sábado, 26 de janeiro de 2008

Invulnerável

Em sua coluna deste sábado na Tribuna do Paraná, Augusto Mafuz comenta a qualidade do sistema defensivo rubro-negro e a partida deste domingo contra o Paraná. Confira:
Romantismo

A melhor defesa é o ataque, pregavam os treinadores do futebol dos espaços, dos dribles e da bola tocada. Esses treinadores envelheceram ou morreram, os espaços sumiram, os dribles e a bola tocada passaram a ser jogo de exceção. O principio que resumia o futebol como arte transformou-se em puro romantismo.

O melhor ataque é a defesa, prega o modernismo do futebol, carregado de força, às vezes bruta, marcação, nem sempre saudável, velocidade, e os mais diversos casuísmos táticos.

O exemplo mais objetivo no futebol brasileiro há algum tempo está sendo dado pelo São Paulo. A partir da defesa segura pela qualidade dos zagueiros, e pela marcação, ganhou quase tudo nos últimos anos. O gol, embora mantenha a identidade principal do objetivo do jogo, passou a ser a conseqüência lógica desse sistema, que vai se eternizar no futebol mundial, e nunca será romântico.
Não existe romantismo com o uso da força. Na vida em geral, a conquista moderna de um amor já exige mais músculos do que sentimentos. O baixinho e gordinho que manda flores passou a ser a última opção.

Trato do assunto em razão do Atlético. Esse seu inicio majestoso de temporada tem uma única origem: a qualidade individual de sua defesa com Danilo, Rhodolfo e Antonio Carlos, da sua proteção por Valencia, e da inteligência do esquema de Franco, em tornar o Atlético quase invulnerável. E, então, surge o que seria no passado uma contradição: da excepcionalidade da defesa, surgem os gols que produzem a vitória. É que todas as funções se tornam naturais, a doação ao jogo não cria traumas físicos. Sem sofrer ou sofrendo poucos gols, o grande acaba criando situações para ganhar.

É o futebol em que arte está no resultado.

E por isso, o Atlético deve ganhar do Paraná, no grande jogo da Arena.

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