quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Beto precisa sair do muro

Em sua coluna desta quinta-feira, Augusto Mafuz fala sobre a campanha pela Copa 2014 em Curitiba e a participação dos governantes:
Canto do cisne
É certo que a Copa do Mundo de 2014 trará só benefícios ao Brasil. É certo porque foi assim em todos os países e o grande exemplo são os investimentos que estão sendo feitos na África do Sul.
Os estados, por serem governantes, oferecem apoio expresso, ilimitado, incondicional, e quase diário à realização da Copa, que não será como as outras: será no Brasil, em um país que reclama por investimentos, com todas as pecularidades da cultura brasileira, e talvez a última nos próximos cem anos na América do Sul, por que acabou o rodízio de continentes. Uma Copa que não vai ter o galanteio e a sofisticação das Copas da Europa ou da Ásia, que acabam em algo mecânico e artificial; mas será uma Copa que vai ter a beleza natural, que faz variar o sentimento dos povos que visitam o Brasil.
Mas a esse apoio existe uma exceção. Raras vezes tivemos uma exibição tão clara, e infelizmente tão real da passividade dos políticos do Paraná. Pelos mais diversos motivos, e todos absolutamente frágeis, não movem uma palha por Curitiba.
Não me surpreende essa omissão. A capacidade dos políticos paranaenses sempre foi rara, limitando-se à geração de Paulo Pimentel e Jayme Canet, já aposentada, de Ney Braga já falecida, e outros poucos, que embora capazes não tiveram notoriedade. O governador Roberto Requião, e não é de hoje, sempre foi insensível para um movimento popular como esse, nitidamente de conteúdo social. O conceito de social em seu discurso populista sempre teve a sua conveniência política.
A esperança poderia (ou pode?) ser Beto Richa, prefeito de Curitiba. Mas Beto está se revelando um político secundário diante de fato tão importante: nega que torce pelo Atlético, mesmo torcendo, porque está em campanha para a reeleição.
E assim estaria evitando perder votos de outras torcidas. Pensamento primário e primitivo, porque José Serra assiste jogos do Palmeiras no meio da torcida; Sergio Cabral não perde um único jogo do Vasco; Aécio Neves, às vezes, vai no CT do Cruzeiro participar de um “rachão” com os jogadores.
A Requião não se pode pedir muito, porque ele já está no canto do cisne. Nem tanto pelo tempo, porque os grandes estadistas foram grandes, também, porque venceram o próprio tempo; mas pela conveniência de criar e modificar conceitos, pela invasão de direitos adquiridos, e pela opressão da ironia. Mas esse não é o caso de Beto Richa, que está no começo do jogo.
E qualquer político que esteja em começo de carreira tem as memórias de Churchil. Vai aprender que personalidade de um político para enfrentar qualquer situação que entenda justa, não se molda com a conveniência do momento.

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