quinta-feira, 15 de maio de 2008

Se a causa é boa, ganham-se aliados

Enquanto por aqui os adversários zombaram da idéia e a imprensa corporativista desdenhou, a proposta do Atlético de cobrar das rádios pelos direitos de transmissão começa, aos poucos, a ser melhor digerida e a ganhar aliados. Primeiro, foi a recém-criada associação de clubes paranaenses que já admitiu cobrar pelas transmissões. Agora, a idéia é debatida em outros cantos do país. Como mostra este comentário publicado no tradicional Blog do Santinha, de Pernambuco, o qual transcrevo abaixo:
Se a causa é justa, a briga é boa

por Inácio França

Faz tempo que o blog não compra uma boa briga. A pressão contra o “pior presidente da história do clube” não conta: o sujeito é um raríssimo caso de unanimidade negativa. E não tem graça ficar batendo na mesma tecla. Não há paciência que agüente.

Estávamos muito comportados. Então, Vou pegar carona na idéia alheia, uma idéia que carece de aliados, discussão e de lenha na fogueira.

Alguns sites especializados em futebol e alguns meios de comunicação do sul do País noticiaram com discrição o fato do Atlético Paranaense pretender cobrar das emissoras de rádio R$ 15 mil pelas transmissões de cada partida do clube na Arena da Baixada. As rádios interessadas teriam de pagar pouco mais de R$ 450 mil por pacote anual, se não me falha a memória.

As emissoras do Paraná chiaram e entraram na Justiça. Aqui, foram publicadas algumas notinhas perdidas no noticiário. Os donos da mídia pernambucana não têm nenhum interesse em ver propostas assim circulando, afinal os três jornais locais fazem parte de grupos econômicos que possuem suas próprias rádios.

A diretoria do clube argumenta assim: “Só queremos fortalecer a nossa marca, que traz audiência e faturamento para as rádios, assim como já ocorre com as televisões”, disse Luciana Pombo, moça que é diretora de comunicação do clube, cuja frase foi publicada na edição desta semana da revista Carta Capital.

A decisão de uma juíza de Curitiba colocou o assunto em evidência. Em primeira instância, a Justiça deu razão às emissoras. Com base no Estatuto do Torcedor e na Lei Pelé, a juíza alegou que a legislação não regulamenta a transmissão radiofônica das partidas de futebol. O problema é que, em sua sentença, a juíza parece bem preocupada com a saúde financeira das emissoras de rádio. Vou reproduzir exatamente o que diz o texto da sentença: “impedida de transmitir os jogos, (a rádio) estaria sofrendo graves prejuízos de ordem financeira e também perda de audiência – fonte que propicia a angariação de anunciantes e o auferimento de lucros”.

Ora, aqui está o ‘x’ da questão. O clube de futebol paga os salários dos jogadores, taxas de arbitragens, conta de luz e até mesmo uma estapafúrdia taxa que é retirada das rendas de todos os jogos e repassada para a ACDP (Associação dos Cronistas Desportivas de Pernambuco). E são as rádios que lucram com a venda de anúncios e tempo de publicidade. Os clubes oferecem o espetáculo e ficam com o prejuízo. Além disso, quem atua na área costuma até ouvir relatos de profissinais de rádio que trocam elogios ao vivo por “ajudazinhas”.

As emissoras, ao transmitir jogos, não fazem jornalismo, é puro entretenimento. Pelo qual não desembolsam um tostão furado. Muitas vezes, nem os salários dos radialistas representam custos para as empresas, pois os horários de futebol são terceirizados para “equipes de esportes”.

É uma besteira sem tamanho pensar que meios de comunicação, nesse caso as rádios, são instituições de utilidade pública, que prestam serviços para a população. Estamos falando de empresas, com interesses financeiros e que vão fazer de tudo para manter sua margem de lucro. Os clubes precisam enxergar essas empresas como clientes, nunca como benfeitores.

É provável que os donos das rádios do Paraná tenham recorrido ao surrado conceito de liberdade de imprensa. Papo-furado. Esse é um cobertor velho, cheio de furos, que já não serve para cobrir os reais interesses das empresas da mídia. O argumento da tal liberdade de imprensa não resiste a teste simples. Qualquer cidadão que tentar entrar no espaço reservado às cabines de imprensa dos estádios do Recife, explicando, por exemplo, que vai usar uma das cabines para transmitir o jogo por meio de uma rádio virtual na Internet, será barrado na entrada. Só entra quem paga pela credencial. O pagamento é feito para a tal associação de cronistas e não para o clube proprietário do estádio.

Na conjuntura atual, em que o antigo modelo de financiamento dos clubes de futebol está falido – só os bocós que se sucedem na presidência do Santa Cruz ainda não perceberam isso -, é urgente pensar em novas formas de arrecadar recursos de forma sustentável. Cobrar das emissoras de rádio é uma excelente idéia, que precisa ser debatida pelos clubes brasileiros.

O Atlético precisa de aliados e, é provável, que essa luta aconteça no campo político. Posso até especular que, se for preciso mudar a lei, a luta no Congresso poderá acontecer entre duas grandes bancadas: o pessoal do futebol contra os parlamentares donos de rádios. Com certeza o jogo será sujo. Mas talvez não seja preciso tanto, afinal a sentença da Justiça do Paraná expressou apenas o ponto-de-vista de uma juíza. A razão talvez esteja do outro lado.

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Em tempo: na enquete feita pelo Blog do Santinha, 65% dos votantes são favoráveis à cobrança das rádios.

15 comentários:

Anônimo disse...

Já seria pesado para uma rádio grande como a Transamérica pagar o valor estipulado pelo CAP,(algo em torno de 450.000,00 por ano), se as rádios tiverem que pagar para todos os clubes, com certeza em pouco tempo não teremos mais transmições radiofônicas no Paraná. Até concordo com a cobrança, pois a audiência do jogo gera receitas às rádios, mas o valor pretendido pelo Atlético é absurdo. É incrível ver a quantidade de alienados aqui, dizendo que vão boicotar tal rádio, eu quero imparcialidade e visão crítica nas narrações, se for pra ficar escutando em um canal oficial (site do time) prefiro nem escutar, isso é coisa de ditador, sejamos imparciais e inteligentes.
Obs: sou atleticano.

Anônimo disse...

Guerrilheiro,

Antes de mais nada quero dizer que sou atleticano de quatro costados. Todavia, como já disse outrora, a cobrança das rádios não possui fundamento jurídico. Parece ser clara e proposital a omissão da Lei Pelé quanto à possibilidade de cobrança das rádios. Só é permitida a cobrança das TV's. Não há fundamento jurídico, pelo que vejo, para impor às rádios a cobrança, por mais que elas merecessem ser cobradas, seja para puni-las pela parcialidade, seja para melhorarem o serviço. Enquanto isso não adianta o Atlético ficar batendo de frente sozinho contra tudo e todos. Seria necessário uma ampla atuação dos clubes. Ainda assim, mesmo com lobby e Clube dos 13 eu ainda entendo que será difícil a cobrança das rádios sem uma mudança na legislação. Nosso Judiciário não é evoluído o suficiente a ponto de perceber a justiça e equidade na cobrança, o judiciário quer a lei escrita.

Marcos disse...

As rádios sabem melhor do que ninguém que mais cedo ou mais tarde terão que pagar, como há muito tempo as televisões já pagam. Quanto aos valôres a serem cobrados, acho que pode-se conversar. O que não pode são os EMPRESÁRIOS detentores das CONCESSÕES PÚBLICAS que é o que são os prefixos da emissoras de rádio, recusarem-se pelo menos em discutir e debater como e quanto seria esse pagamento. E por favor não venham com o papo ridículo e furado de que "prestam um serviço de divulgação gratuito aos clubes transmitindo seus jogos".

Anônimo disse...

Novamente este assunto? Vamos lá tentar esclarecer. As rádio não se negam a pagar, desde que seja cobrado um preço justo e por quem organiza a competição. me parece que existe ma vontade do blog em entender isto. ou estou errado?

Anônimo disse...

não se negam a pagar? já houve então uma contra proposta?

GUERRILHEIRO DA BAIXADA disse...

Pelo que me consta, as rádios nunca se propuseram a pagar nenhum centavo. E esse assunto continuará a aparecer por aqui, porque considero relevante.

Anônimo disse...

Se a nossa querida RPC para R$500.000,00 para transmitir o campeonato todo, sendo que no RS a afiliada da Globo paga R$5.000.000,00 para o Grêmio/Internacional e em SC é pago R$1.000.000,00.
Qual seria o valor justo?
Os Clubes é que tem esse poder de barganha, quem gosta de esmola como o Coritiba e o Paraná permanece na pobreza!
Futebol é negócio e quem não souber negociar está fora!!!

Claudio disse...

O assunto é importantíssimo, e terá que ser discutido bastante. Acho corretíssima a atitude do blog em trazer o tema à tona sempre que surgir um fato novo! Acho também, que as mais diversas opiniões tem que ser respeitadas; sem essa de taxar impressões contrárias de "alucinadas", ou "alienadas". Ou querer ser dono da verdade com o famigerado termo: "sejamos inteligentes...". E façam-me outro favor; parem de se esconder com o fajuto argumento: "...antes de tudo sou Atleticano..." - não convence ninguém! É muito fácil perceber o sentimento rubro-negro por entre as linhas de quem verdadeiramente o possui!...

Juca disse...

Bom ver que do outro lado do Brasil as pessoas consideram essa causa justa.Enquanto isso a imprenssa paranaense dele pau no Atletico e dele comentar uma provavel perda de pontos e dele comentar uma punição pela não entrega do troféu as verdinhas e dele pau como sempre. Deviamos mudar o nome ra Clube Atletico Brasileiro porque aki no Pr tá feia a coisa

buenooo disse...

Na boa, de tanto ver a parcialidade da imprensa aqui, já comecei a achar graça nas matérias. Todo dia uma desgraça nova. Sério...

Anônimo disse...

O QUE AS RÁDIO DISCUTIRAM FOI O PREÇO PROPOSTO PELO ATLÉTICO, E O FATO DE NÃO SER O CAP O ORGANIZADOR DO CAMPEONATO. VEJA SE O CAP QUER 15 IL REAIS POR JOGO, IMAGINE AS EQUIPES GRANDES COMO; SÃO PAULO, GRÊMIO, CRUZEIRO, SANTOS, FLAMENGO... QUANTO COBRARIAM? QUEM TEM QUE COBRAR POR TODO O CAMPEONATO É O CLUBE DOS 13. PORQUE DAI AS RÁDIO VÃO PAGAR PELOS GRANDES E PEQUENOS, COMO É O CASO DE ATLÉTICO, CORITIBA, NAUTICO, SPORT... ENTENDEU? SE QUISER POSSO EXPLICAR DE NOVO. QUEM TEM QUE COBRAR É QUEM ORGANIZA A COMPETIÇÃO. E PODE TER CERTEZA QUANDO ISTO ACONTECER AQUI EM CURITIBA APENAS DUAS RÁDIOS IRÃO COMPRAR. DEPOIS CONTO AS RÁDIOS QUE TEM CONDIÇÕES DE PAGAR.

Anônimo disse...

haha
tem gente que se estressou

NÉ???

=P

Anônimo disse...

Se estressou vai tomar uma, pra esfriar a cabeça, o furacao tem mais é q cobrar das radios, só elas ganham emcima dos clubes.

Anônimo disse...

Eu sou de Recife e até tinha simpatia pelo furacão (apesar das cores). Porém quando esta equipe tirou Givanildo na reta final do pernambucano, favorecendo o Sport, além de emprestar muitos jogadores ao mesmo, sinceramente, perdi a simpatia.

Capital do Frevo disse...

Prezado Juca,

O que você quer dizer com "do outro lado do Brasil..." ??