domingo, 6 de julho de 2008

Negrinho do Pastoreio

O Negrinho do Pastoreio era um escravo que pertencia a um estancieiro mau, muito mau. Sovina. Avarento. Um dia, o patrão mandou o menino pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. Quando voltou, seu dono disse que faltava um cavalo baio. Açoitou tanto o negrinho, e foram tantas chibatadas, até o menino não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas e o sangue escorrendo pelo corpo. O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu... O estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho num enorme formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos...
Três dias depois, o senhor foi ao formigueiro para ver o que restava do corpo do moleque. Qual não foi seu espanto ao ver o Negrinho em pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que ainda o cobriam. Ao seu lado, todos os cavalos que havia pastoreado e a Virgem, Nossa Senhora. Quanto tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo. Negrinho montou sobre um baio sem rédeas, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope.

Tal como o Negrinho, Alan Bahia passou por maus bocados em sua carreira. Viveu uma má fase técnica e foi massacrado por parte da mídia. Envolveu-se em um acidente e foi "açoitado" pela opinião pública. E hoje ele está aí, em pé. E, como que protegido por Nossa Senhora, sendo decisivo em várias partidas.
Alan comemora o gol contra o Santos (foto: Pedro Serápio, Gazeta do Povo)
Não foi apenas pelo jogo de ontem, no qual ele mais uma vez garantiu a vitória, fez gol (foto acima) e meteu um torpedo no travessão. Mas Alan Bahia já escreveu, definitivamente, seu nome na galeria dos Ídolos Eternos do Furacão.
Cria da casa, está no Atlético há 11 anos e passou por todas as categorias de base até chegar ao profissional, em 2002. Sempre vestiu a camisa rubro-negra com respeito, dedicação e raça. Depois de passar por uma fase de "açoite", deu a volta por cima e hoje está aí: é peça fundamental do time, um leão na marcação e agora com rompantes de artilheiro - marcou 4 dos 10 gols do Atlético neste Brasileirão. Nos últimos anos, tem se destacado também por ser decisivo em jogos importantes, como nos clássicos locais, marcando gols e tornando-se algoz de coxas e paranistas.
Ontem, contra o Santos, Alan fez sua 285ª partida pelo Furacão, e já marcou 34 gols.
Em entrevista à última edição da revista Nosso Furacão, ele comentou essa identificação com o clube e a torcida: "Tenho amor e gratidão ao Atlético. Tudo o que eu tenho hoje devo ao clube. Eu passei a ser atleticano mesmo e meus familiares também. Nunca vesti outra camisa que não o manto sagrado e me sinto gratificado por vestir a camisa do Atlético. Sempre que estou em campo, luto para vencer. Quando visto a camisa rubro-negra, visto como se fosse a minha segunda pele".
Alan, o Negrinho do Pastoreio Rubro-Negro, já faz parte da Galeria dos Heróis Eternos do Furacão.
E a torcida espera que ele fique por aqui por mais 11 anos.
Valeu, Alan!

12 comentários:

Anônimo disse...

Nao vai referenciar o texto de erico verissimo presente em "o continente"?

Anônimo disse...

O Alan Bahia está decidindo os jogos, só pra ver o dano que a presença do MR está causando.

Parabéns pela ótima fase, Alan Bahia. Queria que entrasse aquela cacetada do meio da rua. Coisa linda aquele chute.

RAKS

SRN

Anônimo disse...

Será que o Bahia não está saindo pela "janela" ? por que esse balaio de volantes? e devemos torcer para ele ficar ou pra ele sair, ganhar uma graninha por aí?

Mano disse...

Alan Bahia nunca será meu ídolo. É valente, oportunista mas pra ídolo é demais. Estou começando a me preocupar com esses novos ídolos. Antigamente eram Alex Mineiro, Gabiru, Jadson, Washington entre outros.

Anônimo disse...

SE ELE SAIR, É UM PREMIO PRA ELE. SE ELE FICAR, É UM PREMIO PRA NÓS.
PORTANTO NÃO VAMOS DIZER QUE ALGUÉM É CULPADO POR ISSO OU AQUILO. A REALIDADE É ESTA.

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Alan Bahia fez 1.000 vezes mais pelo Atlético, nesses 11 anos, do que o Washington. E acho que, se eu me debruçar nas estatísticas, vou descobrir que ele já deve ter feito mais gols nos coxas e paranistas do que o Gabiru. É idolo, sim!

MAICON disse...

Alan Bahia foi vítima da maior sacanagem da história do futebol mundial. O técnico Antonio Lopes deu uma de "professor pardal" e deixou o Alan, que era titular, no banco de reservas logo na final da Libertadores contra o São Paulo, no Morumbi. E colocou quem em seu lugar para começar a partida como titular??? ANDRÉ ROCHA!!!! O resultado, todos já sabem...

Valeu Alan, você é fera e é um grande atleticano!

Anônimo disse...

O Bahia é a cara do Trétis, confiável 100 por ciento -
é meu idolo também

Sandro Moser

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Mano,

Só pra concluir meu raciocínio: nem todo ídolo precisa ser craque. Alan não joga tanta bola como o Jadson, nem faz tanto gol quanto o Washington ou o Alex Mineiro. Ele é um outro tipo de ídolo, é o cara que se identifica, que tem raça. Assim como foram Fião, Cacau, Adílson, Marcão (os dois, o zagueiro e o lateral), Reginaldo Cachorrão e tantos outros.

Abs

cézar disse...

parabéns pelo texto Guerrilheiro sobre o Alan Bahia. Quanto as qualidades técnicas dele pode-se discutir. Quanto ao amor a camisa e dedição, acho que é unanimidade.
Um abraçao

Anônimo disse...

Alan Bahia é bom,aumenta a auto estima da torcida e é idolo sim. É Alan bahia e mais 10. Merece a faixa de Capitão.

Fernanda disse...

É claro que Alan Bahia é ídolo! Tem muita identificação com a torcida, também tem feito os gols que nos garante alguma alegria atualmente...

Além do mais, hoje, quem seria ídolo no CAP?