segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Domingo de Ramos

Em sua coluna desta segunda na Tribuna, Augusto Mafuz comenta a vitória do Atlético sobre o Paraná e a boa participação do artilheiro Marcelo Ramos:
Qualidade

Por ser gênio, Didi não era apenas o melhor meia do mundo no seu tempo, com a bola nos pés. Era, também, o mais inteligente fora dele.

Certa vez, questionado depois de um treino que o Botafogo treinou mal para decidir com o Flamengo, justificou: “Treino é treino, jogo é jogo”. O Botafogo ganhou e foi campeão. Outra vez, para afastar a ilusão de que com a bola rolando tudo é igual, disse: “Futebol não é onze contra onze, mas onze para cada lado. Quase sempre ganha o lado do onze melhor”. O Botafogo ganhou do Fluminense.

Lembrei de Didi em razão do jogo de ontem na Arena, Atlético Paranaense 2 x Paraná, 1. O tricolor correu, lutou e fez de tudo para ser alguém em campo. Mas quando o jogo exigiu a qualidade como solução, o Atlético sobrou.

O gol de diferença poderia significar uma igualdade. Mas essa esteve longe, porque o time de Ney Franco é que quis assim: impôs a sua superioridade no primeiro tempo, fez dois a zero, e depois deixou o Paraná correr.

Foi melhor jogo do Furacão, o do primeiro tempo. Teve um motivo: Marcelo Ramos. Ele vai além dos gols que lhe são comuns. Ele arruma taticamente o time, daí o exuberante primeiro tempo que o líder fez.

E se Didi ainda estivesse vivo, estivesse vendo o Atlético Paranaense jogar, ficaria curioso em saber quem é Marcelo, de onde veio e para onde vai. Foi surpreendentemente brilhante.

A disputa pela liderança perdeu a graça. O Atlético Paranaense está longe em tudo e de todos.

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