008 – Atlético 5 x 3 Flamengo. “Redenção na última rodada”

Cansados de tanto sofrimento, muitos torcedores não acreditavam numa melhor sorte para o Atlético no Brasileirão de 2008. Depois de permanecer afundado na zona do rebaixamento durante grande parte da competição, o time conseguiu se salvar da queda no último jogo, em casa, contra o Flamengo.

O sentimento naquela partida mesclava desespero com fé. A vitória salvaria o time do rebaixamento e lhe colocaria na Copa Sul-Americana. O tropeço significaria a queda, a vergonha. Júlio César, Rafael Moura, Toró (contra), Zé Antônio e Alan Bahia marcaram os gols que garantiram o fim da agonia atleticana naquele ano. E reafirmou ainda mais o técnico Geninho como ídolo rubro-negro.

Demais jogos de invencibilidade

Completam a lista da soberania atleticana os seguintes jogos:

1983 - Atlético 2 x 0 Flamengo
1986 - Atlético 2 x 1 Flamengo
1989 - Atlético 1 x 1 Flamengo
1991 - Atlético 3 x 0 Flamengo
1997 - Atlético 0 x 0 Flamengo

8 comentários:

EMILIO disse...

Aqueles 3 a 0 de 1991 foram inesquecíveis.

Uma chuva do cacete caiu durante o primeiro tempo. A cobertura tosca do pinheirão não protegia nem metade da reta da fanáticos e a galera ficou dançando na chuva, com os guarda-chuvas pro lado, estilo Gene Kelly.

No terceiro gol, anotado de penalti por Tico, a chuva parou um pouco só pra ele chutar. Imediatamente após a bola balançar a rede, voltou a chover torrencialmente.

As placas do Bamerindus do gol do lado da Fanáticos sairam voando uma hora, tal a força da ventania.

E de noite eu pude assistir o "Bate Bola" na Rede Manchete, com o Luxemburgo ainda de fraldas dizendo em carioquês: "nu sigundu gol, u atacanti ixtava in ófsáidi". Depois disso, o Antonio Carlos Araújo - Garotinho - emendou: "u Flamiengu tomou um banhu di bola i um banhu di chuva!!!!"

Isso que esqueci de dizer que antes do jogo passou um caminhão de bombeiro na pista de atletismo do Pinheirão - era ainda de asfalto, como a pista do Puxadinho do Viaduto. Em cima do caminhão um monte de perva, com a camisa do atlético e shortinho enfiado e o locutor anunciando o "Carnaval do Povo" no ginásio da Baixada.

Atlético, eu te amo pra sempre!!!

Anônimo disse...

Fantásticas lembranças Emílio...

Julio disse...

O velhinho Evaristo foi nosso melhor técnico de 2005 para cá. Muito bacana esta matéria!

Anônimo disse...

videos por favor guerrilha

Anônimo disse...

Do caminhão, hehehe

Anônimo disse...

Marcelo Macedo era o cara...

roderley disse...

Grande retrospectiva guerrilheiro, e o Emílio lembrou bem aquele jogo de 1991, 3x0 aquele temporal inesquecível no Pinheirão, lembranças que ficam para sempre em nossa memória, grandes jogos, grandes vitórias.

paixao rubro negra disse...

um freegues que nao
foi dessa vez