segunda-feira, 9 de julho de 2007

O grande feitor

Coluna de Augusto Mafuz, hoje, na Tribuna do Paraná:

O site oficial do Atlético destaca a notícia do jornal Lance: mesmo em um cenário ruim, em que as receitas dos clubes brasileiros caíram, “o Furacão foi o clube mais rentável do Brasil, com um lucro de 15,5 milhões”.

Seria um fato extraordinário, se o Clube Atlético Paranaense, na execução de seu objeto social perseguisse o lucro em dinheiro. Mas esse Atlético, que ainda teimosamente se supõe, tem um único objeto social a ser alcançado: atender a sua grandiosa clientela. É o seu povo apaixonado, que todo o ano renova cadastro para fazer um único empréstimo, que é vencer no campo, ou se conformar em perder com a simples esperança futura de vencer.

A divulgação do fato pelo site oficial é uma exploração do torcedor como ser humano.

É tratá-lo como ingênuo.

É ignorar os seus sentimentos.

Mostra-se ostensivamente um lucro líquido de R$ 15,5 milhões, mas o presidente Fleury vem a público e diz: “Enquanto não tiver sócio, não haverá time”. Se não for falta de respeito, então é falta de vergonha.

Ao divulgar o fato em site oficial, o comando deu um tiro no próprio pé: mostrou o quanto é incompetente para gerir o futebol do Atlético.

A incompetência como explicação é um conforto para os dois dirigentes, para evitar que a interpretação ganhe outro caminho. A má administração do dinheiro de um clube por incompetência é gravíssima, por se tratar de dinheiro público, pois todas as suas fontes, embora privadas, são criadas a partir do Atlético como instituição de interesse popular.

O raciocínio é bem simples, embora colocado em forma de pergunta: como justificar que um clube, cujo único objetivo é a prática do futebol profissional, mantendo um lucro anual de R$ 15,5 milhões não vence há anos, nem mesmo um torneio de botão.

A divulgação do extraordinário lucro de R$ 15,5 milhões coincidiu com mais uma derrota do Atlético. Seria uma derrota absolutamente normal essa para o Botafogo, em Brasília (2x0), se esse estado de penúria técnica e individual fosse reflexo de sacrifícios financeiros, que implicasse em falta de dinheiro.

E nem se cogite que é caixa para a construção da Arena, porque além de incompetentes, esses dirigentes estariam faltando com a verdade. Foram várias as promessas de que o dinheiro para investir no patrimônio teria outra fonte, e esse lucro seria do futebol.

Então, aqui, ocorre um fenômeno empresarial: quanto mais dinheiro o Atlético, associação de prática de futebol, arrecada e guarda no caixa, mais derrotas acumula no campo.

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