quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Santo

Em sua coluna na Tribuna do Paraná desta quarta-feira, Augusto Mafuz comenta o empréstimo do ídolo Ferreira para o futebol árabe. Confira:
Ferreira, Carnaval e cinza

Há tempo para tudo, aprende-se com Santo Agostinho. Mas egoístas, nós mortais desejamos a eternidade.

O que nos agrada e nos faz feliz, não queremos perder.
Ferreira, o colombiano de um metro e meio, talvez nem tanto, de estética física meio esquisita, mas extraordinariamente grande e belo jogando futebol, foi embora do Atlético. Dizem que foi por empréstimo jogar para os árabes. Se jogar o que sabe, nunca mais voltará.
Ferreira é daqueles mistérios do futebol. Sabe tudo de bola, como tratá-la, como conduzi-la, como fazê-la o instrumento para que o futebol seja uma arte. O mistério é que teve retardada a explosão de todas as suas virtudes. Se fosse brasileiro, sua história seria mais longa.
Mas é tão fantástico, que três anos bastaram para ser ídolo no Atlético. Não um ídolo ganhador de títulos, mas um ídolo salvador, pois jogou em uma época de carência. Sozinho salvou o Furacão de cair para a 2.ª divisão.
Sou torcedor e sei bem quando um ídolo vai embora: inconformado, fica o sentimento da perda irreparável. Mas o futebol mudou, e hoje não pode existir mais a compreensão para evitar alguns sentimentos. O negócio, às vezes, é mais importante que a perda do ídolo. Nada sobrepõe a instituição, que precisa viver.
E quando é inevitável, a perda não tem momento. Pode ser no Carnaval, como foi a de Ferreira. Como foi a de Maria, que na poesia de Luiz Carlos Paraná, cantada por Roberto Carlos, morreu em pleno Carnaval. Mas diferente desta Maria, Ferreira pode ser chamado de santo, mesmo deixando cinzas na Arena.

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