segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Alma de atleticano

Coluna de Augusto Mafuz, hoje, na Tribuna:
Voltando a sofrer

Embora ainda tenha algum tempo para viver, a vida já me ensinou que, quando não existem maiores ilusões, os sentimentos se tornam previsíveis, e o da própria perda, que é o mais traumático, se torna ameno.
Mas, às vezes, o que é previsível se torna injusto. A perda, então, em qualquer situação, traz o trauma insuperável. Seria injustiça se o Atlético não ganhasse o jogo que ganhou do Palmeiras, ontem na Arena: 2x1.
Não só jogou bem, porque em alguns momentos foi excepcionalmente bem, para ser melhor do que o poderoso e original “verdão”. Talvez, se apenas jogasse bem não seria suficiente para ganhar.
Precisou ir além. Ao perfeito equilíbrio de funções técnicas em razão do trabalho deste brilhante Ney Franco (deu um nó em Caio Júnior), agregou-se a alma. Quando procuraram o segundo gol, os atleticanos pareciam ir em busca de um ideal, que ia além da vitória. Ideal que é raro neste futebol de mercado.
O segundo gol, o da vitória, foi a manifestação dessa verdade. Já indo para o final com um empate fatal, Netinho iniciou uma linha de base, que terminou no gol da vitória.
E como era o Atlético na sua mais pura e bela natureza, o autor do gol teria que ser especial: jeito de atleticano, alma de atleticano, berço de atleticano, cara de atleticano. Um atleticano, Pedro Oldoni.
Mas antes de ser alma, o Atlético foi time.
Não ganhou aleatoriamente do Palmeiras, embora corresse o risco de não vencer quando Ferreira, desacordado, teve que sair. O Palmeiras ganhou corpo, avançou o time, e empatou. Mas eis que surge a lucidez do treinador Ney Franco, que com Willian e Oldoni empurrou outra vez o Palmeiras para trás. Ganhou quem foi melhor.
Netinho foi o melhor em campo. Deu dinâmica individual e tática ao time.
Clayton foi um monstro. Foi a alma.
Marcelo Ramos, com a número 9, deu o que há tempo o Atlético não tinha: forma.

Nenhum comentário: