sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O real valor de um ingresso

Quanto vale um ingresso para assistir a uma partida de futebol? A qualidade do estádio deve pesar no preço? A polêmica está de volta com as declarações do presidente do Corinthians, Andrés Sanches, de que se o clube conseguir construir uma arena, um sonho antigo no Parque São Jorge, esta não seria acessível à maior parte da torcida do alvinegro paulista, considerado o time mais popular da maior cidade do país. Em matéria publicada hoje na Folha de São Paulo, o dirigente afirma que uma "arena mosqueteira" seria voltada preferencialmente para torcedores de elite. "Temos que reservar uma parte pequena para as pessoas mais pobres e o resto para quem pode pagar R$ 200,00", declarou.

Perguntado sobre como convencer o torcedor a pagar preço tão alto por um ingresso, Sanches afirma que o chamariz "seria uma infra-estrutura confortável". Como sempre pensaram os dirigentes rubro-negros.

Penso que o preço do ingresso para assistir a um jogo de futebol não pode ser exorbitante, nem excluir os torcedores mais humildes do estádio. Mas também tenho a convicção de que o ingresso na Baixada, por exemplo, não pode custar o mesmo o que cobram numa Vila Capanema, num Couto Pereira da vida. Há estádios e "estádios", e o conforto, a qualidade e a tecnologia não caem do céu: custam caro.

O tema deve voltar logo à baila pelos lados da Baixada, pois logo o clube terá que se manifestar sobre os preços a serem praticados na próxima temporada e, conseqüentemente, os valores das anuidades dos sócios. O assunto é polêmico e tenho certeza de que a diretoria sabe que não pode errar de novo e mudar as regras no meio do caminho. Por isso, abriram um espaço para o próprio torcedor fazer suas sugestões. Mandei a minha.

Acho que meio caminho já está dado com a setorização da Baixada - o que é irreversível. Agora, é questão de transformar alguns setores em locais mais "populares", com preços mais acessíveis, e deixar outros espaços mais nobres para quem pode - e quer - pagar mais. Não se trata de criar uma "luta de classes" na Arena; mas sim de viabilizar a presença de um público maior. Colocar ingresso a preços únicos (como se tentou fazer este ano: R$ 30 ou R$ 40) não deu certo, e o povão achou caro, então que se crie faixas mais baratas, de R$ 15, até as mais caras, de R$ 80 , R$ 90, para os bilhetes avulsos.
Já o plano de sócios pode oferecer mais benefícios de acordo com o local e a faixa de preços escolhidos. No setor de R$ 15, por exemplo, o desconto médio seria de um real por partida; no setor de R$ 30, desconto de R$ 5; e nos setores mais caros um desconto de R$ 1o a R$ 15 por jogo.
É só uma sugestão entre centenas de outras que foram enviadas, e elaborada na base do "achômetro" - pois só dá pra saber mesmo o que é viável olhando a planilha de custos e simulando a arrecadação média mensal. Mas me parece ser uma boa.
De qualquer maneira, tenho certeza que boas novidades virão por aí.

Um comentário:

rogerio disse...

No Brasil o maior fã de futebol é pobre. Não digo aquele pobre miserável. O cara ganha uma boa grana por mês mas, não dá pra ta indo todo fim de semana no estádio pra ver um jogo. Assistir jogo na Baixada é diferenciado e concordo que merece ter o ingresso mais caro mas é claro que a frequencia do torcedor será diminuida. E fica sempre aquela dúvida: é melhor ter 50 torcedores a 50,00 reis o ingresso ou 100 torcedores a 25,00 ? É obvio. 100 torcedores consomem mais, fazem mais barulho e dão mais alegria.É uma regra simples do comercio. Acho que a diretoria do atlético deve continuar a praticar preços acessíveis, dar enormes vantagens para sócios e buscar cobrir o rombo com a venda e licenciamento de produtos do time. Futebol sem cerveja não combina mas sem torcedor, torna-se impraticável.

Saudações Atleticanas...
...e fodam-se coxas...