sábado, 30 de agosto de 2008

Atleticanismo paranaense

Dados divulgados ontem pelo IBGE sobre estimativa populacional nas cidades brasileiras nos levam a refletir. Curitiba é a sétima cidade mais populosa do país, com 1,8 milhão de habitantes. À frente, por exemplo, de Recife e Porto Alegre. Se considerarmos a população dos estados, veremos que o Paraná é o quinto mais populoso, com 10,5 milhões - e já está prestes a ultrapassar o Rio Grande do Sul.Ou seja, nossos times, teoricamente, deveriam ter muito mais torcedores que os pernambucanos, certo? E, no mínimo, o mesmo número de torcedores que os gaúchos, certo?
Pois é. Mas as pesquisas mostram uma distância enorme entre o tamanho das torcidas dos times gaúchos e dos paranaenses. Mesmo sobre a torcida do Atlético, que é de longe a maior do estado. A torcida do Furacão em Curitiba, podem ter certeza, é do mesmo tamanho que a de Inter ou Grêmio em Porto Alegre. O que faz a diferença, a favor dos gaudérios, é a torcida do interior do RS. O Atlético paga o pato por estar num estado colonizado não só por imigrantes mas por migrantes de outros locais do Brasil, principalmente de São Paulo (Norte) e do Rio Grande do Sul (Oeste). Não há uma identidade paranaense una, e isso se reflete nos times de preferência do povão no interior.
Os dados mostram, porém, que há bastante espaço para crescer. A população está crescendo tanto em Curitiba quanto no interior. Gente nova, que pode se identificar mais com o estado do Paraná e, porque não, com o Atlético.
Para isso, tem que se trabalhar de forma constante com essa gente. O Atlético já deu o primeiro passo com as dezenas de escolinhas espalhadas pelo estado. Mas ainda é pouco. A presença na mídia também precisa ser uma constante - o Atlético chegou a fazer algumas campanhas marcantes, como a do "Clube Atlético (dos) Paranaense(s)", mas de um tempo para cá nada tem sido feito nesse sentido. Ações com a garotada de todo o estado também são importantes, nas escolas e nos bairros.
Afinal, qual é a diferença para um garoto de, digamos, Umuarama, torcer para o Atlético, ou para o Internacional, ou para o Corinthians, se ele provavelmente nunca irá ver um jogo destes times no estádio mesmo? O que pode fazer a diferença é justamente esta aproximação, esta identidade com as coisas daqui e com as cores rubro-negras.
Sem falar no óbvio: a montagem de grandes esquadrões ajudará, e muito, na criação de um Atleticanismo verdadeiramente paranaense.
O Povão Rubro-Negro já domina a capital; agora falta o interior!

7 comentários:

Hélio Rubens Godoy disse...

Guerrilheiro, sou paranaense do Norte Pioneiro, e confirmo o que todo mundo já sabe, o norte do Estado é uma região onde o Atlético tem pouco torcedores. Na minha cidade, quando os grandes times de São Paulo ganham tem carreata e foguetório, quando o atlético joga, quase ninguém fala nada. Isto ocorre porque as pessoas de lá são carentes de uma referência em nosso Estado, torcem para times paulistas porque por muito tempo o Atlético ficou no limbo do futebol nacional, aparecendo em poucas oportunidades. Quando vim para Curitiba em 92, não era chegado em futebol e nunca tinha ouvido falar no Atlético, uns camaradas meus (Carlos e Dalto do Caiuá) eram fanáticos pelo Furacão, fiquei instigado a conhecer o time que fazia a cabeça daqueles malucos. Aos poucos fui conhecendo o rubro-negro, me identificando com o time e a torcida, que mesmo na 2ª divisão fazia o maior auê na city. Me tornei atleticano de paixão, descobri que meu sangue era rubro-negro e eu não sabia. Quando ia para o interior quase sempre ia com a camisa do time ou da Fanáticos, naquela época ninguém usava a camisa do Atlético por lá, então o pessoal ficava interessado em saber como era o Furacão, e ficavam perguntando sobre o time, os jogos, etc. Com o retorno à 1ª divisão, a nova Baixada, o título brasileiro e tantas outra alegrias que o Rubro-negro têm nos dado nos últimos anos, a situação está se modificando. Cada vez mais vejo as cores do Atlético quando vou para o interior, cada vez mais pessoas tem orgulho de ostentar o brasão do Furacão, até mesmo já encontrei algumas vezes amigos do interior na frente da baixada, pessoas que viajaram 350 km para ver o Atlético, para conhecer a força de nossa torcida e se encantar com as glórias de nosso time. Aos poucos a situação está mudando, mas ainda há um espaço enorme para ser preenchido, tenho certeza que a torcida do Atlético irá crescer muito no interior, se o time corresponder com títulos, este processo será ainda mais rápido.

Rampage ;] disse...

Grande Guerrilheiro, tudo bem!?
Sempre dou uma passadinha aqui no Blog, pra saber das novidades, mas, realmente, esse tema da questão dos torcedores é fato.
Eu, pro exemplo, sou carioca - e morei em Curitiba durante 5 anos, e isso foi suficiente para eu trocar uma camisa rubro-negra por outra! Por que?! Pq gostava de ver o Atlético jogar futebol! As pessoas saiam orgulhosas pela rua. Hoje, infelizmente, nossa tendencia é estacionar no Interior (mesmo com aceitação tão grande do plano de sócios!) porque o Atético não consegue ganhar repercussão em campo. Como nossa amigo falou antes, se isso começar a acontecer, esse proceso encurta muito! :)
Grande abraço, do carioca, atleticano!

Zeca disse...

A torcida cresce quando o time tem bons resultados e acredito que nos últimos 8 anos a torcida do atletico cresceu no interior do estado. Mas é preciso reconhecer que os Srs Petraglia e Fleury com suas declarações e atitudes criam também uma grande antipatia pelo time, principalmente no interior.

Juninho disse...

Os gauchos dominan tambem em santa catarina.
Sou de Xanxere, interior e tenho 15anos nas escolas so da gremista e colorado, da uns paulistas, ninguem torce pra catarinenses, mas sou eu o peixe fora da agua, mesmo assim sou um dos rarissimos que ja foi ver jogo do seu time no estadio, coisa que esses meus amigos dificilmente terao a oporunidade (serao raras) e vou com orgulho mostar a camisa rubro negra

Anônimo disse...

Sou de Cascavel e sempre torci pelo Atlético!!

Aqui no interior a maioria torce pra times do RS ou SP, mas são uns idiotas que nunca foram e nunca irão assistir um jogo de seu time no estádio, sentir aquela ansiedade antes dos jogos e participar da torcida; são torcedores da globo que só repetem oque eles assistem na televisão, não sabem nada de futebol ou sobre oque é torcer de verdade!!!

Nos últimos anos a torcida do FURACÃO ta crescendo mas tem potencial para aumentar muito, se houver investimento do atlético.

Anônimo disse...

Dias desses critiquei a postura da diretoria em brecar a transmissão dos jogos do paranaense pensando nos torcedores do interior e disse que dessa forma a torcida sempre ficaria restrita a CTBA. Recebi criticas aki no blog,de pessoas que afirmavam que sempre foi assim. Infelizmente a diretoria e grande parte da torcida Atleticana de CTBA é elitista e hipocrita e sente-se feliz que o Atletico não seja divulgado. Para esses torcedores, torcer pelo Atletico é como possiuir uma Mercedes.A maioria prefere apoiar o sumiço do CAP da TV por causa de quinhentos contos mas depois, criticam a saida de jogadores por dinheiro! Creio que o torcedor precisa assumir uma postura inteligente e definir uma linha de apoio. Para ser grande precisa aparecer, jogar e ganhar e não aparecer, perder, brigar e proibir.

ricardo disse...

Aí acho que vira a tal da "faca de dois legumes", anônimo. Veja, antes do Atlético se impor e exigir um reconhecimento ($$$) maior da TV, os direitos de transmissão eram praticamente nulos. Isso quando não paravam na Federação onde o nosso Onaireves "Houdini" ludibriava a todos os clubes dizendo que o melhor negócio era colocar a grana em criação de avestruz, ou dar murro em ponta de faca. Sempre havia alguma desculpa para as falcatruas.

Os clubes, que já viviam de pires na mão, em muitas ocasiões acabavam sem nada. Hoje, os valores já melhoraram e todos os clubes são beneficiados com o acréscimo. Uns mais, outros menos. E o Atlético que encabeça a parada, nada. Zero. Porque quer, pode dizer. Mas é a busca da valorização. E liderar isso é difícil. Como liderar qualquer coisa é difícil.

Na minha opinião, acho que a direção deve se perguntar: afinal o que é valorizar-se? Mais estrutura? Estádio moderno? CT de sonho? Na minha modesta opinião, creio que estrutura é fundamental para uma equipe de ponta mas, a forma mais rápida de valorização vem através das conquistas dentro do campo. Onze contra Onze. Como exemplo, o São Paulo. Bibrasileiro, libertadores e tal. Ano após ano. Infelizmente temos que admitir, mas isso é agregar valor. Que aumenta a renda, que aumenta a visibilidade e consequentemente aumenta a torcida...isso é facilmente comprovado através do aumento do homossexualismo no Brasil.

Concordo que perdemos visibilidade (e muita) no interior do Estado com essa restrição e que isso realmente torna o time alvo fácil para todo mundo tirar uma casquinha e dizer o quão antipático é o CAP. Mas é o preço que se paga. Creio que se a RPC oferecer 1 milhão para transmitir, o Atlético aceitará. A pressão é forte. Como diria o locutor que é tão ruim, mas tão ruim que ainda acho que vai virar “cult”, Jasson G: "PREESSSSSSSSSÃÃO!" (isso numa cobrança de lateral..hehehe)

SRN e vamo come porco amanhã!


RAKS