quarta-feira, 18 de março de 2009

A utopia burocrática do futebol brasileiro

Por Felipe Atxa, do Mídia@Mais:
O Brasil é um caso único. Enquanto a maior parte dos esquerdistas do mundo tendem a mergulhar seus países em aventuras socializantes em nome dos supostos avanços sociais (“igualdade”, “menos exploração”, “benefícios”), os seus correspondentes brasileiros têm mesmo é obsessão pelo componente burocrático da revolução.
A última novidade desses gênios é obrigar todo cidadão que quiser ingressar num estádio de futebol a tirar uma carteirinha que o identifique como um “torcedor não-violento”. A idéia é injusta, bizarra e disfuncional.

É injusta porque obriga, mais uma vez, que os milhões de cidadãos honestos, ordeiros e cumpridores da lei sejam retaliados por causa da ineficiência do Estado em cumprir seu papel em repreender e tirar de circulação a parcela bem menor de cidadãos desonestos, desordeiros e criminosos. Aqueles já têm de ser cadastrados no registro civil, na Receita Federal, na Justiça Eleitoral, no Sistema Único de Saúde e pela autoridade de trânsito, no mínimo, excetuando-se aí as “carteirinhas” decorrentes de sua eventual atividade empresarial ou profissional.

É bizarra porque parte de um princípio totalmente equivocado. Quantos crimes são cometidos anualmente em um estádio de futebol, por exemplo, em comparação com a quantidade cometida em padarias ou supermercados? O primeiro número será infinitamente menor que os dois outros. Seria o caso, então, de serem criadas outras carteirinhas para ingresso em estabelecimentos comerciais para os cidadãos notadamente não-criminosos. E por que não restringir a circulação daqueles que não têm carteirinha pelas ruas? Mas isso não seria o equivalente a aplicar a legislação penal já existente de uma forma mais rigorosa?

É exatamente este o ponto: a violência nos estádios e praças esportivas só existe porque o Estado é incapaz de restringir a circulação de indivíduos perigosos, condenados ou potencialmente violentos. Essa incapacidade estende-se, de resto, por todo o território nacional, e não apenas nos locais de jogos. O folclore psicanalítico quer fazer crer que cidadãos pacíficos transformam-se magicamente em monstros quando pisam num estádio de futebol. Essa idéia fabulosa e cinematográfica pode se aplicar para a Grã-Bretanha, mas certamente não é a realidade brasileira: os tais bandidinhos de torcidas organizadas no Brasil são os mesmos trombadinhas e funções das ruas, e, muitos deles agem livremente assegurados pela impunidade garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: são menores de idade. Tolos cadastramentos não resolverão todas essas contradições.
A disfuncionalidade da medida, ademais, é facilmente percebida por qualquer pessoa que já tenha comparecido a um estádio de futebol – no Brasil, não na Suíça. Os estádios brasileiros são privadas a céu aberto: desorganizados, sujos e mal-planejados (*Nota do blogueiro: menos a Arena da Baixada!). Adquirir um ingresso tendo simplesmente o dinheiro na mão já é um autêntico suplício e inibidor para uma boa parte dos frequentadores (especialmente os honestos e pacíficos).
Os mesmos gênios que imaginam cadastrar 30 milhões de torcedores honestos (em nome de restringir a circulação de 1 ou 2 mil vândalos) são os mesmos incapazes de oferecer a venda antecipada, sem filas, e de inibir a ação de cambistas. A apresentação das carteirinhas seria no momento da venda ou do ingresso ao estádio (acreditem, burocratas geniais do futebol: são dois momentos diferentes)? Se for no momento da venda, cada indivíduo poderá comprar pessoalmente apenas o seu próprio ingresso? Um marido não poderá comprar o da esposa, por exemplo, sem levar sua carteirinha ou ela estar presente? Mas se ele puder comprar com a carteirinha de um terceiro, como garantir que quem irá usar o ingresso será a mesma pessoa identificada pela carteirinha? Bem, aí será necessário controlar a identificação na catraca. Quanto tempo demorará isso? E as filas de 50 mil pessoas de um dia de jogo grande? Não podemos nos esquecer que entrar num estádio de futebol no Brasil ainda é, exceto para políticos e celebridades, um ato de coragem: as filas são perigosas, desorganizadas, há tumulto e maus tratos por parte dos policiais presentes, etc. Imaginem identificar um por um os torcedores ingressantes?
Tudo isto colocado, não podemos nos esquecer de um detalhe: a emissão da segunda via da carteirinha será cobrada, permitindo-se prever uma receita de muitos milhões de reais para as empresas concessionárias do serviço.
O que mais surpreende na história toda é como jornalistas, advogados e especialistas estejam achando a idéia boa. Não, a idéia não é boa: é como a maior parte das idéias concebidas por teóricos e burocratas esquerdistas – inócua e injusta. A saída para diminuir a violência relacionada aos estádios e praças esportivas é a mesma que funcionaria para a violência no Brasil de modo geral: 1.aplicar com rigor os mecanismos já previstos na lei para reprimir e punir as ações criminosas; 2.modificar ou aperfeiçoar a legislação para que indivíduos violentos tenham menor raio de ação para perpetrar novas ações violentas ou cometer outros crimes, independente de sua idade.
Ou seja: prender os bandidos e mantê-los na cadeia, e desestimular que outras pessoas se tornem bandidas pela simples percepção (estimulada por socialistas e militantes protegidos por carros blindados e segurança privada) de que ficarão impunes. Simples assim.

4 comentários:

Anônimo disse...

Essa vem do Ministério Bolchevique dos Esportes

Anônimo disse...

só arrumam sarna pra se coçar pq resolver qquer coisa, nunca vi desses governos

Fernanda disse...

Tão absurdo...

Anônimo disse...

Brasil! sil! sil!


Não dá mais!!