sábado, 2 de fevereiro de 2008

É Carnaval em Curitiba

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Chico Buarque

O carnaval curitibano, hoje, é moribundo. Alguns clubes ainda mantêm matinês e um ou dois bailes noturnos. O desfile de escolas de samba tem um bloco de terceira idade e outro evangélico. Por outro lado, a cidade torna-se uma maravilha para os enfastiados deste bombardeio de sambas-enredo e pagodes de gosto duvidoso - saudades de Jamelão, "Tem ximxim e acarajé / Tamborim e samba no pé" -, sem falar na febre da tal axé-music, capitaneada pela Ivete "Belas Pernas" Sangalo e que ocupa boa parte da programação nas tevês e rádios país afora.
Mas nem sempre foi assim. Na capital paranaense, os salões "bombavam" de sábado até a madrugada de quarta-feira de cinzas. E no Atlético não era diferente, como mostra a Gazeta do Povo de hoje. Na década de 50, o clube convocava a população pelos jornais:

Ao que parece, o clube interrompeu por alguns anos as comemorações momescas. Que, conta a Furacão.com, foram retomadas na década de 70, graças ao empenho do Esquadrão da Torcida Atleticana (ETA):

"Em 1973, iniciou-se um ciclo de grandes carnavais do Atlético. O então presidente Lauro Rego Barros foi instado a romper o contrato com a companhia Café do Paraná, que ocupava o ginásio da Baixada para o depósito de sacas de café. Com a saída da empresa, o ginásio foi transformado em um grande salão de festas. Vale destacar que os bailes eram administrados e gerenciados pelos torcedores, que com isto puderam colaborar com o clube, deixando em dia várias contas como as de água, luz e telefone, além de restabelecer o crédito em lojas de materiais desportivos. O carnaval se repetiu ainda por alguns anos, com enorme afluência de público e se tornando um dos maiores e mais importantes de Curitiba".

Hoje em dia, não tem nada mais disso. Sem bailes ou festejos nas ruas, com a tigrada toda viajando e a cidade numa calmaria , o negócio é ir à Baixada para ver mesmo um bom jogo de bola. Depois, quem sabe um cineminha sem fila, um passeio pela cidade, um bom restaurante. Até andar de carro pela Marechal Deodoro - outrora "passarela do samba" da capital - deserta se transforma num ato prazeroso.
E, para encerrar... na quarta-feira de cinzas tem mais Furacão na Baixada.

Ah, e para aqueles que acham que sou ruim da cabeça ou doente do pé: durante o feriadão a Jukebox aí ao lado vai tocar somente sambas e marchinhas históricos de compositores como Adoniran, Cartola, Braguinha e Nelson Cavaquinho.

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