sábado, 25 de agosto de 2007

Recomeço em Porto Alegre?

Coluna de Augusto Mafuz publicada hoje na Tribuna:

Recomeço
Existem exemplos históricos que são indispensáveis para a vida. No futebol, não existe nenhum exemplo mais clássico de recomeço como o dado por Puskas, o lendário húngaro.
Perseguido pelo regime de Moscou, que tomara a Hungria, Puskas não retornou a Budapeste depois de uma excursão do Honved. Desertou do exército e exilou-se em Roma. A Fifa, mesmo sem causa desportiva, mas para atender o regime soviético, o suspendeu por tempo indeterminado.
Aos 31 anos de idade, não jogando havia dois anos, foi surpreendido com a visita do milionário espanhol Santiago Bernabeu, presidente do Real Madrid.
Bernabeu perguntou-lhe: “Gordo como está, você tem coragem de recomeçar? Se tiver vá para Madri, que eu resolvo com a Fifa”. A força financeira do espanhol era bem maior do que a influência do comunismo dos soviéticos. Puskas respondeu: “Quando se tem ideal todos os dias, pode-se recomeçar. E ganhar”.
Puskas jogou até aos 41 anos. Com Di Stefano escreveu a parte mais importante da história, que deu ao Real Madrid o título de maior time de futebol de todos os tempos.
O mandamento principal na resposta de Puskas, não está na possibilidade de recomeço, mas em ter o ideal para alcançá-lo.
No futebol de hoje pode parecer uma contradição buscar no exemplo de Puskas a esperança para o recomeço. É que simplesmente a palavra-chave é ideal, e ideal não existe mais. O jogador, em regra, hoje não exerce a profissão pelo querer, mas pela satisfação material. Sabe que está jogando em um determinado time por uma eventualidade de mercado. Principalmente quando a cultura desse time dispensa a vitória como fundamento principal de vida, submetendo-a aos negócios.
Embora o jogador materialize na prática essa verdade, a causa vem de cima.
Escrevo sobre o recomeço e a importância do ideal para chegar à vitória, porque o jogador pode ter perdido tudo, mas ainda tem alma. Basta despertá-la.
Bem que Mário Celso Petraglia poderia provocar a alma dos jogadores do Atlético, hoje antes do jogo no Beira-Rio. De repente, o Furacão consegue recomeçar a sua vida.

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