quinta-feira, 27 de março de 2008

Dia de clássico (II)

A apresentação da partida de hoje no estádio da RFFSA, pela reportagem da Tribuna do Paraná:

É pra derrubar a gralha

Matar um leão por dia. O velho ditado representa o que tem sido o cotidiano do Atlético desde o péssimo início de segunda fase do Estadual quando a cada jogo tem que demonstrar muita superação em campo. E para o clássico de logo mais às 20h30, na Vila Capanema, não será diferente, apenas mudará o animal a ser abatido. Hoje à noite o objetivo do Furacão é derrubar a Gralha Azul do alto da tabela e assim manter-se vivo na disputa por uma das vagas à semifinal do Estadual.

Para tanto, o Atlético aposta na mesma formação que venceu o Iraty, no domingo passado, e que devolveu a esperança de classificação no CT do Caju. As novidades estão no banco e são boas opções para mudar o panorama do jogo. Os reforços Zé Antônio, Léo Medeiros e Rogerinho dão mais qualidade ao técnico Ney Franco para mexer na equipe.

Revanche

O clássico é uma revanche e ganha muito mais importância do que se possa imaginar. Em caso de vitória, o Atlético ganha a posição do Paraná, no saldo de gols, e volta, inclusive, a sonhar com o primeiro lugar do grupo. Uma derrota cairia como um balde de água fria e praticamente limitaria o Furacão a depender de outras combinações para respirar na competição.

Sobre a revanche, o meia Netinho disse que é “coisa do futebol” e é salutar desde que fique restrita ao gramado. “Perdemos em casa então tem um gostinho de vingança, mas dentro de campo. Jogando bom futebol. O nosso objetivo é conseguir a vitória e devolver o resultado para o Paraná. Ficamos muito chateados com a derrota dentro da Arena e do jeito que aconteceu”, explicou o meia.

Raça

O ala Piauí não quis levar para o lado explícito do revanchismo, mas em suas palavras fica clara a conotação. “Não da pra falar em revanche para não motivar o outro lado. Temos que pensar é no Atlético que precisa da vitória. Mas clássico tem aquele gostinho”, disse. O jogador ressaltou a necessidade de o time demonstrar muita garra pois a partida pode definir o futuro do Rubro-Negro no campeonato. “Cada um tem que se empenhar e lutar até o final. Jogar com raça para mostrar a verdadeira cara do Atlético”, finalizou.


Rivalidade à flor da pele

Eles concentram 70% dos títulos estaduais das duas últimas décadas. Protagonizam clássico com retrospecto bastante equilibrado. E cada vez se suportam menos. Paraná e Atlético fazem esta noite mais uma partida decisiva, o que vem se tornando constante neste século.

Desde a fundação do Tricolor, em dezembro de 1989, houve 18 edições do Estadual - sete delas vencidas pelos paranistas e seis pelos atleticanos. O Coritiba, outro grande da capital, teve apenas três conquistas neste período. A estatística dos duelos pelo Campeonato Paranaense reforça a equiparidade: 15 vitórias do Atlético e 14 do Paraná.

No cômputo geral dos clássicos, o Atlético tem vantagem maior: 27 triunfos contra 21 do vizinho. Mas, se excluídas as quatro vitórias rubro-negras em jogos de pequena importância (duas pela Copa Sesquicentenário, em 2003, uma pela Copa 100 Anos, em 2006, e outra num amistoso em 2000), a superioridade “real” cai para apenas duas vitórias.

Se nos primeiros 10 anos de confrontos houve poucos jogos decisivos, o panorama mudou a partir de 2001. Naquele ano, o Furacão conquistou o Estadual com três empates na final contra o Tricolor. Em 2002, nova decisão, com duas goleadas: 6 x 1 para o Atlético e 4 x 1 para o Paraná, e o Rubro-Negro era tricampeão paranaense. Em 2006 fizeram o primeiro clássico paranaense em competição internacional, e o Furacão novamente despachou o adversário, pela Copa Sul-Americana. No ano passado, pela semifinal do Estadual, uma inédita vitória na Arena colocou o Paraná na decisão.

Além dos mata-matas, uma série de duelos memoráveis marcou os últimos anos do clássico. E nem sempre o mais badalado venceu. Os paranistas enlouqueceram quando o desacreditado time de 2003 enfiou 3 x 0 no rival, com direito a pênalti perdido por Marquinhos, pelo Brasileirão. Os rubro-negros se orgulham da aula de futebol nos 4 x 0, com direito a gol de placa de Denis Marques, no mesmo Brasileiro em que o Paraná chegou à Libertadores, em 2006.

Paralelamente, várias provocações, divergências políticas e polêmicas extracampo que tiveram como último capítulo a bala na cabeça de Cristian, há duas rodadas só reforçaram a crescente rivalidade entre os clubes dos extremos da Rua Engenheiros Rebouças.

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