terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pés no chão

Passada a euforia pela vitória no Atletiba, que já ficou para trás, é hora de pensar no que vem pela frente. Em sua coluna desta terça na Tribuna do Paraná, Augusto Mafuz fala sobre o futuro do Furacão:
Primeira viagem
Minha mãe sorria e me consolava nas derrotas de criança: você é ainda marinheiro de primeira viagem. Pela euforia da primeira vez, todos da minha geração foram um dia assim chamados pelos pais. Esses se inspiravam no ídolo Getúlio Vargas, que tratava a renovação paternal que promoveu na Marinha.

Domingo ouvi Ney Franco, treinador do Atlético. Disse ele que a vitória contra os coxas foi um marco para definir o futuro do time nesta temporada.

Confesso que não entendo tamanha euforia. Concordo que foi um marco, como são todas as vitórias, de um ou de outro, em Atletiba. Mas daí usar a vitória como referência de futuro, no mínimo é um risco que coloca o Atlético em perigo.

O Atlético venceu um time fraco, nem os coxas negam. A repercussão da vitória em Atletiba não tem origem no jogo em si, pelo que jogou ou deixou de jogar; mas da vitória como resultado. Se fosse prevalecer a tese de que a vitória é uma referência de futuro, o empate e, em especial a derrota, seria identificada como uma amostra de fracasso futuro. A derrota não seria uma referência de fracasso, como a vitória não pode ser tratada como verdade absoluta de virtudes.

Concordo, que depois de algum tempo, o Atlético inicia uma temporada atendendo o princípio elementar da continuidade. Manteve Ney Franco, que da nova geração, está se revelando o melhor treinador do futebol brasileiro. Ainda conserva o que se nomina a estrutura do time: Vinícius, um bom goleiro; Danilo, Antônio Carlos e Rhodolfo na zaga; Valência e Claiton no meio; e Ferreira no ataque.

Mas o futebol, que não prescindiu de laterais, hoje é intransigente em relação aos alas. No entanto, insiste-se com Jancarlos e Michel. O futebol, que sempre deu importância ao goleador, hoje não permite que se discuta a sua relevância. E, em especial, quando sonho pelos gols de Rodrigão, implicam no sacrifício de Ferreira, que enfiado perde espaço. Se existe alguém que não pode ser sacrificado, é Ferreira por ser o melhor.

O time do Atlético já saiu da forma. Basta Ney Franco mostrar que o futuro anunciado irá ser certo, desde que não se despreze as necessidades do time.

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