segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eterno Furacão

Por José Henrique de Faria (*)
Em 1949, a equipe do Clube Atlético Paranaense, constituída pelos jogadores, treinador, médicos e demais membros da comissão técnica, atingiu a extraordinária marca de 11 partidas seguidas vitoriosas no Campeonato Paranaense, feito este nunca antes conseguido pelo clube, o que se constituiu, portanto, em um recorde. Mais do que o título de 1949, aquela equipe conseguiu, para o Atlético Paranaense, um outro título: Furacão. Este outro título é tão importante na história do clube, que deixou de pertencer àquela equipe, incorporando-se ao Atlético Paranaense, institucionalizando-se. Qualquer recorde pode ser igualado ou superado, mas esta marca, jamais. E a gratidão a todos aqueles que a conseguiram, será eterna, geração após geração. Atlético Paranaense é Furacão.
O feito de 1949 foi tão extraordinário que foram necessárias quase seis décadas para que o mesmo fosse igualado. Não se trata de comparar 1949 com 2008. São outros os jogadores, o treinador, a equipe técnica e de apoio. A situação é outra. Todos sabem que a ciência entrou definitivamente no esporte. A infra-estrutura que o Clube Atlético Paranaense oferece aos seus agora atletas profissionais no CT do Caju, sequer poderia ser imaginada em 1949. São duas realidades absolutamente diferentes.
Mas, no calor destes 59 anos, muitos fenômenos não mudaram. O coração atleticano pulsou sempre com a mesma paixão, nos melhores e piores momentos. Estamos comemorando, agora, o recorde que esta equipe de 2008 obteve igualando aquele de 1949, com 11 partidas vitoriosas no campeonato Paranaense, saboreando cada vitória com a fineza do bom paladar, assim como os atleticanos de 1949. Estamos alardeando este recorde com a mesma vibração e entusiasmo que a torcida atleticana de 1949 ostentava quando obteve aquele recorde. As pessoas mudaram, mas a torcida do Atlético Paranaense continua sendo a mais entusiasmada, a mais brilhante, a mais apaixonada, enfim, a maior.
O Clube Atlético Paranaense é o mesmo. O Eterno Furacão. Outras vozes, a mesma torcida. Outros tempos, a mesma raça.
As circunstâncias são diferentes, mas as façanhas são iguais. As mesmas reverências ao time de 1949 devem ser feitas agora ao time de 2008, pois, como se sabe, “o coração atleticano estará sempre voltado para os feitos do presente e as glórias do passado”. No sábado, dia 16 de fevereiro de 2008, em União da Vitória, a equipe do Clube Atlético Paranaense igualou o recorde de 11 vitórias seguidas no Campeonato Paranaense ao derrotar o Iguaçu pelo placar de 8 x 1. Um placar digno de um recorde histórico. Um placar que é uma justa homenagem ao Eterno Furacão. Os jogadores, a comissão técnica comandada por Ney Franco e os dirigentes representados por Maculan, com certeza sentiram a mesma emoção que tomou conta dos corações de 1949. E a imensa torcida, representada pelos 800 torcedores que estiveram em União da Vitória, pode hoje exibir um orgulho incomum, que se refletirá na Arena da Baixada depois de amanhã.
As históricas vitórias de 1949 e de 2008 são de todos. As conquistas são de todos, porque não se consegue transpor obstáculos senão coletivamente. Além disso, esta alegria e este amor têm um motivo mais do que justificado. O motivo é que nós, do Clube Atlético Paranaense, nós, do Eterno Furacão, já chegamos a um nível em que estamos competindo entre nós mesmos. Um nível em que quando perdemos, ganhamos. Um nível em que ao ver um recorde ser igualado ou quebrado, vemos um outro ser estabelecido. E isto, sem dúvida, não é para quem quer.
* Ex-presidente do Conselho Deliberativo do CAP, ex-reitor da UFPR e professor da Universidade Positivo. Artigo publicado esta segunda-feira na Gazeta do Povo.

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