sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sabadão no Xingu, com direito ao Apocalipse

Pra quem não vai pra praia, como eu, o programa do sabadão é dar um pulo no estádio do Pinhão, também conhecido como Xingu, por estar localizado num bairro com este nome, no município de São José dos Pinhais. É lá que o Atlético vai enfrentar o time mais bizarro do Campeonato Paranaense, o Real Brasil.
Para quem não sabe onde fica, a Furacao.com dá a dica: é ao lado do aeroporto Afonso Pena (clique no mapa abaixo para ampliar). A torcida Os Fanáticos colocará alguns ônibus à disposição da torcida, que sairão da Baixada às 14h30, a um custo de R$ 4,00 (ida e volta). Outros torcedores prometem se encontrar na Arena para sair em caravana, e nessa podem rolar muitas caronas.
O caminho para o estádio do Pinhão, no Xingu: clique e amplie.
Um adversário pra lá de esquisito

O Real Brasil é uma das maiores esquisitices que já surgiram no futebol brasileiro. É realmente um “time de dono”: pertence ao empresário Aurélio Almeida, que no site oficial do clube se diz ex-jogador e ex-treinador de futebol. Sua primeira aventura como cartola foi comprar o Prudentópolis, onde conseguiu seu maior feito: relevar o atacante Liédson, hoje no futebol europeu. Já em 2000, ele fundou o Império do Futebol, que já disputou o campeonato paranaense – aquele mesmo time que tomou um “gol fantasma” do Willian na Baixada, aquele que a bola não entrou mas o juiz anotou. Faliu. Em 2002, comprou o Grêmio Esporte Maringá, um dos mais tradicionais times do Norte Paranaense. Faliu, mas tal como o governador do estado, botou a culpa na gestão anterior.
O presidente do Real, Aurélio Almeida:
aventureiro ou "visionário"?
Em 2005, finalmente, fundou o Real Brasil, time mambembe, que já teve sede em várias cidades e que agora se fixou em São José dos Pinhais – já que o estádio do Pinheirão, em Curitiba, onde pretendia mandar seus jogos, está interditado e caindo aos pedaços.
A última aventura do jovem cartola foi em terras estrangeiras: teria adquirido o clube Puebla, do México – numa transação em que a imprensa, equivocadamente, atribuiu ao Atlético. Na ocasião, Aurélio justificou a confusão: “É que o único time do estado que conhecem fora do País é o Paranaense (o Atlético), ninguém nunca ouviu falar em Coritiba, Paraná ou Real”.
Pagou, jogou
Uma das particularidades do Real que mais chama a atenção é justamente o modo de escolha dos atletas: funciona no popular esquema “pagou-jogou”, lembrando aqueles colégios e faculdades picaretas onde o lema é o “pagou-passou”. É isso mesmo! O atleta que quiser jogar no Real tem que pagar R$ 8.800,00 por ano.
O site do clube explica o sistema: “Cada atleta deverá pagar R$ 8.800,00 pelo período de um ano de treinamento básico. Se analisar, são apenas R$ 24,11 por dia e nesse valor estão incluídas todas as despesas de alojamento, alimentação, cuidados médicos e viagens com o clube, o atleta que não dispõe deste valor, tem a opção de pagar 50% do valor integral que corresponde à R$ 4.400,00 e o restante parcelar em 02 vezes de R$ 2.200,00, ou seja, R$ 2.200,00 para 30 dias e R$ 2.200,00 para 60 dias, no cheque ou boleto bancário.”
Em sua mensagem, Aurélio conclama os atletas: “Não perca tempo. Dê uma oportunidade a você mesmo. Invista em sua carreira e nunca terá que se arrepender.”
Apocalipse Now

O Real surpreendeu a todos e estreou com vitória no Campeonato Paranaense, frente ao J. Malucelli.
Mais do que o resultado, o que chamou a atenção foi o patrocínio na camisa do time: “APOCALIPSE 4:11 Digno és...”, numa referência ao versículo 11 do quarto capítulo do Apocalipse, última parte da Bíblia, escrita pelo apóstolo João.
O trecho completo diz: Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”.
A literatura apocalíptica tem uma importância considerável na história da tradição judaico-cristã-islâmica, ao veicular crenças como a ressurreição dos mortos, o dia do juízo final, o céu, o inferno.
Não se sabe exatamente o que é que Aurélio quer dizer com esta mensagem; talvez seja apenas um agradecimento divino pelo grande e sólido clube que conseguiu criar.
De qualquer maneira, esta partida, válida pela primeira fase do Campeonato Paranaense – aquela fase que não vale nada, onde classificam-se oito de 16 clubes -, não tem nada de apocalíptica. Vitória ou derrota estão longe de representar o céu ou o inferno para qualquer um dos dois times.
Mas promete representar uma tarde pra lá de divertida, no distante estádio do Xingu.

Um comentário:

Hélio Rubens Godoy disse...

HAHAHAHA, Apocalypse Now, esta foi foda. Um time que conta com jogadores que pagam para jogar, somente apelando aos céus para que possa sonhar com alguma coisa no paranaense. Se a Federação aceita um time como o Real, porque não incluir algum time amador, como o Vila Fany, o Combate Barreirinha, etc. Pelo menos eles tem torcida e mais tradição que o Rear Brasirrrr...