quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Há 19 anos, um lance inesquecível


Ser campeão em cima dos coxas é sempre inesquecível. Mas os dois Atletibas finais de 1990... ah, esses foram os melhores de todos, sem dúvida. Principalmente o segundo, realizado há exatos 19 anos.
O Atlético tinha um time razoável, com alguns remanescentes do título de 88, como Carlinhos Sabiá, Marolla, Odemílson, Cacau e Serginho. Mas fez um segundo turno péssimo, que deixou a torcida ressabiada. Para o hexagonal final, o presidente José Carlos Farinhaque trouxe um reforço de peso: Gilberto Costa, o "canhão". Além disso, o técnico Zé Duarte, o "vovô", assumiu o comando do time.
Deu resultado: o Furacão ficou em primeiro lugar e levou para a final contra os coxas a vantagem de jogar por dois empates.
Os coxinhas, por sua vez, tinham um time superior tecnicamente, principalmente na meia-cancha, que tinha nomes como Hélcio, Tostão, Serginho, além do bom ataque formado por Moreno e Pachequinho.
Não me perguntem o motivo, mas as duas partidas da decisão foram realizadas no Couto Pereira (na época, o Atlético mandava seus jogos no inacabado Pinheirão).
E, apesar de eu ter citado acima tantos craques, os protagonistas das finais foram outros - um de cada lado.
Naquela temporada, disputava a vaga no comando do ataque do rubro-negro um jogador limitado mas voluntarioso, cheio de disposição e raça. No começo do campeonato, Dirceu não era unanimidade entre a torcida. Mas ganhou a simpatia ao judiar dos coxas: em dois Atletibas na primeira fase, marcou um gol em cada um. A boa fase rendeu a ele o apelido de "Schilatti", o desconhecido atacante da Itália que desandou a marcar gols na Copa do Mundo daquele ano.
Mas seu grande momento ainda estava por vir.
Dia 1º de agosto, noite fria de quarta-feira. Os coxas dominaram a partida de cabo a rabo e venciam por 1 a 0. Mas, aos 44 minutos do segundo tempo, o imponderável acontece. O goleiro Gérson inexplicavelmente pega a bola com a mão fora da área, próximo à linha de fundo. Falta, daquelas que parecem um "mini-escanteio". Eu já havia descido as escadas do chiqueirão e me dirigia ao portão de saída, mas, ao ouvir o lance no radinho, voltei. Me amontoei com a galera ali, no primeiro anel. Engraçado, parece que a gente sabia que o gol ia sair. Não deu outra. Gilberto Costa colocou com maestria a bola na cabela de Dirceu: 1 a 1. Vantagem mantida, e o atacante já começava a ganhar um outro apelido. Era o "Carrasco dos coxas".
Enfim, chega o domingão. Os últimos 90 minutos de jogo definiriam o campeão.
Mal começa a partida, Carlinhos arranca pela direita e cruza na área. Sempre ele, o Carrasco Dirceu salta à frente e acerta em cheio a cabeçada no contrapé do goleiro: 1 a 0 para o Furacão. A partir daí, os coxas partiram com tudo pra cima e conseguiram empatar com Pachequinho. No último lance do primeiro tempo, a catástrofe. O escanteio cobrado na área do Furacão tinha como endereço certo as mãos do goleiro Marolla, na pequena área. Não é que ele se atrapalhou todo, largou a pelota nos pés do zagueiro Berg, dos coxas, que encheu o pé: 2 a 1.
A torcida rubro-negra gelou. Um gol besta desses, numa final de campeonato, na casa do adversário, poderia pôr tudo a perder.
E, de fato, no segundo tempo o Furacão pressionava de maneira estabanada, pressionado pela necessidade de marcar um gol de qualquer jeito, e esbarrava na tranqüilidade dos defensores coxas.
Até que, de repente, surge novamente ele, o imponderável.
O gol de empate do Furacão foi um gol totalmente trabalhado... pelos próprios coxas! O lance foi assim: Odemílson cobrou o lateral na área. Os zagueiros do coxa trocaram um, dois passes de cabeça e, no terceiro, o zagueiro Berg, assustado, tentou colocar a bola para escanteio. Acabou encobrindo o goleiro Gérson e fazendo o gol do título.
Nunca vi uma comemoração como aquela. Nem mesmo a gente acreditava no que tinha acontecido.
E o zagueiro Berg entrou para sempre na história. Berg Eterno!
Quem estava lá, sabe do que estou falando. Quem não estava, assista ao vídeo acima. Ele fala muito mais do que eu consegui narrar neste post.

Final - Paranaense - (05/08/1990) - Atlético 2 x 2 Coritiba
Local:
Couto Pereira ; Árbitro: Afonso Vitor de Oliveira; blico: 42.196; Renda: Cr$ 17.252.850,00; Gols: Dirceu, aos 5, Pachequinho, aos 13 e Berg, aos 45 do 1°; Berg (contra), aos 26 do 2°.

ATLÉTICO: Marolla; Valdir, Leonardo, Heraldo e Odemílson; Cacau, Gilberto Costa e André (Osvaldo); Carlinhos, Dirceu e Rizza (Serginho). Técnico: Zé Duarte.
CORITIBA: Gérson; Ditinho, Berg, Jorjão e Paulo César; Hélcio, Serginho (Aurélio Carioca) e Tostão; Ronaldo, Moreno (André) e Pachequinho. T: Paulo César Carpegiani.

13 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, Guerrilheiro.
Dá para ver que a TV Paranaense canal 12 continua horrível e que o Gil Rocha já tinha comentários idiotas e era fraquinho...
Não sinto saudades daqueles tempos de clube pequeno. A nossa grande alegria era sempre chutar o portão do chiqueiro na hora de ir para casa.
Tenho mais orgulho deste Atlético de hoje que é uma força nacional.
Valeu o post e valeu a lembrança da alegria daquele gol do Berg.

Anônimo disse...

Eu sinto uma saudade canalha daquele tempo, dos estádios lotados, sem a frecura falsificada de modernidade, da meia cerveja, da torcida malaca do atlético e principalmente do fato de ser 19 anos mais novo.

Rubens

Chochô disse...

Melhor jogo da minha vida.

Anônimo disse...

O jogo da minha vida!
Nada se compara com a emoção daquela comemoração, daquele gol. Primeira vez que chorei no estádio!

Sensacional!

Anônimo disse...

Não fosse o Berg, Marola seria mais um maldito a entregar um título pros coxinhas.

Saudade de estádio lotado, do tempo que briga era no soco e terminava quando um caía.

Tinha foguete, tinha cerveja, torcida misturada nas cadeiras e ninguém morria.

A violência está matando o futebol.

Gustavo GR disse...

Eu fui nesses 2 jogos. Tinha 12 anos na epoca e ja era frequentador dos jogos do CAP desde 1984. Aquele jogo foi uma emoçao tremenda. Esse Carlinhos que cruzou a bola para o 1o gol jogava MUITA bola e, SIM, o time dos porcos era melhor que o nosso tecnicamente, mas se tinha uma coisa que nao faltava nessa epoca aos times montados pelo folclorico Farinhaque (ONDE ANDA ???), era algo que hoje falta MUITO, que é a RAÇA de vestir a camisa rubro-negra.

Lembro que na epoca os coxinhas ameaçaram reclamar e tentaram forçar uma 3a partida... huhehauhehua... losers...

SDS RN
GUSTAVO

_Madroxx_ disse...

O primeiro ATLEtiba a gente nunca esquece... tive sorte de estar lá. Como foi dito acima, sinto uma saudade canalha deste tempo. Neste tempo, pelo menos, dava pra ir aos jogos. Hoje é bem mais difícil ir num clássico.

Anônimo disse...

Não canso de dizer:

CHUPA, COXARADA!!

Rico

Juliano Ribas disse...

Foi inesquecível, sim. Como história, pelas particularidades do jogo.

Mas é mais saudosismo achar que esse é o Grande Atletiba.

Acho o título de 2000, já na Arena, com gol do Gustavão no finzinho, um Atletiba decisivo mais legal que esse.

Sem falar no 4 a 1 com cala boca do Nélio em 98. Com pênalti perdido pelo Fézis. E depois 2 a 0 no jogo final.

O de 90, é uma coisa mais sentimental, tem o lance do gol do Berg, tal.

Pra falar a verdade, todas as vezes que a gente fode com os coxas é massa.

abs
JR

Anônimo disse...

Tá louco fiquei "arrupiado"!!!!
Estava bem atrás do gol, Gerson ficou só reparando a bola entrar.
Tinha 11 anos, fui com meu pai, meu primo e mais um monte de tios.
O Atlético faz bem para alma da gente!!
Parabéns Guerrilheiro!!

Anônimo disse...

detalhe pro tamanho dos "pequenos" rádios da moçada. Tinha que apoiar no ombro

bisqui

Guilherme disse...

Rapaz, eu seria capaz de matar por uma daquelas jaquetas da Adidas que aparecem logo no começo.

ziquita disse...

Alguma dúvida aí do porque um dos apelidos do cara era Carlinhos "Pé de Vento"???

Daria até dó do Marolla nestes tempos de fóruns, orkutes, bloggers, twiteres, comunidades online e quetais...

Grande lembrança Guerrilheiro.. meus cabelos ainda eram pretos. E a mijada na saída, no portão do estádio, era sagrada.