sábado, 8 de março de 2008

Dez atleticanas...

Como explicar o fascínio pela combinação do vermelho e preto? Não se assuste, passa longe de mim a idéia de trazer alguns dos incontáveis significados e usos das duas cores, mesmo porque são também incontáveis as linhas/orientações que pretendem interpretá-las. Mas vou arriscar uma incursão pela mitologia grega, plena de sugestões de interpretação do nosso imaginário. Orfeu canta a noite, "mãe dos deuses e dos homens, origem de todas as coisas criadas", e esse preto da noite "reveste o ventre do mundo, onde, na grande escuridão geradora, opera o vermelho do fogo e do sangue, símbolo da força vital". Resultado: uma operação/combinação que envolve as entranhas...
Tal é o caso de Dona Gessy, há mais de cinqüenta anos magnetizada pelas cores rubro-negras. Ela nasceu em Guarapuava e quando casou veio morar em Curitiba - sorte das sortes, bem pertinho da Baixada. "Por influência de tudo, acho que nasci atleticana: lá no interior meu pai já era atleticano, eu adoro o vermelho e o preto e morei 32 anos perto da Baixada. Tinha um barranco, era só terra ali, mas era nossa arquibancada. A gente levava banquinho, pipoca, água e bandeira. Não perdíamos um jogo, meu marido, eu e meus três filhos, domingo era sagrado para nós".
Dona Gessy tem sete filhos, 10 netos, 10 bisnetos e, com o orgulho de uma matriarca do futebol, contabiliza: "entre 27 pessoas na família, apenas quatro coxas e um paranista". Ambas comemoramos essa "goleada" e ela continuou: "Eu tenho muiita saudade daquela Baixada. Inclusive, eu tenho as pedrinhas da Velha Baixada, guardo ali na pratileirinha do meu quarto os pedacinhos, a lembrança. Uma saudade mesmo porque ali era o amor pelo time, os jogadores jogavam por amor, pela camisa do Atlético. Hoje são poucos os que jogam assim. Mas eu continuo apaixonada pelo futebol, pelo Atlético, uma coisa que não sei explicar. Você viu, né? Meu quarto, meu banheiro, é tudo vermelho e preto".

Trecho do livro Dez atleticanas e uma fanática, que Antonia Schwinden lança nesta terça-feira, dia 11, na Baixada.
Imperdível.

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