segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Méritos de Ney

Em sua coluna desta segunda na Tribuna do Paraná, Augusto Mafuz fala sobre os resultados do trabalho do técnico Ney Franco no Atlético. Confira:

Bola parada
A bola parada como origem para o gol era uma exceção no futebol. A regra era o talento como origem, entendo-o como a bola feita instrumento de arte nos pés do craque, ou então o drible, a tabela e a bola cruzada para o gol de cabeça.

Os espaços se fecharam para essas origens do gol. O próprio gol como objetivo final de uma partida de futebol deixou de ser necessariamente um resultado espontâneo da virtude natural do jogador. Às vezes tem-se a sensação, que o gol é resultado de um programa mecânico.

Vou ao ponto: a vitória do Atlético sobre o Galo, 3x0. Os três gols nasceram de jogadas de bola parada. Se me lembro bem, mais da metade dos gols do líder tiveram a mesma origem: a bola parada.
O fato poderia significar o único recurso para a vitória, carência técnica, pobreza individual. Mais ao contrário, revela uma riqueza que às vezes é desperdiçada pelo comodismo, e em especial no futebol do Atlético: a bola parada como trânsito, como gol é a repercussão do trabalho sério do treinador, que explora virtudes, que o próprio jogador as esconde por falta de estímulo.

Há quem garanta que um time é a imagem do treinador. Em algum momento, pode ser verdade. O Atlético há pouco tinha um futebol preguiçoso, disperso. Seu técnico era Vadão. Hoje, os atleticanos podem apresentar com orgulho o seu treinador. Ney Franco não é só o melhor técnico brasileiro dessa geração porque entende de futebol como um sistema. É o melhor porque é um profissional bem resolvido para o futebol atual: trabalha sério e estimula os jogadores a fazê-lo.

O Atlético não é um time brilhante, e pela carência individual nas laterais nunca o será. Mas continuará sendo um time forte por algumas convenções que adota no trabalho diário, e que o torna surpreendente.

É assim que um time dispensa o tempo de lei para ganhar um jogo. Vinte minutos podem ser suficientes, como foi contra o Galo.
* Nota do Guerrilheiro: Discordo do Mafuz num ponto. Acho que o Atlético não está mais tão carente nas laterais do campo. Janca voltou a jogar bem, e seis gols saíram de passes ou cruzamentos dele neste campeonato. E, na última partida, Netinho fez uma bela partida como ala-esquerda, colaborando para a criação de jogadas por aquele lado e surgindo como elemento-surpresa no ataque em várias oportunidades, fazendo lembrar o estilo de jogo do argentino Sorín, que fez história no Cruzeiro. Na direita, ainda temos na reserva o Ney, um jovem que já foi até convocado pelo Dunga para a seleção. Falta, sim, uma outra opção para a lateral esquerda. Seria Piauí?

2 comentários:

Barilcka disse...

Esse Mafuz é uma piada mesmo. Acho que escreve suas colunas sem ao menos ver os melhores momentos dos jogos. Ja foi assim ano passado quando disse que o Atlético jogou com 3 zagueiros e tres volantes, escalando o Alan bahia que nem entrou no jogo. Depois falou coisas do CT e do time junior que não batiam, bem como as revelções que o Atle´tico sempre fez nas categorias de base. Acho que nem sabe onde fica o CT.
Agora escreve que os tres gols sairam por causa de bola parada? Não da pra levar a sério ele mesmo.

Roder disse...

O grande Mafuz, diz que o Atlético deste ano não é brilhante neste ponto também discordo dele. Acho que o Furacão está com um time arrumado e que os títulos este ano viram ao natural desde que os jogadores e comissão técnica mantenham a seriedade em todos os jogos. Já o problema das laterais infelismente não tem no mercado brasileiro hoje jogadores disponíveis e temos que ir com que temos mesmo, mas Netinho e Jancarlos podem dar conta do recado.