quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sem poesia...

O pior é que domingo, na Baixada, vai ser bem assim...
No estádio, sem minha latinha

Ivan Moraes Filho, do blog Bodega

Era uma noite de quarta-feira como muitas outras. Mais uma vez, vestia a camisa rubro-negra do Sport. Mais uma vez, chegava à Ilha do Retiro várias horas antes do início da partida. A gente fica sempre por ali, na sede do clube, tomando uns goles de cerveja e fazendo a resenha pré-jogo. Quem vai jogar, quem não vai. Como será o esquema tático, quanto será o jogo. Quem é o juiz?

Ontem, porém, o assunto era outro.

“Vai vender cerveja lá dentro?” era pergunta constante. Afinal de contas, poucos dias antes a Confederação Brasileira de Futebol determinou que em partidas de campeonatos nacionais seria proibida a venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. Mesmo sabendo dessa tragédia, a gente fazia que não acreditava. Que isso devia ser coisa lá de São Paulo, Rio de Janeiro. Enfim, a gente acha que só pode acontecer com os outros.

Dito e feito. Subindo as escadas que dão acesso às cadeiras, o bar vazio denunciava a norma em vigor.

Mas a gente não quer acreditar no que vê.

“Me dê uma cerveja por favor”, insisto com a notinha de dois reais entre o indicador e o médio.

“Como, se tá proibido?”

Tava mesmo. Salvo quem entrou com alguma coisa entocada na roupa ou na bolsa, a maior parte dos mais de 31 mil torcedores sofreu a seco.

O jogo em que Sport se classificou heroicamente para a semifinal da Copa do Brasil foi tenso, com reviravoltas, expulsões, gols no finalzinho. Imagine isso sem nem um golinho de cerveja. Imagine gritos de gols sem aqueles respingos clássicos de cerveja nem-tão-gelada, tão característicos dos momentos decisivos.

Não. Sem cerveja o futebol não fica chato e o espetáculo continua fantástico. Mas não há como negar: perde um pouco a poesia.

Isso tudo sem falar no prejuízo causado ao clube, aos concessionários dos bares do estádio, aos gasozeiros que contam com o dinheiro da birita pra garantir o leite da garotada.

Não, não está certo.

Curioso saber que não se trata de uma lei. É ‘apenas’ uma determinação da CBF, entidade máxima da cartolagem nacional. O problema é que aqui os clubes têm mais medo da CBF do que da polícia. Até porque a polícia não tira pontos do time nem interdita estádio.

O argumento dos engravatados é de que, com menos goró no quengo, os torcedores mais arengueiros vão se comportar melhor. Esqueceram de dizer a eles que o Brasil é grande e que aqui em Pernambuco, por exemplo, a violência maior acontece fora dos estádios e não dentro deles.

A verdade é que alguém precisa fazer alguma coisa para acabar com essa insanidade. Ouvi falar (mas não achei na Internet) que já tem clube ganhando na justiça o direito de vender o gagau-nosso-de-cada-jogo.

Onde estão os departamentos jurídicos numa hora dessas?

Um comentário:

LBL disse...

Fica frio que a cerveja já tá gelando....
Conseguimos a liminar essa tarde, no final do dia intimamos o Atlético da decisão!
;)