quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vilson: "Essa torcida é que me faz vibrar pelo Atlético até hoje"

No final dos anos 80, ele era o xodó da torcida. Prata da casa, conquistava a galera com suas arrancadas espetaculares - num tempo em que ainda se jogava com "pontas", um em cada lado do campo.
Geralmente, Vílson Galon - ou somente Vilson - estava no banco de reservas. Mas entrava no time para incendiar a partida - e, muitas vezes, para salvar o Furacão de alguma derrota.
Foi isso que aconteceu naquela tarde em julho de 1988, na Vila Olímpica - casa do extinto Esporte Clube Pinheiros. Na primeira partida da decisão do campeonato paranaense, Vílson entrou aos 40 do segundo tempo e marcou, aos 42, o gol salvador.
Em entrevista ao Blog da Baixada, Vílson, hoje com 41 anos, conta como foi aquela partida e sua relação com o Atlético, clube que defendeu de 1984 a 1990: "Esta torcida é que me fez estar até hoje torcendo e vibrando pelo clube".
Confira:
O gol decisivo visto de dois ângulos: adiantado, Vílson alcança a bola
alçada na área e, de cabeça, encobre o goleiro Toinho. Empate garantido.


Já faz quase 20 anos que você saiu do Atlético. Depois de deixar o clube, você continuou a acompanhar o Furacão?
Sim, e é o time para o qual torço. Meu time de coração era o Grêmio – coisa de criança –, mas o Atlético marcou minha vida.

Agachado, à direita: em 1985, na velha Baixada, debutando nos profissionais.

Uma das partidas mais emocionantes que vi em toda minha vida foi a primeira final entre Pinheiros x CAP, na Vila Olímpica do Boqueirão, em 1988. Naquele dia, você foi o herói. Fale um pouco sobre este jogo.
É verdade. O treinador era o Nelsinho Batista. Lembro-me que estávamos perdendo por 1 a 0, e aos 40 minutos do segundo tempo ele olhou para o banco e disse “Entra lá, Vilson”. Peguei duas vezes na bola. Na segunda o Cacau , volante, deu um balão para dentro da área adversária. Eu, como era muito rápido, apareci por trás da zaga e cabeceei por cima do Toinho, o goleiro do Pinheiros na época. Isso foi aos 42 minutos da fase final... Foi emocionante, pois a torcida atleticana sempre foi muito participativa e naquele dia em especial ela empatou a partida junto com os jogadores.

Naquele jogo, mesmo com o Atlético perdendo, a torcida estava ensandecida. O que você acha da torcida do Furacão?
Eu joguei em 13 clubes profissionais além do Atlético. E acho que esta torcida é que me fez estar até hoje torcendo e vibrando pelo clube.Para mim, pessoalmente, é a melhor torcida dentre os times que atuei.

Seu grande momento no CAP foi nesse jogo contra o Pinheiros. Você lembra de algum outro momento especial?
Lembro-me da Copa União, quando disputamos o Módulo Amarelo (a 2º divisão da época), ficamos na terceira colocação e subimos para a primeira divisão já no primeiro ano. E também os campeonatos de juniores que fomos campeões em cima do Pinheiros. Tenho todas essas recordações em meu álbum no Orkut

Nesse tempo todo de Atlético, você jogou com muitos craques. Quem foi o maior jogador que você viu jogar?
Quando eu cheguei no clube estavam Rafael, Roberto Costa, Capitão, etc... O tempo passou e vieram Renato Sá, Julio César, Rondinelli... foram tantos que marcaram a vida do Atlético que é difícil falar de um só.

Em 1988, no vestiário do Pinheirão, com seu irmão caçula, Nélio, e os
colegas e ídolos Assis e Carlinhos Sabiá.


E o melhor treinador que você já teve?

Lembro-me com muito carinho do Cláudio Duarte, ele foi o primeiro a confiar em mim e me colocar numa partida profissional na antiga Baixada – foram 20 minutinhos dos mais importantes na minha vida. Porém, o cara que mais entendia de futebol era o Nelsinho Batista – novo na época, mas já bem diferenciado.

Você começou a carreira no Vasco e veio para o CAP ainda Junior. Como veio parar aqui?
Sim, fiz teste no Vasco na mesma época de Mazinho, Romário, etc... Joguei no juvenil do clube em 82 e 83, quando fomos campeões. Mas minha família é toda aqui do Paraná, e a saudade me fez voltar. Meus pais moravam em Matinhos na época e minha mãe não agüentava ficar longe. Daí meu pai pediu pra eu fazer um teste em algum time da capital. Fui ao Atlético e deu certo.

E depois do Atlético, por onde andou?
Em Santa Catarina, no Figueirense, Chapecoense, Marcílio Dias, Avaí – de onde saí para o Pachuca, do México. Fiquei lá por duas temporadas – 1993 e 1994. Foi aí que nasceu o grande amor da minha vida, minha filha Mariana, hoje com 14 anos, que mora em Curitiba e foi convocada na semana passada para a seleção infanto-juvenil de vôlei. Voltei ao Brasil em 95, e ainda joguei mais um pouco e parei, aos 30 anos, de atuar profissionalmente.

Depois você voltou a morar em Curitiba. Freqüentou a nova Baixada?
Como poderia deixar de visitar e curtir este templo lindo? Só sinto tristeza por não ser mais novo para poder entrar naquele gramado e participar de um jogo, junto a essa torcida fanática.

Alguns colegas seus que jogaram com você, como o Adílson Batista, hoje são treinadores. Você nunca pensou em seguir essa carreira? O que você faz atualmente?
Bem, quando parei de jogar eu fui trabalhar na Siemens e dei uma sumida da mídia. Naquele tempo as coisas eram mais difíceis. Não tinha muita segurança pra jogar, imagina pra treinar. Então fiz faculdade de Administração e há pouco tempo me mudei para Foz do Iguaçu, onde ajudo a administrar os negócios de meu irmão. Logicamente, perdi algumas oportunidades de me tornar auxiliar... Mas nunca é tarde! Se algum treinador precisar de uma pessoa de boa índole e idônea, pode contar comigo! (risos)

10 comentários:

Anônimo disse...

O furacão.com perdeu o domínio?

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Manutenção...

Anônimo disse...

Excelente Materia!
Parabens Guerrilheiro.



Paulo R.

Fernanda disse...

O que nos faltou domingo passado, foi um cara como o Vilson, um herói com estrela...
Ao contrário, não tínhamos um líder em campo, muito menos heróis para "chamar a responsabilidade" e buscar um resultado positivo para a nossa torcida.

SRN!!!

Anônimo disse...

Carlinhos Sabiá. Ai que saudades que dá.
prof@no.

Anônimo disse...

Guerrilheiro, você não tem noção da importância do teu blog para os atleticanos da antiga, como eu. Primeiro, a entrevista com o inesquecível Marolla, agora o Vílson. Neste espaço, o velho Trétis, aquele que aprendi a amar, tão maltratado pela atual diretoria, segue vivo e forte. Grande abraço.

Gustavo disse...

Tive a oportunidade de conviver profissionalmenete com esse "cara" por alguns anos. Apesar de torcer para o arqui-rival do Atlético, nos demos muito bem, o Vilson é um amigo que vou levar comigo para sempre. Jamais vou esquecer os campeonatos que disputamos na Siemens, e posso dizer com orgulho que meu time desbancou os Veteranos da Siemens e conquistou alguns campeonatos. Vilson "AMIGÃO" fica com Deus e continue sendo essa pessoa bacana que é você.

gersonkr disse...

Guerrilheiro, parabéns por mais essa entrevista e por resgatar aos mais jovens as lembranças de Vilson e das alegrias que ele nos deu. Lembro dele num jogo de torneio inicio no Pinheirão e ele destruindo o jogo com jogadas fantásticas sempre pelas pontas.
Que o pessoal novo que está chegando ao Atlético se inspire no amor e na raça desse Profissional que amou e ama nosso time como nós!! Abraços!!

Rubens - Eu não sou o culpado ! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rubens - Eu não sou o culpado ! disse...

Eu Conheço o Vilson Galon e o Nélio, eles moram em foz do iguaçu PR , onde eu tbm moro ,somos bem amigos Nélio ja tem um filho de categoria sub 7 , e joga muito o garoto , Vilson ja me contou a sua historia e digo q ele e meu idolo , :) se esta duvidando do q eu digo me add no msn : rubens_arnaldinho@hotmail.com