terça-feira, 4 de setembro de 2007

O fim do esporte na B-2

"Atleticooooooooooooooooooooolaçoooooo"!
Pobres dos jovens que não têm este grito na memória. Este era o momento de êxtase da minha infância/adolescência, quando Lombardi Junior soltava a garganta para anunciar nas ondas da Rádio Clube B-2 que o Furacão havia balançado as redes adversárias. É isso mesmo: ele não gritava gol. Gritava Atlético. Era de arrepiar.
Claro, ele também gritava "Coxa" e "Boca" nos gols dos rivais locais da época, o Coritiba e o extinto Colorado (o popular Boca-Negra). Mas eu só sintonizava a Clube para ouvir aos jogos do Rubro-Negro.
A B-2 foi uma das primeiras rádios de Curitiba a montar uma superequipe esportiva, muito graças a Carneiro Neto, que além de atuar na área também assumiu funções administrativas em 1977. Aos poucos, tornou-se uma potência radiofônica, e vivia inovando.
Foi, por exemplo, a primeira estação paranaense a lançar um disco para homenagear o campeão estadual. Foi em 1982. De um lado, o bolachão traz a narração da grande final, Atlético 4 x 1 Colorado; de outro, o Hino Oficial do Atlético e um mini-programa sobre "A história dos gols". Na época, o time da B-2 era este: Lombardi, Capitão Hidalgo, Carneiro Neto, Durval Leal, Lourival Barão, Sicupira, Romeu César, Pereirinha, Josias Lacour, Sidney Campos, Oldemar Kramer, Carlos Kleina e Alceu Valério. Tenho este disco guardado até hoje, como uma relíquia. Assim como o compacto lançado em 1985 pela emissora. No lado "A", a final entre Atlético x Londrina. No lado "B", melhores momentos dos dois Atletibas do campeonato e de Atlético x Apucarana. Este disco traz, também, mensagens do "feiticeiro" Hélio Alves, supervisor; Julio Cesar Salomão, diretor; e do técnico Otacílio Gonçalves. Uma preciosidade. Neste ano, a equipe da rádio já tinha os reforços de Raul Mazza, Mário Henrique e Eduvaldo Brasil, entre outros.
Depois, Carneiro Neto saiu da Clube e passei a acompanhá-lo pelas emissoras que passou (para mim, depois de Lombardi ele foi, e ainda é, o melhor narrador do estado). Mas ainda mantinha um vínculo sagrado com a Clube, ao ouvir o programa noturno "A turma do bate-papo", das 23 hs à meia-noite, comandado diariamente por Carlos Kleina e sua sóbria voz.
A coluna do Augusto Mafuz de hoje, na Tribuna do Paraná, traz a triste informação que a Rádio Clube B-2 encerrou no domingo, na partida netre Atlético-PR e Atlético-MG, sua programação esportiva. Lamenta Mafuz: "Uma tristeza para nós, que temos o rádio como um valor de vida. A B2, em especial. Sempre foi o veículo de associação e aproximação de sentimentos. O rádio esportivo no Paraná entrou em um que a ideologia política e religiosa não irá preencher. Já estava decepcionado. Airton Cordeiro, que pregava o rádio sério, hoje faz dupla com o ET. É o exemplo do estado que o rádio alcançou."
É verdade. A Clube se foi. Carneiro Neto não narra mais. As equipes esportivas de Curitiba, via de regra, são de uma mediocridade avassaladora. Não causam sensações, não emocionam. Ou são frias demais, ou forram a cobertura de piadinhas inúteis. Há por aí narrador com voz fininha, com voz desafinada, sem a mínima verve para o negócio. Das que estão por aí, ainda sou mais a Banda B. Foi a opção que restou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Se Isso for verdade, eu que ainda acompanhava o atlètico em Ondas Curtas e creio que muitos também acompanham, serão os mais prejudicados.
E para acompanhar o Clube precisaremos ter internet pois as rádios de Curitiba tem baixa potência e não alcançam os lugares mais remotos do nosso Pr.

Um abraço a todos os Rubros-Negros do Pr.

William C. Linhares
Pato Branco-Pr.