segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A mais nobre homenagem

Em sua coluna desta segunda-feira na Tribuna do Paraná, Augusto Mafuz comenta a vitória sobre o Iguaçu e o recorde de vitórias conquistado pelo Furacão. Confira:
Marcas do Passado
Há quem sonha de dia e sonha de noite, diz o poema de Fernando Pessoa. Por isso, há sempre coisas atrás de nós.
Veja só o Atlético Paranaense.
Agora, que igualou ao Furacão de 49, o Furacão de 2008 tem a provocá-lo o alcance da marca desigual de 12 vitórias consecutivas. É a vida, não há nada o que fazer a não ser ficar à frente das coisas que estão atrás de nós.
Foi comovente a conquista deste time atleticano.
Pareciam onze idealistas encontrados nos arredores da Baixada, puxados pelo coração.
A vitória em União da Vitória não foi bela porque foi de goleada, tampouco porque foi de oito. A beleza esteve na busca do objetivo, que foi motivada pelo ideal de ser grande na história.

Não se via há muito anos, um time jogar pelo ideal.

A prova está na reação dos jogadores a cada gol. Veja outra vez o oitavo, de Marcelo Ramos: era um excesso para o futebol carente desses dias, mas foi comemorado como se fosse o único, como se fosse o gol que resolvia a proposta de vida.

Porque jogou com ideal, o Atlético escreveu uma das histórias mais lindas do futebol. O gol de Claiton foi o corolário, porque resgatou o pedaço mais precioso do Furacão de 49, representado pelo toque de classe, pela troca de bolas em razão do talento, e na busca do espaço para o gol, pela inteligência. Foi a mais nobre homenagem que se poderia fazer ao Furacão de Jackson e Cireno.

Pela frente de tudo, um nome: Ney Franco, o treinador. Tem uma virtude pouco comum nos treinadores atuais: faz o time viver o dia de hoje, transformando a vitória conquistada na mais importante na história de cada um. É quando a existência não é simplesmente pensada e imaginada.

Ela simplesmente existe.

Mais do que um nome, Ney Franco é um homem.

Nenhum comentário: