sábado, 6 de dezembro de 2008

Uma história de 40 anos

A Gazeta do Povo traz hoje uma matéria interessante: há 40 anos o Atlético estreava em um campeonato nacional de primeira divisão. Confira:
Vitória contra o Santos, na Vila Capanema - uma das mais festejadas.
Quarenta anos depois de sentir pela primeira vez o gosto de disputar um Campeonato Nacional, o Atlético vive situação bem menos prazerosa. Se não vencer o Flamengo na Arena, amanhã, o clube depende da amabilidade de terceiros – leia-se Vitória e Internacional – para não compartilhar com o rival Paraná espaço no mundo B da bola no país.
O capítulo atual é bem diferente daquele que abriu as portas do futebol brasileiro ao Rubro-Negro. Em 1968, o clube venceu um triangular contra Coritiba e Ferroviário para representar o estado na segunda edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Robertão), embrião do atual Brasileiro. Até então, os times paranaenses eram meros figurantes. No ano anterior, o Ferroviário tinha sido o saco de pancadas do torneio, com 4 empates e 10 derrotas. A missão não era fácil para o Furacão.
“Era uma experiência nova para o Atlético disputar um Brasileiro. Nem a torcida estava acostumada a ver tantos times fortes toda hora”, conta o ex-meia Sicupira, contratado para reforçar o time ao lado de nomes famosos como os bicampeões mundiais Dorval, Bellini, Zequinha e Djalma Santos.
O “pai” desse time, que ainda recebeu por empréstimo cinco jogadores de clubes rivais – o goleiro Célio e o lateral Nilo, do Coxa, o zagueiro Vilmar e o atacante Madureira, do Ferroviário, e Zé Carlos, do Água Verde –, era o recém-empossado presidente Jofre Cabral e Silva, que morreria no meio da temporada, vítima de um ataque cardíaco.
Mostrando um futebol de qualidade, o Rubro-Negro fez jus ao investimento, ficando em quinto lugar na chave A, três pontos atrás do segundo colocado, o Interna-cional. Venceu seis partidas, empatou cinco e perdeu outras cinco. Curiosamente, atuou como visitante em apenas quatro oportunidades. “Esse campeonato foi o divisor de águas entre o futebol paranaense regional e o de âmbito nacional. Os outros times daqui também tiveram de correr atrás de grandes jogadores no país para poderem competir à altura”, relata o historiador Heriberto Machado. Para ele, clube e estado deixaram o anonimato futebolístico. “O Atlético assombrou o Brasil”, garante.
Entre aqueles que fizeram parte dessa campanha, só elogios ao grupo. “Era um time sensacional, que não tinha medo de ninguém. Encarava mesmo”, assegura o ex-atacante Zé Roberto, outra peça do forte elenco rubro-negro. E o time peitava inclusive o árbitro, como aconteceu com José de Assis Aragão na derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG.
“Ele deu dois gols impedidos. A gente foi para cima”, fala Zé Roberto. “Não me lembro do lance, mas ele tomou até cadeirada nas costas quando ia para o túnel. Saiu voando”, complementa Nílson Borges, outro atacante daquele time inesquecível. Nada foi parar na súmula. “Ele sabia que estava errado”, explica Borges.

Em um campeonato com tantas equipes fortes – o Santos de Pelé foi o campeão –, fica difícil aos jogadores da época selecionar um duelo especial. Certamente, porém, a vitória sobre o Peixe (3 a 2) na Vila Capanema, com mais de 24 mil torcedores, e a goleada sobre o Corinthians (4 a 0) estão entre os confrontos mais festejados.

Para o lateral Nilo, o embate com o Timão é incomparável em alegria. “Aquela partida me levou para a seleção. Fiz o segundo gol e joguei muito. Chamei a atenção do Aymoré Moreira (técnico da seleção e do Corinthians)”, revela ele, que lamenta nunca ter entrado na Arena.

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