sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Colombiano Mágico

Coluna de Augusto Mafuz, hoje, na Tribuna, comenta o bom momento vivido por Ferreira no Atlético:

El jogador
Foi no final dos quarenta. Era uma época que o futebol colombiano criou uma liga pirata, e despejando dinheiro, transformou-se no centro financeiro do futebol. O Milionários de Bogotá. Foi um dia de 1949.

O jovem repórter, vindo de barco de Arataca, chegara a Barranquilha para o seu aprendizado, no jornal El Heraldo. Como todo o “foca”, recolhido num canto. Como todo o repórter em seu primeiro dia, sentiu-se ignorado, só chamando a atenção porque não conseguia esconder o estado de angústia no aguardo da sua primeira ação.

Foi quando o chefe lhe mandou ir ao estádio do Atlético Junior, para cobrir a estréia do “brasileiro mágico”, que chegara de surpresa para jogar no Atlético Junior.

O futebol do brasileiro foi tão mágico, que encantou o povo, e provocou tanto o sentimento do jovem, que o título da matéria, que parecia genérica, se eternizou como legenda de uma estátua erguida no estádio: “El jogador”.

O “brasileiro mágico” era Heleno de Freitas; e o jovem repórter era Gabriel Garcia Marquez.

Heleno de Freitas foi a maior expressão do Botafogo, antes da geração de Garrincha e Nilton Santos. Era um gênio, mas genioso. Bonito, boêmio, dividiu sua vida entre mulheres e a bola. Viveu tão intensamente, que antes de morrer aos 40 anos, disse que era um velho de 80: “Vivi de noite e de dia”.
Gabriel Garcia Marquez tem a sua obra literária homenageada com o Nobel de Literatura. Aos oitenta anos, reside na Cidade do México.

Lembrei dessa história contada por Gabito em “Viver para contar”, na noite de quarta-feira, vendo Ferreira jogar pelo Atlético, na Arena. Pensei em escrever sobre Ferreira. Imaginei descrever o seu talento para jogar futebol. Mas me reprimi e me censurei: quem sou, afinal, para descrever o que esse “colombiano mágico” faz em campo pelo povo atleticano?

Ferreira merecia pelo menos uma linha escrita por Garcia Marquez. Nem que se adote só a marca que deu a Heleno de Freitas: El jogador.

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