sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Para frente ou para trás?

Após rápidas férias de 8 dias, Augusto Mafuz voltou a escrever hoje sua coluna na Tribuna do Paraná. E voltou mais ácido do que nunca. Confira:
Rotina
De propósito, esqueci da vida que levo aqui, durante oito dias. Queria ter a exata dimensão do que altera a nossa vida de rotina durante um curto período.
Não sei se para o bem ou para o mal, concluí que alguns dos nossos valores são manipulados pela incompetência e a falta de vontade quase voluntária para que continuem estáticos.
O Atlético, por exemplo. Nesses oito dias, para quem não o conhece, parece que virou do avesso. Mas na prática o que aconteceu já era absolutamente previsível. Então, aos fatos, que em tese, seriam os mais importantes.
1.º - O Atlético não venceu porque a derrota foi incorporada à sua vida como regra. A vitória, definitivamente, deve ser comemorada como uma exceção.
2.º - Mandou os Lopes e Yamato embora. A demissão foi apenas consequência do erro da contratação, o que afasta a idéia de surpresa do fato.
3.º - Contratou Ney Franco, porque era um treinador desempregado. Mais grave: contratou um técnico que foi demitido porque estava conduzindo o Flamengo à segunda divisão. Pratica o mesmo erro com a comissão anterior, porque os Lopes e Yamato, também foram responsáveis pelo rebaixamento do Coritiba.
4.º- Ney Franco chega e já comete um gravíssimo erro: escala o mesmo Claiton, que afastou por indisciplina pessoal e tática no Flamengo. De cara o novo treinador mostra que a coerência não é o seu forte.
5.º- A torcida grita “fora Petraglia”. Mas esse filme já vi. O roteiro é puro populismo: muda-se o técnico, baixa-se o valor dos ingressos, e tudo é esquecido pelo sono de apenas uma madrugada. A saída de Petraglia não é a solução: primeiro, porque indo além do improvável, chega ao impossível; segundo porque o que começou com Petraglia tem que terminar com Petraglia; terceiro, porque a solução não está no impossível, que é a saída de Petraglia, mas na volta dos que saíram, que seria possível se houvesse bom senso dos conselheiros em exigir uma mudança urgente nos estatutos, que nega o direito dos ex-presidentes serem vitalícios.
6.º - O presidente João Augusto Fleury dá outra entrevista e, como sempre, fala coisas que não deveria. Aliás, nem deveria dar entrevista, muito menos dar algumas respostas, que para quem o não conhece, beira a inconseqüência.
7.º - Procuro saber onde anda Petraglia e ninguém quis me responder. Não estaria na Itália? Nada de novo, porque nesses momentos, coincidentemente, ele se obriga a viajar.
Bem disse o saudoso Aníbal Khoury: o Atlético é uma força em marcha. Não se sabe se para frente ou para trás.

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