quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Os caudatários

Em sua coluna de hoje na Gazeta do Povo, Carneiro Neto analisa a presença de público da dupla Atletiba:
A explosão das massas

Não sei exatamente o que moveu o departamento de marketing do Coritiba a fazer aquele anúncio provocando a torcida do Atlético a comparecer aos jogos da Arena da Baixada, como vinha fazendo a torcida do Coritiba nos jogos do Alto da Glória.

Como estive fora, não acompanhei o desenrolar dos acontecimentos e apenas ao retornar, domingo, foi que tomei ciência do fato. Gostei da idéia. Não sei se trouxe algum benefício ao próprio Coritiba que, em última análise, vem sendo apoiado, freneticamente, pela massa torcedora com acentuado crescimento na freqüência após a sua ascensão a liderança do campeonato. Mas o benefício que o Atlético recebeu foi inegável.

Com um time perdedor nos últimos dois anos, com a diretoria às turras com a própria torcida, com a mística do caldeirão da Arena da Baixada colocada em xeque pela seqüência de maus resultados em casa e com o time ameaçado pelo rebaixamento, tudo o que o Atlético precisava era de uma provocação dessa ordem.

E ela veio em boa hora. Exatamente quando a diretoria baixou a bola calçando as sandálias da humildade, reconheceu alguns equívocos, reduziu o preço dos ingressos, reconciliou-se com os aficionados do clube e acertou na contratação de alguns jogadores, surgiu o desafio coxa-branca.

Em duas tardes memoráveis com o estádio lotado e duas vitórias reabilitadoras, o Furacão ressurgiu em grande estilo provando que os falacianos unidos jamais serão vencidos.

Por tudo o que aconteceu e que ficou registrado nos borderôs dos últimos jogos dos dois principais estádios da cidade, foi válida a iniciativa do marketing do Coxa.

A grande legião de simpatizantes coritibanos continuará acompanhando a equipe, incentivando e aguardando com ardente expectativa o seu retorno à Primeira Divisão.

E parece evidente que existe equilíbrio de forças nessa saudável competição para tentar descobrir qual é a maior torcida, algo subjetivo e muito difícil de ser comprovado em números.

Por mais pesquisas que sejam feitas e por mais recordes que sejam superados, cada fã vai continuar achando que a sua é a maior torcida do estado.

O mais importante é a intensidade da rivalidade preservada, como um bem inalienável do quase centenário futebol paranaense, e a presença do publico que transformou tardes pachorrentas em jornadas luminosas e coloridas, tanto no Estádio Couto Pereira quanto no Estádio Joaquim Américo.

A dupla Atletiba está de parabéns pela pujança de suas enormes torcidas, ambas fidelíssimas e extremamente apaixonadas.

Que continuem assim, nessa corrida popular cercada de emoção e alegria, mesmo que nem um título esteja em jogo, a não ser o da comprovação de que Coritiba e Atlético são mesmo os caudatários do manto que cobre a paixão da maioria dos paranaenses pelo futebol.

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