quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ganhou na bola

Coluna de Augusto Mafuz, nesta quinta-feria, na Tribuna do Paraná:
Concerto
Não sei se ando humilde ou imparcial. Às vezes não se deve ser assim, ensina Nelson Rodrigues. Seja o que for, acabou ontem na Arena.
E não foi só porque o Atlético ganhou do Grêmio, pois a vitória dentro da Arena sempre pode ser projetada pela lógica, seja contra quem for. E não foi, tampouco, porque ganhou com o clássico 2 a 0, que sugere superioridade incontestável. Se fosse três ou chegasse a quatro, seria repercussão natural das circunstâncias em que se ambientou o grande jogo.
Não se pode ser humilde diante do que o Atlético fez ontem. Seria desperdício de vida. Quando se anunciava a revanche da “batalha do Olímpico”, que vitimou Alex Mineiro e Evandro; quando era iminente a “batalha da Arena”, eis que o Furacão ofereceu um concerto de futebol.
Executando do clássico ao popular, usando da técnica e da alma, o time de Ney Franco foi quase perfeito até os trinta minutos do segundo tempo. Depois do segundo gol de Michel, aliás, antológico pela jogada de pé em pé, e até o final, foi simplesmente perfeito. Nem se pode dizer que o Atlético ganhou nos erros do Grêmio.
Se eles existiram, ninguém viu. Ferreira, outra vez, foi o fator de desequilíbrio. Mas ninguém foi mais importante do que o treinador Ney Franco: afastou o eventual espírito de revanchismo dos jogadores, e lembrou-lhes que era um jogo de futebol. E então, o Atlético jogou.
Ganhou na bola, como dizem os gaúchos.

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