quarta-feira, 27 de junho de 2007

Clássico, no Paraná, só tem um

Coluna de Augusto Mafuz, hoje, na Tribuna:

Clássico
No passado, o conceito de clássico era aplicado para a literatura, e era restrita a obra que se transformava em modelo. A partir dela, discutiam-se as demais. Por isso, entre nós, um autor clássico, de apreço literário, por exemplo, é Machado de Assis. O “alquimista” Paulo Coelho, por mais que seja vendido, traduzido e lido, não.
Hoje em dia, sob o pretexto de modernização, banalizou o conceito de clássico. O poeta e ensaísta Nelson Ascher, provocado sobre a questão “o que é um clássico?”, respondeu: “Clássico para quem?”, “Clássico de quê?”
A modernidade que deformou vários conceitos, o fez também com o de clássico. Afastou-se dos dois pressupostos que criam o clássico, que é a permanência e a referência, que se aproxima da face notória do fato. É que a valoração da obra passou a ser feita não pelo tempo, mas pela conveniência de momento. Todos nós, de vez em quando, achamos que temos o poder simbólico de atribuição de valor.
Esta banalização migrou para o futebol.
O que é um clássico no futebol?
“O clássico está cercado de um sistema de valores que estabelece com ele um sistema de sustentação mútua. Essas referências e essas permanências só fazem sentido em um projeto de identidade”, ensina o professor Henrique Cairus, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Sendo assim, eis um encontro que é possível valorar como clássico: Atlético Paranaense x Coritiba.
Um clássico não se eterniza só pela disposição diária. Existem clássicos que estão fora da prateleira, mas se encontram nas bancas.

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